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A magia do Cirque Bidon

 

A chegada da caravana é uma festa

 

 

 

Ivy Fernandes, especial para Panis & Circus 

A chegada do Cirque Bidon, companhia francesa, no Festival de Mirabilia, na Itália, foi por si só um espetáculo – um salto para o passado. É que o circo e seus integrantes chegaram transportados em várias carroças puxadas por cavalos que percorreram, a 25 km por hora, como se fosse uma caravana dos tempos do faroeste americano, um longo caminho – desde os arredores de Paris até a fronteira com a Itália, perto de Turim, durante três semanas de viagem. 

“O Cirque Bidon – que surpreendeu e encantou por sua originalidade – exibiu-se em oito espetáculos entre as cidades de Savigliano e Fossano. Idealizado por François (Bidon) Rauline, o Bidon transformou-se em circo-teatro contemporâneo carregado de poesia e magia.

Depois de 15 anos ausente da Itália, François Bidon aceitou o convite de Fabrizio Gavosto, diretor artístico do Festival de Mirabilia, e chegou com sua caravana e apresentou o novo espetáculo,“Boule  de Rêve, em cena aberta, sem a clássica lona.

 

Cirque Bidon em uma de suas paradas para apresentações / Foto Divulgação  

 

“A nossa companhia de circo é uma companhia muito especial. O Cirque Bidon é composto de 16 artistas (acrobatas, mágicos, palhaços e músicos). Viajamos também com técnicos, médico e veterinário – tudo o que é necessário numa caravana que está em movimento. O que é fantástico é que as pessoas saem de suas casas para esperar na estrada a passagem da nossa caravana”, afirma Bidon no vídeo (ver abaixo).

“O  segredo do sucesso do Cirque Bidon”, explica o seu idealizador, “está no fato de ser um sonho, uma fábula onde os protagonistas dedicam-se de corpo e alma às artes circenses e trabalham com amor e um único objetivo: conseguir proporcionar um momento de felicidade ao público. Cada um faz o melhor que pode para apresentar um espetáculo no qual crianças e adultos possam sonhar de olhos abertos.”

 

François Rauline, conhecido pelo nome artístico, Bidon / Foto Divulgação

 

François Bidon, que já foi integrante do circo tradicional, criou um projeto em que a ironia e o sonho substituem a técnica tradicional tão valorizada por sua perfeição, que a faz parecer, às vezes, mecanizada.

O espetáculo do Cirque Bidou é único em seu gênero – ao dar ao Novo Circo um estilo antigo, tradicional, o transformou em contemporâneo. Esse circo vive em uma espécie de comunidade, uma grande família que atravessa a Europa com as suas carroças, seus animais (de quintal) e artistas e tem como filosofia de vida e de arte o respeito à natureza e aos animais que fazem parte de seu convívio diário.

“O nosso objetivo”, finaliza François Bidon, “é redescobrir os prazeres simples, a vida mais vivida feita do encontro com as pessoas, das conversas ao redor da fogueira, das noites repletas de estrelas. O amanhecer no campo. Tudo isto faz bem ao corpo e à alma. Não a busca de acrobacias perfeitas, artistas impecáveis e espetáculos grandiosos. Mas o encontro com valores de uma vida sem ansiedade e agonia em um ritmo que valoriza a arte e o simples – o descomplicado.”

 

O picadeiro do Cirque Bidon, montado a céu aberto, sem a clássica lona / Foto Divulgação

 

A caravana do Cirque Bidon / Foto Divulgação

 

 

Leia a tradução livre da fala de François Bidon no vídeo

François Bidon –  “A nossa companhia de circo é uma companhia muito especial. O Cirque Bidon é composto de 16 artistas (acrobatas, mágicos, palhaços e músicos). Viajamos também com médico, veterinário e técnicos – tudo o que é necessário numa caravana que está em movimento. O que é fantástico é que as pessoas saem de suas casas para esperar na estrada a passagem da nossa caravana. Eles nos aplaudem, conversam com os artistas e participam do evento. E aproveitamos para fazermos publicidade do nosso Cirque Bidon. As crianças assistem às provas dos artistas e observam toda a preparação do espetáculo. É mesmo fantástico.

Outro fator importante é que fazemos as apresentações sem a clássica lona, a céu aberto, e precisamos de ter tempo bom. E temos dois espetáculos por dia. Mas é uma viagem agradável, viajamos com amigos e passamos horas e horas conversando, comendo, bebendo, trocando ideias e cuidando dos nossos animais, especialmente de nossos 10 cavalos, nós dependemos deles.

Fazia 15 anos que não vínhamos à Itália, porque estamos no centro da França e o caminho é bastante longo para os animais. Difícil para os cavalos e temos de ter cuidado com a saúde deles. Mas agora estamos aqui para uma turnê na parte norte da Itália. A vontade de percorrer o país com a caravana não é pequena, mas temos de fazer o que é possível. Depois, precisamos da ajuda de todos para levar adiante o nosso pequeno circo. Precisamos de doações para manter o espetáculo, mas sempre encontramos pessoas dispostas a doar e investir na arte pura – que diverte e agrada o público.”

www.cirquebidon.fr

 

Elenco do Cirque Bidon 

François Bidon (diretor artístico e mestre de cena)

Pascale Chatiron, Frédérique Zagato, Corentin Boisset, Léo Royer, Laura Bernocchi, Davel Puente Hoces, Guillermo Magro de Bano, Matéo Martinez Villarroya, Anaïs Puygrenier Benjamin Richard, Hugo Sanchez, Philippe Garnier e François Neveu.

 

 Postagem – Alyne Albuquerque

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