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“Acrometria” surpreende no Festival de BH

 

 

Panis & Circus convidou a artista para comentar o Festival Mundial de Circo em Belo Horizonte

Lu Menin, especial para Panis e Circus*

“Acrometria”, dos espanhóis da Cia. Psirc, foi o espetáculo que mais me surpreendeu no 14º Festival Mundial de Circo, que aconteceu de 26 a 30 de novembro, em Belo Horizonte. **

Um trio – dois rapazes e uma moça, juntos há apenas dois anos –  exibe cumplicidade técnica no mão a mão e acrobacias de tirar o fôlego. A Cia. Psirc mostra uma vertente do que existe de mais contemporâneo de circo no mundo. Com várias caixas de madeira, um mastro chinês e material de montagem, eles criaram um espetáculo envolvente por sua simplicidade – realmente um trio jovem e muito promissor. E uma curiosidade, eles viajam sem carga! As caixas são feitas na cidade em que apresentam o espetáculo.  A Cia. viaja apenas com as peças de reforço para as caixas.

 

Espetáculo Acrometria / Foto Divulgação

 

Na cena nacional, destaque para o “Piccolo Circo Teatro de Variedades”, projeto de Erica Stoppel, uma das artistas sócias do Circo Zanni, de São Paulo. Oito artistas entre circenses, atores e músicos realizam um espetáculo de muito bom gosto inspirado na estética do circo do começo do século 20. Com números tradicionais traz uma dupla de palhaços e um apresentador requintado, feito pelo músico e ator Fernando Paz. O espetáculo tem banda ao vivo que alterna com músicas mecânicas compondo uma elegante trilha sonora. Ótimas escolhas e uma direção de arte que fica na memória por suas belas imagens.

 

Piccolo Circo Teatro de Variedades / Foto André Fossati

 

Piccolo Circo Teatro de Variedades / Foto Andre Fossati

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Espetáculos marcantes e platéias lotadas fizeram mais uma vez parte do festival. Nem mesmo a chuva atrapalhou a programação que foi impecável e contou com quatro espetáculos nacionais e quatro internacionais. Paolo Nani, italiano, com seu genial “A Carta” abriu o festival. Ele também apresentou o seu novo solo “Jekyll on ice”, pela primeira vez no Brasil. Ele contracena, no espetáculo, com um carrinho de sorvete, equipado com alto falante gigante, e consegue envolver o público com maestria e doçura.

 

A Carta / Foto Divulgação

 

A Cia. Content Pour Peu, francesa, também agradou com “Entre le Zist et le Geste” pela simplicidade do tema explorado: um casal atrapalhado.  Pesquisa de movimentos, bom humor e técnica  apurada de mão a mão prendem o espectador do começo ao fim do espetáculo. O cenário conta apenas com um pedaço de pano e uma vara mágica e foi apresentado na lona montada na Funarte e no Mercado Municipal, comprovando a versatilidade do grupo.

 

Ensaio da Cia. Content Pour Peu / Foto Divulgação

 

A programação nacional ainda teve o La Mínima com seu sucesso “Mistero Buffo”;  Luiz Carlos Vasconcelos com seu palhaço Xuxu e uma palhaça local, de Belo Horizonte, Gyuliana Duarte com “Xuleta mon amour”.  Além de oficinas muito bem aproveitadas de palhaço, com Luiz Carlos Vasconcelos, e de mão a mão com a Cia. Content  Peur Peu.

O Festival Mundial de Circo é um evento fundamental para o circo brasileiro, que possibilita encontros e intercâmbios únicos, e nessa 14ª edição me arrisco a dizer que privilegiou o simples que exige versatilidade das criações e dos artistas.

 

Piccolo Circo Teatro de Variedades / Foto André Fossati

 

*Sócia-fundadora do Circo Zanni, integrante do circo Amarillo. Há 18 anos profissional da arte circense. 

 

**Clique aqui e leia reportagem sobre “Acrometria”  – espetáculo que fez parte também da 2ª edição de Circus – Festival Internacional Sesc de Circo, que aconteceu em São Paulo.

Clique aqui e leia comentário de Mônica Rodrigues da Costa sobre “A Carta”   

Postagem – Alyne Albuquerque

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