Arte em Movimento

Nápoles: nova capital do riso

 

 

Ivy Fernandes, de Roma

 

Mais de 20 artistas provenientes de vários países participaram do 1.º Festival do Sorriso (1.º Smile Clows Festival), realizado na principal praça de Nápoles, a Piazza Dante.

A comissão julgadora, tendo à frente Jango Edwards, conhecido mundialmente por números de palhaçaria com feroz crítica política e cultural, os palhaços profissionais Carlo Mó e Virgínia Quejira Imaz e a professora Cláudia Cantone (estudiosa do palhaço Massimo Lo Curatolo), elegeu e premiou três apresentações.

 

 

O primeiro colocado foi o artista circense italiano conhecido como Monsieur David, o segundo, a Companhia Tango Diverso e o terceiro, o palhaço Matisse. O prêmio da crítica foi para o artista Lelè.

O festival, realizado de 3 a 7 de abril, durante um fim de semana de primavera no Hemisfério Norte, acabou como uma verdadeira maratona de alegria, com músicas, espetáculos, palhaçaria e brincadeiras que envolveram pessoas de todas as idades.

 

Pantomimas de Monsieur David

 

Monsieur David é original e sempre procura novos formatos para seus espetáculos. No festival apresentou um número de magia onde conta histórias usando apenas mãos e pés. Ele nasceu em Roma em 1974. Seus espetáculos, já vistos em vários países europeus, resultam de anos de pesquisa de teatro de rua, mímica, pantominas, bonecos e números de palhaços. 

Dizendo-se muito satisfeito com o primeiro lugar, David falou sobre seu projeto de visitar escolas e incentivar crianças e adolescentes a explorar suas capacidades artísticas. “Eu busco ressaltar os ingredientes necessários como determinação, coragem, paixão, ação. Independente da profissão que o jovem vai escolher no futuro. O palco, a arena, a lona, a presença do público ensinam coisas que nenhuma escola pode ensinar, que vão servir para toda a vida”, explica.

 

Bonecos ajudam Monsieur David em seus espetáculos

 

Incrível teatro do pé

 

A Companhia Tango Diverso, segunda premiada pelo júri, é composta pelas jovens circenses italianas Sílvia Scanta e Lúcia Giovannini, especializadas em equilibrismo em corda mole, teatro físico e na arte da palhaçaria de John Phillip Radice, artista norte-americano, um dos precursores do Teatro Físico. Ex-professor da École Internationale de de Paris, Radice é um seguidor da arte de Marcel Marceau.

Sílvia e Lúcia apresentaram um número de tango em que cada uma se vestiu metade de homem e outra de mulher e durante o show trocavam de personagens. Sílvia e Lúcia fazem parte do elenco do Circo Inzir, um projeto de teatro-circo, criado por artistas determinados a levar espetáculos a áreas do mundo que estão sob extrema pobreza ou em guerra.

 

Lúcia Giovanni, da companhia Tango Diverso

 

 

Matisse vence o terceiro prêmio

Palhaço Matisse em cena

 

O terceiro colocado, Fábio Corallini, vive e trabalha em Roma. Se declara cômico. Escolheu o pseudônimo Matisse em homenagem ao grande pintor francês autor do quadro The Clown (O palhaço).

“Fui influenciado por dois grandes artistas”, declarou Corallini.

“George Carl que com sua presença física mantém o total controle do público por todo o espetáculo e Marcel Marceau, o inesquecível mímico francês, com a sua elegância, estilo, beleza e poesia. Escolhi o personagem do palhaço por ser complexo, harmonioso, romântico, me considero também um cômico que faz rir mesmo dizendo coisas sérias, sou um mímico excêntrico, rigorosamente mudo.”

 

Matisse em apresentação na rua

 

 “Damos as mãos” divulgam clownterapia  

 

Palhaço e a perua do Teniamoci per Mano Onlus

 

O festival, uma iniciativa da Teniamoci per mano onlus (Damos as mãos), foi divulgado em toda a Itália. A organização trabalha e divulga a terapia do sorriso, idealizada pelo médico e palhaço Patch Adams, em 1986, na Califórnia, nos Estados Unidos. O lema de Adams, seguido por voluntários médicos e palhaços que ajudam pessoas doentes, é: “Quando se trata de uma doença, se pode ganhar ou perder, quando se trata de uma pessoa, se vence sempre.”

Um dos objetivos principais do evento foi chamar a atenção para o trabalho voluntário e homenagear os mais de 700 médicos e palhaços que atuam em hospitais da Itália. O festival também divulgou a clownterapia como tratamento médico alternativo. A ciência já comprovou que o riso ativa partes importantes do corpo humano, levando à produção de cortisol, um hormônio que regula o estresse físico e mental, ajudando o paciente e melhorar o ânimo e a suportar mais a dor física.

 

Rir e fazer rir faz bem

 

Deixe uma resposta

*