Picadeiro

Zanni estreia casa nova com lotação esgotada

Mônica Rodrigues da Costa*

Maíra Campos no número do arame / Foto Asa Campos

A cidade de Cotia, vizinha da capital paulista, pertinho da Granja, recebeu em 30/11, 1º/12, 7/12 e 8/12 o mais recente espetáculo do Zanni, de 2019. Esse circo inaugurou finalmente sua sede, no Km 26 na rodovia Raposo Tavares na oeste paulistana) com o carinho e os aplausos entusiasmados do público. Foram dois finais de semana com lotação esgotada e filas longas em busca de ingressos. Em dado momento, foi preciso até mesmo inverter a direção do tráfego de acesso ao Zanni.

Como não poderia deixar de ser, os espetáculos se apresentam sob a lona que cobre o picadeiro tradicional no Brasil — marca por isso da trupe do Zanni, constituída em São Paulo e criada em 2004.

Com a sede esse picadeiro comemora 15 anos de existência e dá início ao funcionamento do Novo Centro Cultural da região em seu endereço. Vai promover espetáculos, seminários, palestras e oficinas.

Bel Mucci e seu novo número do tecido / Foto Asa Campos

O Circo Zanni mostra um novo trabalho por ano e a atual montagem, apresentada em outubro no Parque do Povo, em São Paulo, e agora em sua nova casa, na Raposo, pertinho da Granja, e no município de Cotia, tem elenco fixo de nove artistas proprietários da lona e convidados, mescla atrações novas com algumas antigas, que são praticamente exigidas pelo público, como as evoluções na lira, esquetes cômicas, equilíbrio dos pratos e o andar no fio de arame tenso.

Lu Lima e Lu Menin no número da Lira / Foto Asa Campos

Erica Stoppel equilibra pratos / Foto Asa Campos

Os artistas do Zanni mantêm o crédito de direção geral dos espetáculos a Domingos Montagner (1962-2016), um dos fundadores do Zanni.

Marcelo Lujan assina a direção musical e inaugura um gênero sonoro que só o Zanni tem. A música urbana contemporânea está presente nos espetáculos, com banda ao vivo e repertório requintado de jazz, pop e outros hits populares, como tangos argentinos, ritmos latino-americanos como a salsa cubana, a música pop norte-americana e o samba brasileiro.

A narrativa do espetáculo retoma e recria o circo de família. 

Estruturado como teatro de variedades, o espetáculo dá oportunidade para incríveis momentos musicais. Há composições típicas do picadeiro, do cabaré, de musicais de variedades e aquelas mais tocadas nas festas populares das cidades brasileiras, como “Maracangalha” (1957), de Dorival Caymmi.

Compõem a banda  os filhos de dois palhaços e duas ginastas de números aéreos. Leo (piano) é filho de Domingos Montagner e da produtora Lu Lima. Tomás (bateria) é filho de Erica Stoppel e Fernando Sampaio.

Daniel Pedro toca trompete, Tomas, bateria e Leo, piano / Foto Asa Campos

Os outros músicos são os próprios integrantes do Zanni, como os multiartistas Daniel Pedro, Pablo Nordio, Erica Stoppel, Lu Menin, Maíra Campos, Dani Rocha-Rosa, Felipe Bregantin e Fernando Paz — os três últimos são artistas convidados.

Marcelo Lujan também integra a banda e faz duplas com sua mulher, Dani-Rocha Rosa, e com o músico e palhaço Pablo Nordio, diretor técnico do espetáculo de 2019.

Pablo Nordio e Marcelo Lujan no número dos malabares / Foto Asa Campos

As mulheres ginastas do Zanni realizam exercícios de tirar o fôlego. O equilibrismo e as acrobacias nas alturas são muito esperados pelos espectadores e aparecem entrecortando o espetáculo.

Maíra Campos desenvolve ritmos, saltos e fica de ponta cabeça no arame com leveza. Lu Menin, Erica Stoppel, Bel Mucci e Lu Lima brilham nas cordas, na lira e nos tecidos deixando todos sem ar pelos riscos que correm lá no alto.

Dani-Rocha Rosa e Marcelo Lujan apresentam números de variedades em suas criações de espetáculos de cabaré e trazem atrações para o Zanni, como o número dos bambolês. Misturando força e risco, Dani os equilibra no pescoço, no corpo e na cabeça.

Dani Rocha-Rosa e seus bambolês / Foto Asa Campos

Pablo Nordio e Lu Menin fazem estripulias na bicicleta e conquistam o público.  

Lu Menin e Pablo Nordio: acrobacias na bicicleta

Fernando Sampaio é o palhaço carismático do Zanni e todo mundo vibra quando ele aparece no centro da lona, seja ao interpretar a Monga, que simboliza a aberração circense, seja ao pedalar uma minúscula bicicleta.

Sampaio apresenta ainda números com Filipe Bregantin, que tem flexibilidade e talento para representar diferentes papéis. Ele já incorporou o ritmo dos trabalhos do Zanni como se fosse parte da equipe.

Fernando Sampaio e Filipe interpretam o domador e a macaca que atravessa barreiras de fogo e exibe outras façanhas cômicas.

Os demais convidados, como o músico Fernando Paz, também dominam as esquetes. Paz faz o público rolar de rir no número de Branca de Neve e os Três Anões, circo teatro revisitado dentro da lona com a participação de voluntários da plateia.

Fernando Sampaio e Fernando Paz em Branca de Neve e os 3 Anões / Asa Campos

Querido dos espectadores, o contrarregra do Zanni, Wagnão, toca pandeiro e samba no picadeiro ao som de clássicos da MPB.

Wagnão na cadência do samba com Maíra Campos / Foto Asa Campos

Algumas crianças, filhos dos artistas do Zanni, participam do espetáculo e arrebatam a plateia. Raul, filho de Maíra e Daniel Pedro; Maia, filha de Marcelo e Dani, bem como Luana, filha de Isabel Mucci; Guido, filho de Pablo Nordio e Lu Menin, e ainda Vicente, filho de Márcia Nunes, produtora do Zanni.

À esq: Maia, seu pai Marcelo Lujan e Pablo Nordio; Luana, filha de Bel Mucci, Fernando Sampaio e Filipe Bregantim / Foto Asa Campos

Meninas e meninos realizam pirâmides humanas, tocam na banda, fazem acrobacias e participam das danças.

Os números se sucedem e a gente não sente o tempo passar, a não ser quando cai do alto uma chuva de confetes marcando o final do show.

Crianças, artistas e convidados do Zanni/Foto Asa Campos

Ficha técnica

Concepção e direção artística: Domingos Montagner. Direção musical: Marcelo Lujan. Cenário e figurino: Dani Garcia. Direção técnica: Pablo Nordio. Produção de montagem: Daniel Pedro. Elenco: Daniel Pedro, Erica Stoppel, Fernando Sampaio, Isabel Mucci, Lu Menin, Luciana Lima, Maíra Campos, Marcelo Lujan e Pablo Nordio. Artistas convidados: Fernando Paz, Dani Rocha-Rosa, Filipe Bregantin, Daniel Rocha, Tomás Sampaio e Leo Montagner. Produção: Márcia Nunes. Assistente de produção: Cátia Pires.

Serviço

Em cartaz na sede do Circo Zanni – não percam dois últimos espetáculos de 2019, em 7/12 (19h) e 8/12  (17h).

Ingressos:  Não pagam crianças até 2 anos. Pagam meia entrada — R$ 30,00 — crianças a partir de 3 anos até 12 anos; pessoas acima de 60 anos; estudantes, pessoas portadoras de deficiência; professores e pessoas da classe artística. Pagam inteira — R$ 60,00 — Todos os demais.

Local: Quilômetro 26 da Rodovia Raposo Tavares sentido São Paulo, Cotia.

Classificação: Livre

Como chegar

– De carro: O circo fica localizado próximo do retorno da Estrada do Embu. Saindo de São Paulo, pegar a entrada para a Estrada do Embu, fazer o retorno e cair na Raposo sentido São Paulo. Entrar na primeira saída à direita, na Rua Vaticano, o circo fica logo à direita. Também é possível chegar ao local pela Estrada Velha de Cotia, que fica atrás do Posto Bem-Te-Vi.

*Mônica Rodrigues da Costa é crítica de teatro do “Guia da Folha de S. Paulo” e deste site, professora doutora e poeta.

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