Picadeiro

Circo e a pós-pandemia no verão europeu

Ivy Fernandes, de Roma

Os circos da Europa tentam retomar a vida após medidas de segurança que restringiram atividades artísticas na tentativa de controlar a expansão do Covid-19. O retorno é difícil, mas as companhias buscam trabalhar neste verão europeu dentro da nova “normalidade”, ainda repleta de incertezas.

O público já pôde apreciar, em agosto, vários espetáculos, especialmente na cidade italiana de Turim e na Costa Azul, na França. Esse mês de setembro, quando termina o verão e começa o outono, várias apresentações estão sendo programadas.

Cirko Vertigo apresentou dois espetáculos em Grugliasco (Itália) / Divulgação

A Fundação Cirko Vertigo, centro de cultura de arte circense, promoveu a apresentação de duas companhias em agosto. De 17 a 28, a Duo Memo mostrou o espetáculo P4, no Perempruner Theatre, localizado na cidade de Grugliasco, perto de Turim, na Itália. O espetáculo mostra a relação entre homem e mulher, com a triangulação entre os artistas Aurora Morano e Firenza Guidi e um professor e especialista em dança acrobática, Emanuele Melan. A performance envolve transformação de técnicas circenses, como mão-a-mão, roda Cyr e tecido aéreo. O Cirko Vertigo também apresentou trabalhos, ensaios abertos e masterclasses.

Espetáculo da espanhola Sweet Chilly Company em Turim / Divulgação

A Sweet Chilly Company apresentou o show The Risk Party também no Perempruner Theatre. O espetáculo mostra a relação entre o corpo e o espaço – a dança no ar em meio a fios que tecem. Em uma das cenas, na rotação do trapézio, um corpo voa e parece esticar em direção a outro. A Sweet Chilly nasceu em Zaragoza, na Espanha, em 2018, a partir da necessidade de criar a própria linguagem que mistura circo, teatro, dança e tem como protoganistas Milki Lee e Teresa Magallo. 

Riviera Francesa

A cidade de Nice, na França, também organizou vários espetáculos circenses em agosto para aproveitar o fim do verão europeu. Na Grande Corniche da capital da Riviera Francesa, o público pôde apreciar inúmeras apresentações de artistas de rua. Os espetáculos foram gratuitos. A única exigência era o uso de máscara.

 Um dos espetáculos mais aplaudidos foi o da Réverie Vertical Dance  (ver vídeo acima), companhia francesa, famosa por seus espetáculos.  A Dança Vertical é uma encenação artística feita em superfície vertical que que mistura dança, acrobacia, técnica de  alpinismo na rocha e equilibrismo.

Também no centro da vida noturna de Nice, os espaços entre o porto e a Place Garibaldi, artistas circenses, equilibristas, músicos, malabaristas e mágicos transformaram aqueles espaço em um picadeiro sob as estrelas.

A grande festa circense ao ar livre contou com a participação das seguintes companhias e artistas:

Compagnie Une petite voix m’a dit – Juke Box, La Diva Mobile… Collectif Mains d’uvre – Échasses, musiciens, jongleurs… Spectacle déambulatoire

Compagnie Une petite voix m’a dit – Juke Box, La Diva Mobile Collectif Mains d’uvre – Échasses, musiciens, jongleurs…

La rue Luberlu – Passage Rétro – Spectacle déambulatoire – Cirque/Jonglerie

Mus’en scène – Échassiers, circassiens et musiciens – Spectacle déambulatoire

Siméon Wolfgang – Photocall Chaise – Magia Compagnie Rêverie Danse Verticale – Ballet aérien sur fachad

Festivais e o Fim da Noite em setembro

Na primeira quinzena de setembro, mais precisamente de 31 de agosto a 14 de setembro, antecipando a chegada do outono europeu, o Teatro Le Serre, em Turim, recebe a companhia francesa La Barque Acide, que apresenta The end night (O fim da noite).

O espetáculo reúne sete mulheres e quatro homens provenientes da Itália, Finlândia, Suíça, Bolívia, Espanha, Nova Caledônia, Brasil, Inglaterra, Austrália e França. No palco, eles se comunicam por meio de uma língua universal, a do circo contemporâneo e suas perspectivas.

Cena de The End is Night em Turim (Itália) / Divulgação

Várias cidades europeias também organizaram shows de arte circense. A chegada do outono, em setembro, vai coincidir com dois grandes festivais europeus de arte circense.

Apesar das restrições determinadas por autoridades locais, preocupadas com a infecção pelo coronavírus, como limite para participação de artistas, limitação de público (máximo 5.000 pessoas distanciadas) e respeito entre espaços para a plateia, poderão ser vistos pelos amantes da arte circense o Festival de Mirabilia, na cidade de Cuneo, na Itália, de 1 a 6 de setembro e o Festival Circa de Auch, na França, de 16 a 25  outubro. Os dois festivais atraem grande público de todas as partes da Europa mas este ano serão parcialmente virtuais. 

Ambos governos da Itália e Franca pediram aos respectivos Ministérios da Cultura para contribuírem no sentido de controlar aglomerações para evitar um novo lockdown . 

Foto de Capa – Collectif Mains d’Ouvre em apresentação em Nice/França / Divulgação

One Response to "Circo e a pós-pandemia no verão europeu"

  1. Ciro Ítalo disse:

    Muito boa matéria Ivy, parabéns e obrigado.

    Sou artista circense no Rio e ter informações de como as atividades estão sendo retomadas em outros países e no contexto específico do circo nos ajuda muito.

    Obrigado uma vez mais.
    Abraço

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