Arte em Movimento

Artistas homenageiam Piolin

 

 

Mônica Rodrigues da Costa*

O Paissandu vira festa: um cortejo de palhaços e circenses sai em desfile pelo largo, no centro da cidade de São Paulo, para oferecer uma miscelânea de cores, sonhos e sorrisos aos passantes, que param para admirar o boneco mamulengo gigante à frente, representando o palhaço Piolin, e os artistas em perna de pau e em monociclo, dando saltos mortais, jogando malabares, soltando fogo pela boca e apresentando palhaçadas, na tarde 27 de março de 2019. 

 

Artistas e boneco representando Piolin comemoram o Dia do Circo / CMC

 

A data celebra o Dia do Circo no aniversário do palhaço Piolin (Abelardo Pinto- 1897-1977). E em 2019 completam 90 anos de “Festim Antropofágico” – evento realizado em 1929 pelos artistas modernistas em homenagem a Piolin. Em 1972, nas comemorações do cinquentenário da Semana de Arte Moderna, na mostra no Museu de Arte Moderna, Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi instalaram no vão livre do MASP, o Circo Piolin. Nesse mesmo ano, o Estado de São Paulo decretou a data 27/3 como o Dia do Circo.

O Festim Antropofágico aconteceu no restaurante do Mappin Store, então situado à Praça do Patriarca. Constituiu num almoço cujo prato principal foi o próprio Piolin – simbolicamente, é claro. Como os modernistas se inspiraram nos índios antropófagos, que comiam os guerreiros capturados das tribos inimigos para adquirir suas qualidades, o festim foi uma consagração a Piolin.

 

Músicos tocam durante o desfile do Dia do Circo / Asa Campos

 

Com banda de música ao vivo, artistas e público fazem um círculo na praça e os circenses apresentam números e discursos em homenagem ao palhaço amado pelos modernistas e aos 90 anos do “Festim Antropofágico”, realizado por eles em homenagem a esse artista popular.

 

O artista abre os braços e dá …

 

uma pirueta durante o desfile do Dia do Circo / Asa Campos

 

Depois do desfile, eles se dirigem para o cine Olido, na Galeria Olido. Lá, Raul Barretto como mestre de cerimônias apresenta cenas circenses e descreve o Festim Antropofágico.

 

Raul Barretto como mestre de cerimônias no antigo cine Olido / Asa Campos

 

 

“Festim Antropofágico”

O almoço do palhaço no espetáculo “Vamos comer Piolin! 90 anos de Festim Antropofágico” ocorreu na sala Olido depois do cortejo.

Fernando Sampaio como Piolin no Sala Olido / CMC

 

Fernando Sampaio (LaMínima) fez o papel do protagonista na celebração. Vários artistas apresentaram seus números e, entre eles, a famosa atração de laços e chicote do Circo Sbano, clássico paulista.

Piolin (Sampaio) sobe ao palco de bengala e chapéu e um pouco tímido e temeroso devido ao almoço. Comenta que está ali sem cachê, por amor à arte. Risos.

 

Piolin (Sampaio) temeroso devido ao almoço / Asa Campos

 

Yan de Almeida Prado (Fernando Paz) e Mário de Andrade (Pascoal da Conceição) / Asa Campos

 

Aparecem em cena o grupo dos modernistas presentes no almoço de 90 anos atrás em forma de personagens: Mário de Andrade (Pascoal da Conceição), Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Raul Bopp, Pagu, Paulo Prado, Menotti Del Picchia e Yan de Almeida Prado, entre outros.

 

Menotti del Picchia (Filipe Bregantim – gravata borboleta) e modernistas / Asa Campos

 

Menotti Del Picchia faz um discurso sobre quitutes e glórias, artistas e até jornalistas devoradores e afirma que o almoço é uma consagração. Muitos outros discursos são feitos. Paulo Prado diz que representa o prefeito que não pode comparecer. Oswald diz que é o palhaço da burguesia. O tom é de paródia e pilhéria à moda modernista.

 

Oswald de Andrade (Marcelo Drummont): palhaço da burguesia / Asa Campos

 

Irônicas, as falas são tão empoladas que Piolin pega no sono. Depois acorda e declama uma lista de nomes de palhaços. Então diz que vai embora antes do almoço porque o Uber o espera. Gargalhadas.

Mas Piolin se benze e começa a deglutição. O banquete é dividido entre plateia e público. Segue-se uma dança indígena que simboliza a devoração.

Antes e depois do almoço os números do picadeiro são apresentados, como o de equilíbrio de pratos e o giro no ar de um tecido redondo.

 

Bruno Edson e o equilíbrio dos pratos / Asa Campos

 

O almoço antropofágico continua com frevo, chanchada e Carnaval, com confete e serpentina. Palhaços e palhaças da plateia sobem ao palco para festejar.

 

Fernando Sampaio (Piolin) e o beijo da fã circense / CMC

 

Cartaz do Centro de Memória do Circo (CMC) no Dia do Circo / Asa Campos

 

 

Ficha técnica do “Festim Antropofágico”

Direção – Marcelo Drummond. Direção musical – Circo – Banda A5 PB (Ayrton Mugnaini Jr., Dinho Nascimento, Jorge LA Matheus, Marcos Gil, Tetê Purezempla). Direção musical Teatro Oficina (músicas de Villa-Lobos) – Felipe Botelho. Apresentação – Raul Barretto. Atuadores – Fernando Sampaio (Piolin), Letícia Coura (Tarsila do Amaral), Camila Mota (Patrícia Galvão – Pagu), Pascoal da Conceição (Mário de Andrade), Filipe Bregantim, os palhaços Xuxu, Romiseta, Pepin e Florcita, o equilibrista Bruno Edson, a família Sbano, a apresentadora Ranny, as mestras Amercy Marrocos, Marília de Dirceu, Edméia Ferreira, o coro antropófago do Teatro Oficina, entre outros. Boneco gigante Piolin – Ricardo Costa.

 

Origem do Dia do Circo

Verônica Tamaoki durante o desfile do Dia do Circo / Asa Campos

 

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