Arte em Movimento

Babel, Glöm: diversidade cultural em cena

 

 

Aline Silva de Araújo, especial para Panis & Circus 

Muitas novidades vieram ao Brasil nesta quinta edição de CIRCOS – Festival Internacional Sesc de Circo de 2019. Uma delas é o espetáculo Babel, Glöm, da companhia sueca Kaaos Kaamos, que veio pela primeira vez à América e fez seis apresentações do dia 14 a 20 de junho, em cinco unidades do Sesc São Paulo (Itaquera, Guarulhos, Campo Limpo, Parque Dom Pedro II e Pinheiros).

No feriado de Corpus Christi, 20 de junho, o grupo se apresentou na praça do Sesc Pinheiros, sob céu limpo e sol radiante. A tarde agradável e a programação circense ao ar livre convidaram pais a levarem seus filhos a um bom passeio, deixando o espaço repleto de crianças e adultos. Aqueles que não conseguiram um lugar nos colchonetes disponíveis ficaram de pé na rampa lateral ou assistiram ao espetáculo através das janelas dos andares superiores do prédio. Ninguém queria perder um só movimento dos artistas.

 

Cena de Babel, Glöm / Divulgação

  

Babel, Glöm faz referência à narrativa bíblica sobre a Torre de Babel, que teria sido um projeto dos descendentes de Noé, que intencionavam construir uma torre que pudesse abrigar todo o povo – que na época falava a mesma língua – e fosse tão alta a ponto de alcançar o céu. Deus, no entanto, considerou a iniciativa gananciosa e ofensiva e, para confundir os homens, determinou que passassem a falar línguas diferentes, impedindo sua comunicação e interrompendo a construção da torre. 

Babel, Glöm, literalmente, significa “Babel, esqueça”, um convite às pessoas para que esqueçam o mito e aceitem a diversidade linguística e cultural como construtiva, formadora de laços e união.

 

Comunicação com a linguagem universal do Circo / Divulgação

 

É com base nesse princípio que o espetáculo foi criado. Os seis artistas são provenientes de quatro países: Suécia, Alemanha, Finlândia e Nova Caledônia (território francês), cada um com seu idioma. Em cena, muitas vezes eles falam a língua materna, mas, por meio de suas acrobacias, constroem torres e demonstram que se comunicam de outra maneira: com a linguagem universal do circo. 

O público compreende a mensagem do grupo e se encanta com o mão a mão, fica apreensivo com os saltos e vibra com as torres. Um dos momentos mais aplaudidos da apresentação foi quando as três acrobatas formaram uma torre exclusivamente feminina; todos concordaram que as mulheres têm força e podem alcançar o céu.

 

Apresentação do espetáculo no Sesc Pinheiros / Aline Araújo

 

Os artistas são capazes, com as técnicas de acrobacia e a sutileza das cenas e expressões, de abarcar muitas atitudes e emoções essencialmente humanas. Eles experimentam situações de ciúme, deboche, raiva, afeto, generosidade e companheirismo. A montagem exemplifica do começo ao fim a complexidade das relações humanas e o poder da comunicação fundamentada no respeito à individualidade e na cumplicidade. 

Babel, Glöm, com simplicidade e graça, representa a riqueza das diferenças e demonstra como elas podem romper fronteiras e ajudar a construir uma sociedade flexível, que valorize a força do coletivo e mantenha as relações em equilíbrio.

 

Público aplaude e tira fotos no Sesc Pinheiros / Aline Araújo

 

Legenda foto de capa- Babel, Glöm (Babel, esqueça) durante Circus 2019 / Divulgação

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