Pé na Estrada

A O Lang Ho, do Vietnã, ganha aplausos

 

 

Luciana Gandelini, especial para Panis & Circus

Pela primeira vez em São Paulo, o Nouveau Cirque du Vietnam abriu a 4ª edição de Circos – Festival Internacional Sesc de Circo, com um espetáculo inédito na América Latina chamado A O Lang Pho, em português O Vilarejo e a Cidade. 

Dias antes da estreia, Panis & Circus participa da coletiva de imprensa com o diretor Tuan Le que conta um pouco sobre a companhia e sobre o espetáculo.

“A O Lang Pho procura demonstrar as muitas diferenças existentes no Vietnã, e estabelecer um contraponto entre suas antigas tradições num vilarejo com o atual ritmo intenso da cidade. Retratamos diferentes tempos: os hábitos da população nos vilarejos e, por outro lado, a acelerada urbanização nas cidades”, afirma o diretor.

 

 

Sobre o processo de criação do espetáculo, Tuan Le comenta: “Para a criação do espetáculo, buscamos inspirações nos próprios artistas, construindo uma imagem do Vietnã através das próprias performances. O espetáculo é composto por números de equilíbrio e manipulação de grandes cestos de palha e bambu, mas nem por isso é apenas  um espetáculo de força ou resistência. Na verdade, é uma combinação visual de performances, danças e parkour (modalidade que significa a arte de deslocar-se de um ponto a outro rapidamente, utilizando o próprio corpo).

 

Construção com bambus para simbolizar a cidade/Asa Campos

 

Taun Lee comenta que todos estavam nervosos para as apresentações, porém  animados. E que, por conta dos ensaios, ainda não tinham tido a oportunidade de conhecer melhor a cidade de São Paulo. 

Quando questionado sobre a cena atual do circo no Vietnã, ele lamenta não ter tempo para acompanhar outros projetos artísticos: “Infelizmente, por conta dos nossos ensaios e apresentações (geralmente mais de 20 apresentações por mês), não estamos conseguindo assistir e acompanhar outras companhias.”

 

Trupe de A O Lang Pho e seus movimentos poéticos/Divulgação

 

O Panis & Circus acompanah a apresentação do dia 11 de junho, no Sesc Vila Mariana. Com ingressos esgotados, o público lota o teatro do Sesc para assistir um espetáculo diferente, que através das artes circenses, mostra os impactos da urbanização na vida de um vilarejo vietnamita.

Com trilha sonora executada ao vivo por cinco músicos, o público é levado diretamente para a Ásia, enquando 15 acrobatas da companhia utilizam suas habilidades e humor, para mostrar a transformação e as mudanças que veem com o tempo. A tradição dá lugar à modernidade.

 

Espetáculo usa bambus e cestos de vime para falar do vilarejo e da cidade/Asa Campos

 

O espetáculo começa com um tripé construído com três grandes bambus, uma grande cesta de palha e um remo no centro do palco, o que resume a ideia da montagem: elementos simples usados ​​de forma criativa para explorar as tradições da aldeia, através das acrobacias e artes circenses.

Cenas vão sendo formadas, à medida que mais elementos passam a compor as performers. Eles se revezam em barcos formados por cestas e bambus, representando os meios de locomoção em vilarejos do Vietnã. Bambus são utilizados como remos e servem também como pontes para acrobacias.

 

Trio e suas acrobacias com bambus/Asa Campos

 

As cestas de palha, quando colocadas nas costas dos artistas como se fossem sapos diverte o púlbico. Em dado momento, é formada uma grande pirâmide humana, intercalando pessoas e cestas, e uma artista fica de ponta cabeça e faz graças para o público com os pés.

Ao desfazer a pirâmide, discos de palha são utilizados e os artistas se transformam em um conjunto de patos barulhentos e engraçados, que se dissipam em meio ao vilarejo. 

A medida que o espetáculo vai acontecendo, as imagens do vilarejo vão dando lugar às novas situações impostas pelo crescimento urbano. Chega a hora de demonstrar como o avanço e a modernidade transformam a cidade e mudam os hábitos.

Em estruturas feitas de bambu, o grupo cria figuras como prédios e apartamentos e apresenta conflitos que surgem por conta da falta de espaço e de privacidade. É o caso de um casal com taças, em um momento romântico, que tenta fazer um brinde mas é interrompido constantemente com um vizinho e seu martelo barulhento. A cada tentativa de brindar o amor, um estrondo no apartamento de cima atrapalha. Até que a moça pega uma vassoura e bate com ela no teto do apartamento, sinalizando o seu incômodo ao vizinho.

 

Desenhos geométricos para falar do vilarejo e da cidade/Divulgação

 

O espetáculo estabelece sintonia com o público, equilibrando arte e humor. Em uma das cenas, os artistas em fila, imitam as asas de uma libélula e deixam o público fascinado pela delicadeza, poesia e pela sincronia nos movimentos entre eles.  O grupo mostra o ritmo acelerado da mudança de vida do vilarejo à cidade e encerra o espetáculo se misturando à plateia e ganhando aplausos entusiasmados do público.  

 

Cena de A O Lang Pho mostra a vida no vilarejo /Dragon Imagens

 

 

“Humor presente o tempo todo”

Renato Castro, 43 anos, analista de sistemas comenta: “Quando vi que o festival receberia um grupo do Vietnã, fiz questão de vir assistir. Já estive por três vezes no país e fiquei impressionado com a forma como eles retrataram as mudanças e as diferenças entre as vilas e a cidade grande. Achei maravilhoso o trabalho, a trilha sonora, o uso dos elementos e a perfeição com que eles executam as acrobacias. Me deu vontade de voltar mais uma vez pra lá e talvez até assistir uma apresentação deles em seu próprio país”

Marcia Vieira, 37 anos, produtora cultural – “Estou impressionada com este espetáculo. O que mais me chamou atenção foi o bom humor presente em todo o espetáculo. Os acrobatas são muito carismáticos, e o espetáculo diverte e impressiona ao mesmo tempo. O uso das cestas de palha e bambus criam imagens lindas do Vietnã. É muito interessante como eles conseguiram demonstrar com muita realidade as transformações do vilarejo e da cidade. Eu adorei o trabalho deste grupo que tem qualidade impressionante”

Glória Freitas, 69 anos, aposentada: “foi um dos melhores espetáculos de circo que já assisti”.  

 

Luciana Gandelini, do Panis & Circus, e o diretor Taun Lee/Asa Campos

 

Ficha técnica:  A O Lang Pho – O Vilarejo e a Cidade

Concepção e criação: Tuan Le, Nguyen Lan Maurice, Nguyen Nhat Ly e Nguyen Tan Loc | Elenco: Bui Quoc Huy, Dang Tram Anh, Dinh Van Tuan, Do Manh Hung, Le Ly Xa, Nguyen Khanh Linh,  Nguyen Nhat Quang, Nguyen Ton Doan Khanh, Nguyen Thi Lien,  Nguyen Van Thanh,  Pham Van Son, Quach The Nam, Tran Ban Tin, Tran Duc Na e Truong Chinh Phu | Músicos: Do Trong Thai, Luong Thang Long, Nguyen Truong Tho, Thanh Hai e Nguyen Thi Phuong Thao | Direção: Tuan Le e Nguyen Nhat Ly (musical) | Produção no Brasil: Santa Paciência Produções Culturais. 

Apresentações aconteceram no Teatro do Sesc Vila Mariana, em 09.06 – sexta, às 21h00; sábado, 10.6, às 15h e 21h00 e domingo 11.06 – domingo, às 16h 

 

 

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