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Circo contemporâneo dá o tom no Festival de BH

 

Maíra Campos, Lúcia Tateishi, Eduardo Mantovani, Carola Costa, Cafi Otta , Ronaldo Aguiar, Gabriela Winter e Veronica Piccini, participantes da "Residência Artística", / Fotos Asa Campos

 

Espetáculos “Na Esquina” e “Lento” e o programa “Residência Artística” marcam pela ousadia e criatividade

 

Bell Bacampos

Ousada? Criativa? Inovadora? Sim, tudo isso. O 13ª Festival Mundial de Circo de Belo Horizonte surpreendeu por concentrar o foco no circo contemporâneo. “Apostamos em um circo experimental, com uma pegada europeia”, afirma Fernanda Vidigal, gestora cultural e sócia da Agentz, agência que está à frente do festival desde sua estreia, em 2001.

Um dos principais destaques da edição de BH em 2013 foi o “Residência Artística” – programa que reuniu oito artistas circenses para uma semana de trabalho com a diretora Lu Lopes (criadora da palhaça Rubra) e o diretor e coreógrafo Cisco Asnar. O público conferiu o resultado do projeto durante o “Cabaré Mostra de Números”, que ocorreu em 7/9 na Funarte  de Belo Horizonte (MG).

 

Lúcia Tateishi, Maíra Campos, Carola Costa, Eduardo Mantovani, Cafi Otta, Veronica Piccini e Gabriela Winter - artistas do porgrama "Residência Artística" - antes da apresentação do "Cabaré Mostra de Números" /Foto Asa Campos

 

Maíra Campos deixou a plateia em suspenso com a inusitada troca de roupas feita em cima do arame durante o “Cabaré”. De terno e gravata, Ronaldo Aguiar seria um homem sério e com o semblante carregado. Qual o quê. Em dado momento, puxou de dentro da calça uma saia de tule e, “touché”, virou uma bailarina.

A palhaça Gabriela Winter, com cabeleira vermelha, semelhante à da palhaça Rubra, fez graça e mágica com página de jornal. Precisão e beleza acompanharam os números de tecido de Lúcia Tateishi e do trapézio de Veronica Piccini.

A dupla de mão a mão, com Eduardo Mantovani e Carola Costa, contracenou com Cafi Otta de monociclo. O trio inusitado usou técnicas de equilíbrio e fez palhaçadas.

 

Ensaio dos artistas da "Residência Artística" antes da apresentação na Funarte/MG /Foto Asa Campos

 

Eduardo afirmou ao site Panis & Circus que faz o número de mão a mão com  Carola há cinco anos. O artista afirmou que, durante a “Residência Artística”, Lu Lopes fez com que eles saíssem da zona de conforto e propôs que construíssem um novo número. Cafi Otta seguiu na mesma toada. “Eu nunca tinha carregado ninguém nos ombros me equilibrando no monociclo. Foi um desafio que tive de enfrentar.”

Fernanda Vidigal afirmou que gostou do resultado da “Residência”. “Fiquei feliz também por Lu Lopes e Cisco Asnar. O projeto certamente vai ser ampliado no ano que vem.”

 

Eduardo Montovani, Veronica Piccini, Carola Costa, Gabriela Winter (de verde) , Fernanda Vidigal, Cisco Ascar, Lu Lopes, Ronaldo Aguiar. Sentados: Lúcia Tateishi , Cafi Otta e Maíra Campos /Foto Asa Campos

 

 

Sobre o espetáculo “Na Esquina”

 

 

Diego Dolabella e Pauline Hacchette em "Na Esquina" /Foto Asa Campos

 

“Na Esquina” abordou ao mesmo tempo ensaio e estreia de um espetáculo. Um grupo de artistas mostrou suas habilidades no mastro chinês, no trapézio fixo, na lira, na acrobacia de solo e no número de mão a mão usando linguagens contemporâneas.

Diogo Dolabella, Pedro Sartori e Pauline Hacchette deram um show no mastro chinês – conforme mostra o vídeo da capa e foto acima.

 

Apresentação do espetáculo "Na Esquina"/Foto Asa Campos

 

Liz Braga e Pedro Guerra foram impecáveis no número de acrobacia de solo: um número de mão a mão de tirar o fôlego.

Roberta Mesquita no trapézio fixo e Clarice Panadés com o malabarismo com bolas de rebote completaram o espetáculo, que foi apresentado nos dias 6, 7 e 8 de setembro, no pátio da Funarte em Belo Horizonte (MG). 

O espetáculo “Na Esquina” foi realizado por jovens artistas residentes no Brasil e na Europa e recebeu o apoio do Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo.

 

Cia. Nuaa e os balões  

Luís Sartori e Olli Vuorinen, da Cia. Nuua, no espetáculo "Lento" / Foto Divulgação

 

Na mesma toada contemporânea com forte sotaque euroupeu, seguiu o espetáculo “Lento”, da companhia finlandesa Nuaa, apresentado no Galpão do Cine Horto em 30/8.

Formada pelo brasileiro Luís Sartori e pelo finlandês Olli Vuorinen, “Lento” descreveu um universo povoado por balões de hélio em que os dois artistas dialogam entre si e com seus próprios objetos. Apresentou manipulação de objetos, malabarismo, acrobacia com pitadas de mágica e cenas com marionetes.

 

Equipe da Cia. Nuua, do espetáculo "Lento"/ Foto Divulgação

 

“O espetáculo é o resultado de pesquisa que fizemos com um balão de gás hélio. Manipulamos objetos e o balão, sem deixá-lo escapar. Trazemos de volta a nostalgia da infância”, explica Luís. Ele contou ao Panis & Circus que “Lento” foi o ganhador da última edição do programa Jeunes Talents Cirque (atualmente Circus Next), um dos mais importantes programas de incentivo à produção circense europeia, e foi apresentado no Festival Mirabilia, na Itália. 

Clique aqui para ler a reportagem do Panis & Circus sobre o Festival de Mirabilia que traz cena de “Lento” 

 

Esqueceram as crianças?

Fernanda Vidigal, da Agentz, foi questionada durante o festival: “Não têm espetáculos dedicados às crianças?” 

Fernanda explica que a abertura do evento (29/8) apresentou um espetáculo voltado também às crianças na sede da Funarte, com o palhaço Leandre Ribera, que mora em Barcelona, na Espanha. Seu número de improvisação e mímica brinca com situações do cotidiano. 

Mas ela reconhece que o festival esteve voltado mesmo para a experimentação com os números do circo, de forma diferente da tradicional.

 

Caxambu e Belo Horizonte

Festival Mundial de Circo, em Caxambu (23/7 a 28/7) e em Belo Horizonte, na Funarte (29/8 a 8/9) / Fotos Asa Campos

 

O fato é que um mês depois de invadir Caxambu (de 23/7 a 28/7), o Festival Mundial de Circo fez sua 13ª edição em Belo Horizonte (29/8 a 8/9) com proposta diferente da levada ao sul de Minas. “Em Caxambu, era a 1ª edição, havia o trabalho de conquista da cidade, e a curadoria era de um circo mais popular – com números reconhecidos no país e fora dele.” Deu muito certo.  

Em Belo Horizonte, acrescenta Fernanda, “resolvemos nos voltar para uma linguagem mais experimental, arriscar mais, deixar o certo pelo incerto”.

Valeu a pena correr o risco? questiona Panis & Circus.

Fernanda Vidigal sorri e finaliza: “Valeu a pena demais”. 

 

 

 

 

 Postagem: Alyne Albuquerque

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