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Animais no picadeiro persistem em Mônaco

 Ivy Fernandes, de Roma 

 

Sebastian Hüchtebrock, diretor-adjunto artístico do Festival de Mônaco, defende a participação dos animais no picadeiro como quer o circo tradicional.  ”O circo começou no século 17 com a arte equestre. De lá para cá, essa arte evoluiu, trouxe na sua esteira outros animais – quando as viagens para países distantes eram  raras. Mais: para enriquecer a exibição equestre  e que foram  incluídas as acrobacias e palhaçadas. Essa receita do circo tradicional atravessou até que nos tempos recentes foi  inventado  o “Novo Circo”, onde prevalece a habilidade dos artistas circenses com exclusão total de animais “.  

A polêmica entre o circo tradicional e o novo em relação aos animais persiste e Mônaco resiste a mudar e eliminá-los do picadeiro. Aliás, é um dos últimos festivais a permitir os números com animais. O Comitê organizador  fez questão  de  informar, demonstrar e  exibir  a  perfeita assistência destinada aos “artistas” animais. 

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Clown de ouro – número com cavalos

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Em Fontvielle, bairro de Mônaco, aproveitando  o espaço atrás da lona, o treinador de tigres, da família Togni, apresentou  ao público  os tigres,  que  nasceram em uma   fazenda  que a família possui  na Itália. Ele afirmou que os tigres são supervisionados desde pequenos  com presença permanente de veterinários, especialistas e nutricionistas. Os animais  possuem grande espaço  para  viver e à noite estão em recinto coberto. “Minha  família  se ocupa do treinamento de tigres, cavalos e elefantes desde 1878. Sei o quanto estamos ligados aos nossos animais, o quanto nos preocupamos com a saúde e o bem estar deles. Passamos a maior parte tempos com eles e são tratados como membros da família”, explicou o treinador”. 

Alain Frère, que compartilhou a paixão do Príncipe Ranier pelo circo e criou com ele o Festival de Monte  Carlo, ainda hoje é o assessor artístico do festival. Ele acredita que o mundo do circo está colocando os treinadores de animais selvagens à dura prova. ”O Festival de Monte Carlo, por enquanto, continua a apresentar números circenses  com  o auxílio de animais, mas em menor número que nos festivais anteriores.  Os cavalos devem estar sempre presentes. A tradição vai continuar. Mas no futuro, certamente, não veremos elefantes e outros grandes animais no circo. É muito complicado e dispendioso, conclui”.  

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Aves de Elisa Winner , ex-contorcionista da família Triberti, uma das dinastias mais representativas do circo italiano, apresentou número com suas aves – araras, catatuas e periquitos na 45ª edição do Festival de Mônaco  

 

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