Destaques

Charges contam os fatos políticos do ano. Veja como julho e agosto foram desenhados.

A nova colunista do Panis & Circus, Lisbeth Rodrigues da Cunha, assina a coluna Destaques e seleciona charges que relatam os fatos na política e economia em 2020 – a exemplo do que fez o ano passado. Veja o que é destacado cada mês desse ano.

AGOSTO

Sábado, 8 de agosto de 2020: Cheques para Michelle põem Bolsonaro em contradição – A quebra do sigilo bancário do policial militar aposentado Fabrício Queiroz revela novos repasses do amigo do presidente Jair Bolsonaro à primeira-dama Michelle Bolsonaro, de acordo com reportagem publicada ontem pela revista Crusoé. Extratos põem em dúvida a justificativa sobre empréstimos apresentada pelo Bolsonaro. Até então se sabia de transferências que somavam R$ 24 mil para a mulher do presidente. O próprio presidente, na revelação do fato, falou em 10 cheques de R$ 4 mil. Os valores seriam para quitar uma dívida de R$ 40 mil que Queiroz tinha consigo e que recursos foram destinados para a esposa porque ele não ‘tem tempo para sair’. Segundo a revista, porém, os cheques que caíram na conta dela soma R$ 72 mil. A Folha confirmou a informação da publicação e apurou que o vazamento foi ainda maior. Além dos 21 cheques de Queiroz depositados para Michelle de 2011 a 2016, sua mulher, Márcia Aguiar repassou à primeira-dama outros R$ 17 mil em 2011.

No total, R$ 89 mil, em 27 movimentações bancárias.    

.

.

.

Domingo, 9 de agosto de 2020: o Brasil chega a triste marca de 100 mil mortes. Rosana Aparecida foi a primeira das 100 mil vítimas de Covid-19 no Brasil. Em cinco meses, pandemia marcou para sempre milhares de família, expôs o despreparo do governo e acelerou o passo da ciência, informa O Globo. 

.


.

Sexta-feira, 14 de agosto: Jair Bolsonaro está com melhor avaliação desde que começou seu mandato. Segundo o Datafolha, 37% dos brasileiros consideram seu governo ótimo ou bom, antes 32% da pesquisa anterior em 23 e 24 de julho. Houve acentuada queda na curva da rejeição. Passaram de 44% para 34% da rejeição os que julgaram ruim e péssimo. A melhora nos números ocorre junto com uma mudança de perfil do presidente. Principalmente, após a prisão de Fabrício Queiroz, moderou declaração contra adversário e parou de municiar apoiadores radicais. Com a distribuição do auxílio emergencial, Bolsonaro ampliou ações no Nordeste, onde sua reprovação foi de 52% para 35%. A região tem 27% de população brasileira em 45% de seus habitantes pediram o benefício.   

.

.

Segunda-feira – 17 de agosto – Um sapo e uma girafa de pelúcia. Ao lado da avó e de uma assistente social, essas foram as companhias da garota de 10 anos, que denunciou ser estuprada desde os seis por um tio, no voo que a levou de Vitória até o Recife no último domingo. Ali, uma força-tarefa de apoio, formada majoritariamente por mulheres, havia sido montada e já estava de prontidão para auxiliar na peregrinação da menina para garantir a realização do aborto, que, no caso dela, está assegurado pela legislação, informa o El País. Na chegada ao aeroporto, um carro já esperava por ela, para levá-la diretamente ao hospital.

Aos 10 anos, ela fez aborto após ter seus dados expostos por extremistas da direita e enfrentar a pressão de Damares, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, de pastores, padres e até de médicos.

.

.

JULHO 2020

Sábado, 11 de julho de 2020: Gilmar Mentes, ministro do Supremo Tribunal Federal, afirma que o Exército está se associando a um “genocídio”, ao se referir à crise do novo coronavírus agravada pela falta de um titular da Saúde. O Brasil está há 58 dias sem um ministro para a pasta. O general Eduardo Pazuello assumiu interinamente o ministério após o ex-ministro Nelson Teich se demitir em 15 de maio, informa o Estadão.

“Não podemos mais tolerar essa situação que se passa no Ministério da Saúde. Não é aceitável que se tenha esse vazio. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a Estados e municípios. Se for essa a intenção é preciso se fazer alguma coisa”, afirmou Gilmar, em videoconferência realizada pela revista IstoÉ. “Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso”.      

.


Segunda-feira, 13 de julho: o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, entrou com uma representação na PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Gilmar Mendes, informa a Folha de S.Paulo. No sábado, o ministro do Supremo Tribunal Federal havia dito que “o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável, gerando grande contrariedade entre os militares. Ele se referia às políticas do Ministério da Saúde, chefiado interinamente pelo general Eduardo Pazuello, no combate ao novo coronavírus.

“Comentários dessa natureza, completamente afastados dos fatos, causam indignação. Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e sobretudo leviana. O ataque gratuito a instituições de Estado não fortalece a democracia”, diz o texto.

.

.

Sexta-feira, 17 de julho: E o governo militar falha outra vez. “A representação à PGR de Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, contra o ministro Gilmar Mendes, do STF, apelando para a Lei de Segurança Nacional e ao Código Penal Militar, tem o odor inequívoco de república bananeira. É o general que sobrevoou a Praça dos Três Poderes num helicóptero de combate quando em solo, fascistoides  pregavam o fechamento do Congresso e do Supremo. Os militares decidiram sair dos quartéis para colonizar o governo. A janela se abriu com a eleição de Jair Bolsonaro à esteira da razia provocada pelos desmandos da Lava Jato. O resultado é um desastre de proporções amazônicas. A institucionalidade trincada nos conduziu à terra dos mortos – desmatada e queimada.”  (Reinaldo Azevedo, na Folha de S.Paulo).

.

JUNHO 2020  

Em 1º de junho, a Folha de S.Paulo estampa a manchete: Manifestos pró-democracia buscam recriar clima de Diretas Já após ataques de Bolsonaro

Uma profusão de manifestos em favor da democracia após ataques do presidente Jair Bolsonaro a instituições tomou as redes sociais e as páginas de jornal nos últimos dias, buscando recriar um certo clima de Diretas Já.

Os manifestos acontecem após o presidente Jair Bolsonaro ter requisitado um helicóptero oficial para sobrevoar a Esplanada dos Ministérios neste domingo (31) e prestigiar mais uma manifestação a favor de seu governo e contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso e com pedidos de intervenção militar. Com o presidente no helicóptero estava o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo. Depois, Bolsonaro desceu e caminhou para cumprimentar seus apoiadores que estavam em frente ao Planalto. Ele não utilizava máscara, obrigatória no Distrito Federal como medida de combate à Covid-19.

Se a comparação com o movimento de 1984 ainda pode soar um tanto exagerada, há um paralelo evidente entre os dois momentos.

O principal, a união de adversários ideológicos contra um inimigo comum, associado ao autoritarismo. Em geral, contudo, não há defesa explícita do afastamento do presidente.

A maior iniciativa é o Movimento Estamos Juntos, lançado no sábado (30) e que resgata a cor amarela —símbolo do Diretas Já. No fim de semana, arrebanhou assinaturas online ao ritmo de 8.000 por hora e reunia mais de 150 mil até a noite deste domingo (31).

Veja os movimentos em defesa da democracia:

Estamos Juntos

Reúne artistas e intelectuais de campos ideológicos diversos, como Lobão e Caetano Veloso. Até a noite deste domingo (31/5) tinha mais de 150 mil assinaturas.

Basta! 

Organizado por juristas e advogados e lançado neste domingo (31), o movimento tem aproximadamente 700 assinaturas, que incluem nomes como Antonio Claudio Mariz de Oliveira e Claudio Lembo.

As Forças Armadas e a Democracia

Manifesto assinado por 170 profissionais ligados ao direito, entre eles três ex-ministros da Justiça, pede que as Forças Armadas respeitem a democracia.

Presidentes dos TJ

Presidentes dos 27 Tribunais de Justiça do país manifestaram “integral apoio” ao STF (Supremo Tribunal Federal), alvo de ataques do presidente Jair Bolsonaro

Procuradores
Manifesto assinado por 535 integrantes do Ministério Público Federal, na quinta-feira (28), pediu a aprovação pelo Congresso de uma proposta que obrigue o presidente da República a escolher a chefia da PGR por meio de uma lista tríplice votada pela categoria.

Comissão Arns de Direitos Humanos 
Entidade divulgou manifestação na qual afirma se preocupar com “manifestações desestabilizadoras feitas por agentes públicos” e que atingem o STF e seus ministros.​

Somos 70 por cento

Campanha contra o presidente com apoio de celebridades como a apresentadora Xuxa

Em 7 de junho, o Governo deixa de informar total de mortes e casos de Covid-19; Bolsonaro diz que é melhor para o Brasil

Portal com informações ficou fora do ar; governo diz que mudança é para melhor retratar momento do país

O Brasil restringiu a divulgação de dados sobre o impacto do novo coronavírus no país. Desde a noite de sexta-feira, o Ministério da Saúde não mais informa o total de mortes e nem o total de casos confirmados da Covid-19 durante a pandemia.

O portal do Ministério da Saúde com as informações consolidadas saiu do ar na noite da sexta-feira (5), e só retornou na tarde deste sábado (6). Agora, a página mostra somente os números registrados no último dia.

O presidente Jair Bolsonaro confirmou a mudança na metodologia de divulgação sobre vítimas da Covid-19.

As mudanças ocorrem após dois dias seguidos com recorde de mortes e divulgação tardia dos números. O país é o terceiro no mundo com mais mortes acumuladas em decorrência da doença, mais de 35 mil, e acumula mais de 640 mil casos de coronavírus, número que, segundo especialistas, pode ser múltiplas vezes maior devido à baixa testagem no país.

Durante muito tempo, a pergunta Onde está Queiroz? esteve presente no noticiário.

Até que em 18 de junho,  Fabrício Queiroz é preso em SP na casa de advogado de Bolsonaro e de seu filho Flávio

policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro e amigo do presidente Jair Bolsonaro, foi preso na manhã desta quinta-feira (18) em Atibaia, no interior de São Paulo. O mandado de prisão foi expedido pela Justiça do Rio de Janeiro —ele não era considerado foragido. Queiroz estava em um imóvel do advogado Frederick Wassef, responsável pelas defesas de Flávio e do presidente Bolsonaro. Wassef é figura constante no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, e em eventos no Palácio do Planalto.

A Operação Anjo, batizada com esse nome por causa do apelido de Wassef entre os investigados, foi coordenada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que indicou o paradeiro de Queiroz aos policiais de São Paulo. O ex-assessor de Flávio foi transferido para o Rio de Janeiro ainda na manhã de quinta-feira.

Queiroz é investigado por participação em suposto esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. A prática da “rachadinha” ocorre quando funcionários são coagidos a devolver parte de seus salários. O filho de Bolsonaro foi deputado estadual de fevereiro de 2003 a janeiro de 2019.

Em 21 de junho, o Brasil chega a 50 mil mortes provocadas pela Covid-19.

Em 28 de junho, o Datafolha destaca que para a maioria dos brasileiros atos contra o Supremo Tribunal Federal ameaçam a democracia.

Maio 2020

Apesar de o presidente Bolsonaro ser contra o uso da máscara, ela é considerada essencial para combater o coronavírus – conforme mostra a charge abaixo feita sob quadro da pintora Tarsila do Amaral.

Ainda em 1º de maio, o presidente Bolsonaro ataca a decisão do ministro Alexandre de Moraes de barrar a nomeação de Alexandre Ramagem, amigo de sua família para comandar a Polícia Federal, após acusação de Sergio Moro de tentativa de interferência política na corporação. E Bolsonaro desafia o Supremo ao exaltar o apoio militar e dizer que chegou a seu limite.

Em 2 de maio, em depoimento à Polícia Federal, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou que o presidente Jair Bolsonaro pediu a ele no começo de março deste ano a troca do chefe da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Em 15 de maio, sexta-feira, após receber de Bolsonaro ultimato para ampliar o uso da cloroquina para pacientes com quadros leves da Covid-19, sem evidências científicas dos benefícios do  medicamento, Nelson Teich, novo ministro da Saúde, pede demissão. Esse pedido acontece dois dias antes de completar um mês no cargo.

Em 17 de maio, a Folha afirma que o senador Flávio Bolsonaro teria sido informado com antecedência de que a operação Furna da Onça, que atingiu Fabrício Queiroz, à época, funcionário de Flávio, seria deflagrada. A afirmação é do empresário Paulo Marinho, suplente do senador, e figura importante na campanha presidencial de Bolsonaro, em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha. Ele “foi  avisado da existência da operação entre o primeiro e o segundo turnos das eleições, por um delegado da Polícia Federal que era simpatizante da candidatura de Jair Bolsonaro. Mais: os policiais teriam segurado a operação, então sigilosa, para que ela não ocorresse no meio do segundo turno, prejudicando assim a candidatura de Bolsonaro.”

Em 22 de maio, o ministro do Supremo, Celso de Mello, autoriza a divulgação do vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro que integra o inquérito que investiga a suposta interferência do presidente na Polícia Federal – conforme denúncia do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. Essa reunião é recheada de palavrões, ameaças de prisão, xingamentos e ataques a governadores e integrantes do Supremo. E o combate à pandemia é deixado de lado. Vejam algumas frases ditas na reunião:

“Não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa…” – Jair Bolsonaro, presidente  

“A pandemia vai passar, mas governadores e prefeitos responderão processos e nós vamos pedir inclusive a prisão de governadores e prefeitos. E nós tamos subindo o tom” – Damares Alves, Direitos Humanos

“Precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada.” Ricardo Salles, Meio Ambiente.

“A gente tá perdendo, tá perdendo mesmo. O povo tá querendo ver o que me trouxe até aqui. Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF.” Abraham Weintraub, Educação

Em 27 de maio, o ministro Alexandre de Moraes determina medidas contra políticos, empresários e ativistas bolsonaristas e cita a suspeita de participação do chamado ‘gabinete do ódio’, grupo de servidores lotados na Presidência da República, em um esquema para disseminar notícias falsas e ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática. A Folha mostrou em 25 de abril que as investigações identificaram indícios de envolvimento de Carlos no esquema de notícias falsas.

Em 28 de maio, pesquisa Datafolha é divulgada e mostra que a rejeição a Bolsonaro bate recorde: 43% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo. Esse número era de 38% no levantamento anterior (27 de abril). Segundo a atual pesquisa de maio, feita na segunda (25) e na terça (26), a aprovação de Bolsonaro segue estável: os mesmos 33% nas duas aferições – já sob o impacto da divulgação do vídeo da reunião ministerial recheada de palavrões e para muitos o retrato do governo Bolsonaro.

Em 29 de maio, o PIB do Brasil cai 1,5% no 1º trimestre, início da pandemia, segundo IBGE

.

ABRIL 2020

Em abril, o Brasil convive com a saída de dois ministros, o da Saúde e da Justiça. 

Em 4 de abril, o Datafolha mostra que a pasta da Saúde, comandada por Luiz Henrique Mandetta, tem 76% de aprovação e o presidente Bolsonaro, 33%.

Em 17 de abril, Bolsonaro, em meio a pandemia,  demite Mandetta, o ministro favorável ao isolamento social no combate ao coronavírus e que por isso pede à população para ficar em casa. Bolsonaro é contra e engajou-se em atos de sabotagem das regras de distanciamento social. De lá para cá, manteve a mesma atitude. Apesar da demissão do ministro, Bolsonaro segue impedido de reverter as ações de governadores e prefeitos. É que o Supremo havia decidido um dia antes (16/5), por unanimidade, que estados e municípios têm autonomia para determinar o isolamento social no combate ao Covid-19. 

Em 18 de abril, o Datafolha mostra que para 64% dos brasileiros a demissão de Mandetta foi um erro. 

Em 24 de abril, uma semana após a saída de Mandetta do governo, é a vez do ministro de Sergio Moro pedir demissão do Ministério da Justiça. 

Em 25 de abril, Moro acusa Bolsonaro de fraude e ingerência na Polícia Federal e agrava a crise que entra maio adentro 

Em 26 de abril, a PF aponta Carlos Bolsonaro como articulador de fake news, segundo manchete da Folha de S.Paulo. 

Em 28 de abril, Bolsonaro afirma: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?. Sou Messias, mas não faço milagres.” Essa foi a resposta do presidente quando questionado sobre o fato de o Brasil, na terça 28/4, ter somado 5.017 mortes por covid-19, que superou o total de mortes da China, país de origem da pandemia, de acordo com dados oficiais.  


Março 2020

O presidente Jair Bolsonaro tem dado declarações – desde o início da crise do coronavírus – nas quais busca minimizar os impactos da pandemia e, ao mesmo, trata como exageradas algumas medidas que estão sendo tomadas no exterior e por governadores de estado no país.

Veja a seguir as declarações retiradas de reportagem da Folha de S.Paulo  e as charges escolhidas pelo Panis & Circus que retratam essa posição presidencial em março de 2020.

É MUITO MAIS FANTASIA (10.MAR)

“Durante o ano que se passou, obviamente, temos momentos de crise. Muito do que tem ali é muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga. “
Durante evento em hotel no centro de Miami

 ENTRAR NUMA NEUROSE (15.MAR)

“Muitos pegarão isso independente dos cuidados que tomem. Isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Devemos respeitar, tomar as medidas sanitárias cabíveis, mas não podemos entrar numa neurose, como se fosse o fim do mundo.”
Quando deu entrevista à CNN Brasil, no dia em que saiu às ruas em protestos contra o Congresso

TEVE CRISE SEMELHANTE (15.MAR)

“Em 2009, 2010, teve crise semelhante, mas, aqui no Brasil, era o PT que estava no poder e, nos Estados Unidos, eram os Democratas, e a reação não foi nem sequer perto do que está acontecendo no mundo todo.”
Em entrevista à CNN Brasil

ESTÁ HAVENDO UMA HISTERIA (16.MAR)

“Está havendo uma histeria”, afirmou. “Se a economia afundar, afunda o Brasil. E qual o interesse dessas lideranças política? Se acabar economia, acaba qualquer governo. Acaba o meu governo. É uma luta de poder.”
Em entrevista à Radio Bandeirantes

FOI UM FRACASSO (18.MAR)

“Começamos a nos preparar. Até que os primeiros casos começaram a aparecer no Brasil. Alguns achavam que a gente deveria suspender o carnaval. Tivemos esses dias um governador que queria impedir as pessoas de ir à praia. Não só foi um fracasso como o número de pessoas nas praias aumentou.”
* Em crítica velada ao governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC), durante entrevista coletiva com ministros

GRIPEZINHA (20.MAR)

“Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, não. Se o médico ou o ministro me recomendar um novo exame, eu farei. Caso contrário, me comportarei como qualquer um de vocês aqui presentes.”

*Durante entrevista à imprensa.

ESPERO QUE NÃO VENHAM ME CULPAR (22.MAR)

“Brevemente o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírus. (…) Espero que não venham me culpar lá na frente pela quantidade de milhões e milhões de desempregados na minha pessoa.”
* Em entrevista à TV Record

HISTÓRICO DE ATLETA (24.MAR)

“Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão.”
* Durante pronunciamento para rádio e televisão

BRASILEIRO NÃO PEGA NADA (26.MAR)

“Eu acho que não vai chegar a esse ponto [do número de casos confirmados nos Estados Unidos]. Até porque o brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali. Ele sai, mergulha e não acontece nada com ele.”
* Durante entrevista em frente ao Palácio da Alvorada

TEM UM ESTADO AÍ (27.MAR)

“Está muito grande para São Paulo. Tem que ver o que está acontecendo aí. Não pode ser um jogo de números para favorecer interesse político. (…) Não estou acreditando nesse número (…) Sem querer polemizar com ninguém, tem um estado aí que orientou por decreto que, em última análise, se não tiver uma causa concreta do óbito, bota lá coronavírus para colar.”

* Em entrevista para a Rádio Bandeirantes


FEVEREIRO  de 2020

Disney e domésticas

Em 12 de fevereiro, o ministro da economia, Paulo Guedes, afirma que dólar alto é bom – é que com dólar baixo “empregada doméstica estava indo para a Disney, uma festa danada.”

Papa e…

Em 13 de fevereiro, o papa Francisco recebe o ex-presidente Lula no Vaticano. Na legenda da foto publicada no Twitter Lula afirma que conversou com o papa sobre um mundo mais justo e fraterno.

Um dia depois, em 14 de fevereiro, o general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), escreve em seu Twitter que o encontro do papa Francisco com o ex-presidente “é o exemplo de solidariedade a malfeitores tão ao gosto de esquerdistas”.

… Palavrão

Em 19 de fevereiro, o general Augusto Heleno, do GSI, era considerado o mais nervoso no governo a respeito das dificuldades de se achar a um acordo sobre a divisão do dinheiro com o  Congresso dentro do chamado Orçamento Impositivo. Ele considera inadmissível o que classifica de “chantagens” do Legislativo para avançar sobre o dinheiro do Executivo. “ Não podemos mais aceitar esses caras chantageando a gente. Fodam-se.”

A fala de Heleno foi captada e transmitida ao vivo da presidência da República no hasteamento da bandeira no Palácio do Planalto.   

É o amor …

Em 29 de fevereiro, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirma que a paralisação do Ceará é ilegal mas que policial não pode ser tratado como criminoso. Os policiais militares começaram a greve em 18 de fevereiro e reivindicavam aumento salarial maior do que foi proposto pelo governo de Camilo Santana (PT). Homens encapuzados que se identificaram como policiais invadiram e ocuparam quartéis e esvaziaram pneus de viatura. Em Sobral, obrigaram comerciantes a fechar as portas e o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado ao avançar com uma retroescavadeira contra um grupo que bloqueara uma unidade da Polícia Militar.    

Coronavírus entra em cena

Ainda em 29 de fevereiro, as Bolsas revivem tensão de 2008 com a expansão do coronavírus. Aliás, os jornais brasileiros já viam alertando que o avanço do coronavírus derruba Bolsas no mundo.     

Charge de Alexandra Moraes em 29/2/2020

JANEIRO  de 2020

Democracia em Vertigem, da brasileira Petra Costa, produzido pela Netflix, foi indicado ao Oscar de melhor documentário longa-metragem. O filme concorre com Indústria Americana (produzido pelo casal Barack e Michelle Obama), The Cave, For Sama e Honeyland. O anúncio das indicações foi feito na manhã do dia 13/1, segunda-feira.

“O filme de duas horas é uma visão em primeira pessoa da ascensão da esquerda no Brasil, da chegada do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva ao poder e da cadeia de eventos que mais tarde impactaram o cotidiano do país: o julgamento político da sucessora de Lula, Dilma Rousseff, a prisão do próprio ex-presidente e a ascensão do atual presidente, Jair Bolsonaro”.

“Estamos extasiados pela @TheAcademy ter reconhecido a urgência de #DemocraciaEmVertigem. Numa época em que a extrema direita está se espalhando como uma epidemia, esperamos que esse filme possa ajudar a entender como é crucial proteger nossas democracias. Viva o cinema Brasileiro!”, escreveu Petra Costa em seu Twitter. (Isto É 13.1.2020)

Em um Brasil polarizado, a nomeação do documentário causou reações diversas, ainda de acordo com a Isto É.

“Parabéns, @petracostal, pela seriedade com que narrou esse importante período de nossa história. Viva o cinema nacional! A verdade vencerá”, comentou no Twitter o ex-presidente Lula, solto em novembro após um ano e meio de prisão.

O então secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, ironizou a nomeação: “Se fosse na categoria ficção, estaria correta a indicação”, afirmou Alvim à coluna nesta segunda (13) da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

Um dia depois 14/1, em O Estado de Minas, o presidente Bolsonaro falou sobre Democracia em Vertigem: “para quem gosta do que o urubu come, é um bom filme”.

No domingo, 9 de fevereiro, o Oscar foi para Indústria Americana, o único documentário norte-americano concorrente.

JANEIRO  de 2019

Aparece o Queiroz

Disputas entre Onix Lorenzoni, chefe da Casa Civil, e Paulo Guedes, ministro da Economia, ao lado de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, envolvido com movimentações atípicas em sua conta de 1,2 milhão de reais, marcam o início de 2019 na política.  O caso Queiroz levou a crise para perto do presidente eleito Jair Bolsonaro, pai de Flávio. E o ministro Moro, da Justiça, afirma que não viu nada o que Queiroz fez ainda que o ex-assessor tenha dito em entrevista ao SBT que faz dinheiro. 

Charges de Chico Caruso em O Globo – 10.1.2019

Lama na alma: tragédia em Brumadinho

“No Brasil de 2019, os desastres da natureza não tiveram nada – rigorosamente nada – de natural. Em 25 de janeiro, a barragem de uma mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), de propriedade da Vale, se rompeu liberando um mar de lama composta de minério de ferro, argila e sílica, que provocou a morte de 257 pessoas.

Os bombeiros em busca dos corpos são os heróis da história em que não faltam vilões. Em 22 de dezembro de 2019, a Folha de S.Paulo informava que “Vale vai distribuir R$ 7,25 bilhões de remuneração a seus acionistas, valor acima do gasto em reparação pelo desastre que atingiu a cidade mineira”.


FEVEREIRO

Pit Bull no Laranjal

“Jair Bolsonaro costuma chamar o filho Carlos de ‘meu pit bull’. Em 13 de fevereiro, o cão raivoso voltou a morder o governo. O Zero Dois atacou o secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Chamou o secretário de mentiroso. O tuíte de Carluxo abriu uma nova crise no bolsonarismo, escreve Bernardo de Mello, no Globo. O ministro já estava na berlinda desde que reportagens da Folha de S.Paulo revelaram um ‘laranjal’ nas campanhas do PSL.

De olho nos padres

Os olhos e as ações do governo se concentraram na Abin para vigiar o Sínodo da Amazônia, no qual, bispos de nove diferentes países analisaram as carências da região, a começar pela destruição do meio ambiente. “Num infantilismo cimento e caolho, essa reunião interna da Igreja Católica foi apontada pelo governo como ‘intromissão’ em assunto próprio do Brasil, desconhecendo que compartilhamos a Amazônia com outros oito países.”(Flavio Tavares, jornalista e escritor no Estadão)

Em nome do Senhor

Em fevereiro, antes de o Supremo Tribunal Federal começar o julgamento sobre homofobia e transfobia como crime de racismo, 22 parlamentares da bancada evangélica tiveram uma audiência com o ministro Dias Toffoli para pedir que o tema fosse retirado de pauta, informa a Revista da Folha. Apesar disso, o Supremo, em junho, analisou o assunto e sentenciou que é mesmo crime de racismo.

Charge de 14 de fevereiro – Benett / Folhapress

Ninho do Urubu

“A charge (abaixo) homenageia as vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, o centro de treinamento do Flamengo, no dia 8 de fevereiro. Morreram dez atletas das categorias de base, garotos que dormiam em contêineres. A hipótese é que o fogo tenha começado após um curto-circuito no ar-condicionado de um dos dormitórios. Em junho, o ex-presidente rubro-negro Eduardo Bandeira de Mello e outras sete pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil do Rio por dolo eventual (quando se assume o risco) nas mortes dos adolescentes.” (Folha)

Charge de 10 de fevereiro – Jean Galvão/Folhapress

Fora Temer

O ex-presidente Michel Temer foi preso em São Paulo, na quinta-feira, 21 de março, pela operação Lava Jato do Rio. Temer recebeu voz de prisão da PF quando saia de sua residência logo no início da manhã na rua Bennet, no Jardim Universidade, zona oeste da capital paulista. As prisões de Temer e dos demais alvos são decorrentes da operação Radioatividade, investigação que apurou crimes de formação de cartel e prévio ajustamento de licitações além do pagamento de propina a empregados da Eletronuclear.   

 

MARÇO

O golpe de estado que instaurou a ditadura militar no Brasil em 1964 completou 55 anos, no domingo 31/3/2019.  Após o ato, iniciou-se um regime de exceção que durou até 1985. Nesse período, não houve eleição direta para presidente. O Congresso Nacional chegou a ser fechado, mandatos foram cassados e houve censura à imprensa. De acordo com a Comissão da Verdade, 434 pessoas foram mortas pelo regime ou desapareceram – somente 33 corpos foram localizados.

Em pesquisa realizada pela Veja/FSB (11/12/2019), quase 80% dos brasileiros rejeitam o retorno do regime autoritário. Mas cerca de 40% acreditam que exista uma grande possiblidade que isso aconteça.  

Dor do avô

O menino Arthur Araújo Lula da Silva, neto do ex-presidente Lula, morreu no dia 1º de março, no Hospital Bartira, da rede D´Or, em Santo André, de sepse (infecção generalizada).

Integrantes do Ministério Público Federal que integram a “Lava Jato” fizeram pouco do luto do ex-presidente Lula. É o que revelaram mensagens de chats privados no Telegram enviados ao site The Intercept Brasil e analisados em parceria com o UOL.

Lula teve autorização para ir ao enterro do neto e foi transportado por uma aeronave cedida pelo governo do Paraná.

“Na data, o procurador Deltan Dallagnol compartilhou com colegas uma notícia que revelava um contato telefônico entre Lula e o ministro do STF Gilmar Mendes em que o ex-presidente teria se emocionado.

“Estratégia para se ‘humanizar’, como se isso fosse possível no caso dele rsrs”, comentou o procurador Roberson Pozzobon.”

 ABRIL

80 tiros em nossa consciência

“Onde estavam as bandeiras do Brasil no enterro do músico e segurança Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, fuzilado por soldados do Exército quando levava a família a um chá de bebê dominical. O Comando Militar do Leste primeiro disse que foi resposta a uma ‘injusta agressão’ de ‘tiros de criminosos’. Depois, a versão mudou. Foi ‘um engano’ porque Evaldo estava num carro igual ao de assaltantes. O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, chamou o fuzilamento de “acidente lamentável” e o ministro da Justiça, Sergio Moro, de “incidente trágico”.

Enquanto as autoridades não entenderem que são também responsáveis por gatilhos nervosos que matam inocentes, estaremos perdidos. Moro disse que ‘lamentavelmente esses fatos podem acontecer’. Não podem não, Moro. É bom explicar direitinho seu pacote anticrime que permite matar em situação de “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. Os soldados podem alegar tudo isso. E aí?

Não se permitam esquecer do Evaldo, da viúva e de seu filho de 7 anos que viu o pai morrer…” (Ruth de Aquino em O Globo)

ABRIL

Nazismo de esquerda

Em viagem a Israel, depois do encontro com empresários, o presidente Jair Bolsonaro visitou o Memorial do Holocausto e, a exemplo do que fez o chanceler Ernesto Araújo disse que o nazismo foi um movimento de esquerda.

Mais tarde, perguntado se concordava com a opinião do chanceler Ernesto Araújo, de que o partido nazista de Hitler havia sido um movimento de esquerda, Bolsonaro respondeu:

“Não há dúvida. Partido socialista, como é que é? Partido Nacional Socialista da Alemanha”, disse.

Falta de educação  

O colombiano Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido da pasta da Educação em 8 de abril, após três meses de paralisia e polêmicas. Foi substituído pelo economista Abraham Weintraub. Em novembro, relatório de comissão da Câmara mostrou que a paralisia continua. A nova Política Nacional de Alfabetização ainda não saiu do papel. (Folha de S.Paulo).

Charge de 7 de abril de 2019 – Jean Galvão / FolhaPress

“País é governado por um bando de maluco”

“O ex-presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (26 de abril), em entrevista exclusiva concedida à Folha e ao jornal El País, que o Brasil está sendo governado por “um bando de maluco”.

Depois de uma batalha judicial na qual a entrevista chegou a ser censurada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), decisão revista na semana passada pelo presidente da corte, Dias Toffoli,  o petista enfim recebeu os dois veículos, em uma sala preparada pela Polícia Federal na sede do órgão em Curitiba, onde está preso desde abril do ano passado.

 O ex-presidente chorou quando falou da morte do neto Artur, de 7 anos, vítima de uma bactéria, há um mês: “Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Eu já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar o meu neto viver”.

E comparou o tratamento que a imprensa dá a ele com o que reserva ao atual presidente da República. “Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?”, questionou, referindo-se ao fato de o filho do presidente, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), ter empregado familiares de um miliciano foragido da Justiça em seu gabinete quando era deputado estadual pelo Rio.”

A entrevista repercutiu aqui e no exterior. O Globo evitou o assunto. Mas, o cartunista Chico Caruso, do jornal, colocou Lula como Super Homem na cadeia.

MAIO

A exposição Direito do Avesso/Avesso do Direito, de murais de Laerte e Angeli sobre eleições, trabalho, saúde pública, educação, desigualdade, agrotóxico e cidadania toma a avenida Paulista.

JUNHO

Intercept Brasil e a Kriyptonita da Vaza Jato

“A KRYPTONITA que tirou parte da força e provocou o desmoronamento da imagem de um herói veio na forma de vazamento de mensagens do Telegram. Nos diálogos revelados a partir de junho pelo site The Intercept Brasil e analisados por veículos como Veja, o então juiz Sergio Moro orientava a inclusão de provas em processos da Lava-Jato, sugeria datas de operações, dava palpites em acordos de delação e cobrava celeridade em manifestações, em meio a outras demonstrações de parcialidade. Os procuradores seguiam as ordens e, entre uma e outra ação, faziam piadas e comentários constrangedores sobre os investigados. O chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, sofreu o maior desgaste. Soube-se que ele elaborava estratégias para atingir membros do STF contrários às teses de Curitiba, comemorava encontros com ministros mais simpáticos à causa (“Aha, uhu, o Fachin é nosso”, escreveu aos colegas após sair de uma reunião com o relator da Lava-Jato no Supremo) e ganhava dinheiro com palestras, inclusive de uma empresa sob a mira da Lava-Jato.

Entre julho e setembro, na Operação Spoofing, a Polícia Federal prendeu seis hackers responsáveis pela invasão. A Vaza-Jato, como o episódio acabou sendo apelidado, não chamuscou seriamente apenas a imagem dos envolvidos (mesmo contra todas as evidências, Moro e companhia fincaram pé na posição de não reconhecer a autenticidade dos diálogos).

O episódio fez virar os humores do STF contra a Lava-Jato, sendo o exemplo mais eloquente disso o fim das prisões após segunda instância, decisão que tirou o ex-presidente Lula da cadeia em novembro. Em 2020, a Segunda Turma do STF deve julgar, ainda sob o impacto das mesmas revelações, se Moro foi parcial na conduta dos processos contra o petista. O atual ministro da Justiça goza ainda de muita popularidade, mas não há como negar que o tiro de kryptonita provocou estragos – e mudou a história da Lava Jato.” (Veja – retrospectiva).  

Faz falta

 JULHO  

Reforma da Previdência avança no Congresso

A reforma da Previdência avançou mais uma etapa no Congresso, mas com alterações significativas. O texto principal, que havia sido aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados na quarta-feira (10 de junho) e recebeu várias propostas de mudanças.

O Congresso acabou por promulgar no dia 12 de novembro a reforma da Previdência, quase nove meses após o governo federal entregar a proposta ao Legislativo.

AGOSTO

Amazônia em chamas

Os focos de incêndio na floresta Amazônica bateram o recorde dos últimos nove anos, com alta de 196% em comparação a 2018, em agosto.  “Satélites da Nasa registraram o que estava acontecendo – e imagens da Amazônia em chamas rodaram o planeta, queimando o respeito que o Brasil havia conquistado pelo zelo com a região.  A crise tinha começado em julho com a divulgação a divulgação de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mostravam aumento no desmatamento da Amazônia – 278% em relação a igual período de 2018 –, o que provocou uma troca de farpas entre o presidente Jair Bolsonaro e o então diretor do órgão, o físico Ricardo Galvão. O resultado não poderia ser outro: o servidor acabou exonerado.” (Veja)

Entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento da Amazônia aumentou 29,5%, segundo o INPE. Para o presidente Jair Bolsonaro “o interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore, é no minério”.   

SETEMBRO

Janot e a intenção de matar Gilmar Mendes 

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse na quinta-feira 26/9 à Folha que entrou uma vez no Supremo Tribunal Federal armado com uma pistola com a intenção de matar o ministro Gilmar Mendes, por causa de insinuações que ele teria feito sobre sua filha em 2017. “O ex-procurador narra o episódio num livro de memórias que está lançando neste mês, sem nomear Gilmar. Ele confirmou a identidade de seu alvo ao ser questionado pela Folha em entrevista nesta quinta”.

OUTUBRO 

Óleo nas praias brasileiras

Manchas de óleo apareceram no litoral da Paraíba em 30 de agosto. Em seguida, atingiram todo o Nordeste e avançaram para o Sudeste. O governo demorou 41 dias para acionar o Plano Nacional de Contingência estabelecido em 2013 para fazer frente a casos de vazamento de petróleo. A responsabilidade não havia sido esclarecida até o fechamento desta edição. (Revista da Folha)

Daqui não saio …

A  Lava Jato recomendou à Justiça a concessão da progressão de regime para Lula, mas o petista não aceitou deixar a prisão. Preferiu esperar o julgamento do Supremo Tribunal de Justiça.

NOVEMBRO

Lula Livre

O STF (Supremo Tribunal Federal) mudou de entendimento em 7 de novembro e vetou, por 6 votos a 5, a prisão de condenados em segunda instância. Em 8 de novembro, um dia depois que o STF fixou entendimento sobre a execução provisória, o ex-presidente Lula foi solto beneficiado pela decisão da corte. O petista, que foi detido após condenação em segunda instância, estava preso há 580 dias na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. 

Porteiro e o Seu Jair

Em depoimento à Polícia Civil, Aberto Jorge Ferreira Mateus, porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, no Rio, afirmou que, no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018, um dos acusados pelo crime, o ex-policial militar Élcio Queiroz, parou na cancela do conjunto residencial em que ele trabalha e disse que ia à casa do ‘seu Jair’ – no caso, o presidente Jair Bolsonaro, morador do imóvel número 58. O ex-PM ia visitar Ronnie Lessa, outro denunciado pelas mortes, que vive no mesmo condomínio.”

Jair Bolsonaro, na ocasião, estava em Brasília. Mais tarde, o porteiro voltou atrás e afirmou que confundiu os números. 

“Quando surgiu a ligação de seu nome ao assassinato de Marielle, Bolzonaro, em meio a compromissos no Oriente Médio, gravou uma live de madrugada para rebater a acusação com um destempero incomum até para quem não o equilíbrio como marca. Entre outras coisas, atacou a imprensa e o governador Wilson Witzel, a quem apontou como responsável por vazar o depoimento. Durante a crise, Sergio Moro, a mando de Bolsonaro, extrapolou o papel de ministro da Justiça ao intervir para que a Polícia Federal ouvisse de novo o porteiro.

O episódio se juntou a tantos mais que fizeram da busca pelos assassinatos uma das operações mais tumultuadas da história, com tropas de investigações, depoimentos falsos e obstrução de Justiça, entre outros. E até hoje não se sabe quem matou Marielle.” (Veja – edição 2667).

Não se assustem se alguém pedir o AI-5, diz Guedes 

 O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (25) que não é possível se assustar com a ideia de alguém pedir o AI-5 diante de uma possível radicalização dos protestos de rua no Brasil. Durante entrevista coletiva em Washington, Guedes comentava a convulsão social e institucional em países da América Latina e disse que era preciso prestar atenção na sequência de acontecimentos nas nações vizinhas para ver se o Brasil não tem nenhum pretexto que estimule manifestações do mesmo tipo. 

“Sejam responsáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente? Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está à altura da nossa tradição democrática.”

As únicas multidões que tomavam as ruas no Brasil quando Guedes falou do AI-5 eram de torcedores do Flamengo.

DEZEMBRO

Desemprego no vermelho  

Retratos com cartuchos de bala

Em dezembro, o ministro da Justiça Sergio Moro e o presidente Bolsonaro ganharam obras como homenagens, feitas pelo artesão Rodrigo Camacho, a partir de cartucho de balas, até mesmo de fuzis. No caso do ministro o painel tem formado do rosto de Moro e as palavras Lava Jato. No caso do presidente tem o mapa do Brasil e o rosto de Bolsonaro. E o artesão também fez um mural para o novo partido de Bolsonaro, e quem sabe, de Moro: Aliança para o Brasil.   

One Response to "Charges contam os fatos políticos do ano. Veja como julho e agosto foram desenhados."

  1. erjilopterin disse:

    I simply could not depart your web site prior to suggesting that I really enjoyed the usual info a person provide in your guests? Is gonna be back continuously in order to check out new posts.

Deixe uma resposta

*