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Palhaços invadem “O Natal do Nicolau”

 

 

O palhaço Padoca dirige o trenó que traz o Papai Noel / Foto Asa Campos

 

Agenor (Domingos Montagner) e Padoca (Fernando Sampaio) contam a história de Nicolau, o Papai Noel, na Sala São Paulo, ao som da Sinfoneta TUCCA Fortíssima. 

Bell Bacampos

 

Sábado 7 de dezembro, 11 horas da manhã: dois palhaços, o Agenor (Domingos Montagner) e o Padoca (Fernando Sampaio) entram na Sala São Paulo, cumprimentam o respeitável público com a frase “que maravilha estar de volta” e sobem ao palco. Lá, estão esperando por eles os músicos da Sinfoneta Tucca Fortíssima sob a regência do maestro João Maurício Galindo.   

O maestro dá as boas vindas e diz que é uma honra que a dupla do La Mínima tenha voltado a participar da série “Aprendiz de Maestro”, no especial de final de ano: “O Natal do Nicolau”.

Agenor e Padoca concordam que é uma honra mesmo para o maestro. E um vira para o outro para comentar que o Galindo não troca de roupa faz um bom tempo – desde a última vez que eles estiveram na Sala São Paulo, há quase um ano.

Está sempre como o mesmo smoking preto.

Em compensação, Padoca e Agenor vestem ternos pra lá de exagerados em sua combinação de cores e xadrez com listas.   

 

Agenor (Domingos Montagner) e a caixa coberta com pano vermelho / Foto Asa Campos

 

Como o Natal está próximo, os dois palhaços resolvem fazer uma mágica como presente ao público.  

Surge no palco uma caixa coberta com um pano vermelho. Agenor diz que vai ser uma mágica “sen-sa-cio-nal”. Da caixa vai sair um grande animal. Muitos supõem que vai ser uma rena – que puxa o trenó do Papai Noel. Mas quem sai da caixa é um coelho.

Padoca aparece com uma máscara de coelho cor-de-rosa colocada pela metade em sua cabeça.

 

Padoca aparece com uma máscara de coelho / Foto Asa Campos

 

Agenor diz ao Padoca que ele está na festa errada: “não é época do Coelho da Páscoa. É Natal”.

Padoca não se faz de rogado: tira o coelho de sua cabeça e o coloca na cabeça de uma violinista da Sinfonieta TUCCA.

 

Padoca coloca a "máscara" do coelho da Páscoa na cabeça da violonista / Foto Asa Campos

 

 

Caveira só sossega com beijinho

Padoca tem medo e Agenor segura a caveira vestida de amarelo / Foto Asa Campos

 

O palhaço Agenor quer deixar as pessoas felizes no Natal e pergunta se a “palheta” que o maestro Galindo usa para conduzir os músicos é uma “varinha de condão”.

Não é. 

Mas o maestro responde ao palhaço que uma “boa música” e uma “história bonita” podem tornar um dia ou uma noite feliz.

Agenor se propõe a contar uma história. “Tem que ser uma história de Natal”, afirma Padoca.

“Era uma vez uma velhinha, uma boa velhinha”, conta o Agenor. Na verdade, acrescenta, “era uma velhinha ruim, porque não andava direito, não enxergava direito, doía o corpo, tossia e a bexiga estava solta. E ela morava perto de um cemitério e tinha um namorado. É uma história de medo.”

 

Padoca e Agenor com a caveira / Foto Asa Campos

 

Padoca fecha os olhos atemorizado.

“Era noite de natal e seu noivo desapareceu. Naquela noite de Natal ela queria um beijo, ela esperava um pedido de casamento. Ela só iria sossegar com um beijinho”, conta Agenor.

E Padoca abre os olhos e vê que tem uma caveira, vestida de amarelo, que quer beijá-lo. Ele foge da caveira, do beijo da morte, e reclama que essa história não é nadinha feliz.  

 

Nicolau e as esfiras da 25 de Março

Agenor resolve contar então a história de Nicolau, que “vendia esfiras na 25 de Março como o seu pai”. Ele nasceu, sem berço, em dezembro, numa noite de “Mil e Uma Noites” e foi visitado por três reis magos. E foi embalado pela “Marcha Turca” – e a Sinfoneta capricha nos acordes da música. 

O palhaço faz uma confusão danada com a história.

Nicolau tinha berço e fraldas bordadas com fios de ouro. Desde pequeno, sabia que tinha um super poder: o de empacotar a alegria e distribuir como presente para quem acredita na mágica do Natal.

 

Padoca com cabeça dentro da caixa / Foto Asa Campos

 

Agenor coloca as espadas na caixa / Foto Asa Campos

 

Em clima de Natal das Arábias, o palhaço Antenor veste uma capa vermelha com bordados prateados  e prepara-se para fazer mais uma mágica. A cabeça de Padoca é colocada em uma caixa que é transpassada por espadas e “abracadabra” nada acontece com Padoca.     

 

Da “Marcha Turca” ao “Trem das Onze”.

Como todo super herói que se preze, Nicolau não queria que soubessem de sua identidade secreta: Papai Noel.

 

Agenor (Domingos Montagner) segura a bola para Padoca (Fernando Sampaio) chutar / Foto Asa Campos

 

Em busca de um esconderijo, tipo uma “Noel Caverna”, ele viaja o mundo todo.

Desembarca no Brasil, o país do futebol, no “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, que é o capitão da alma de São Paulo.

Aqui arma-se uma pelada.

“Pelada?”, questiona o Padoca.

 

Três jogados são escolhidas na plateia para jogar a pelada / Foto Asa Campos

 

Pelada é conhecida também como uma partida de futebol. Três jogadores convocados na plateia ficam em frente a um gol bem pequeno e ao som de “faz carinho dum, faz carinho dum” é cobrado um pênalti.

 

O palhaço Agenor dança com a boneca de pano / Foto Asa Campos

 

Padoca e sua boneca de pano pequena / Foto Asa Campos

 

Depois da pelada, os dois palhaços dançam com bonecas de pano e chegam à Espanha ao som de “Toreador”, da ópera “Carmem”, do compositor francês Georges Bizet.

 

O palhaço Padoca usa um guardanapo azul na viagem à Itália / Foto Asa Campos

 

E “mama mia”, Padoca coloca um grande guardanapo azul: é a hora da pizza, ravióli, regattoni, ao som da Tarantela, dança típica do sul da Itália.

 

Super Noel Móvel

Mas Nicolau queria mesmo se esconder em um local muito distante e vai para o Polo Norte.

Lá, ele encontra um esconderijo secreto e como todo Super-Herói precisa de um uniforme. O palhaço Agenor faz outra mágica e tira de dentro de uma garrafa um uniforme do Nicolau: uma roupa vermelha que o protege do frio porque o Polo Norte é gelado.

 

A mágica que faz surgir a roupa do Papai Noel / Foto Asa Campos

 

Só falta um carro. Mãos a obra para construir o Super Noel Móvel. Na construção, os palhaços usam uma tesoura gigante.  E está na hora de o motor funcionar e Agenor e Padoca saem em busca de renas. Agenor acaba por pegar a cabeça de Padoca com a sua rede de pegar borboletas. A caça as renas acontece ao som de “A Cavalgada das Valquírias”, de Wagner. Aliás, essa música ainda na época do compositor alemão era usada em espetáculos circenses.

 

Agenor caça renas e acaba pegando com sua rede a cabeça de Padoca / Foto Asa Campos

 

 

Noite Feliz tocada ao som das garrafas

Tudo pronto, os dois palhaços tocam uma música de Natal com garrafas de vidro e junto com a Sinfoneta, sob o comando de Galindo, engatam um hino gospel com pegada jazzística  “When the Saints do marching in”.

 

Papai Noel é pequeninho / Foto Asa Campos

 

Na sequência, aparece no palco o Super Nicolau Móvel – uma bicicleta dirigida por Padoca, com renas de papel no guidão. Na garupa, o Papai Noel, que sai atirando bolinhas de sabão na plateia. 

E mais uma surpresa no clima de picadeiro de “O Natal de Nicolau”: Papai Noel é um homem pequeninho, um anão. 

É uma história engraçada que tem mágica, caveira, coelho da Páscoa, boneca de pano, jogo de futebol acompanhada de uma trilha sonora que mistura hino gospel com tarantela, “Marcha Turca” com “Cavalgada das Valquírias” e até um “Trem das Onze” – tudo para falar do Nicolau, mais conhecido como Papai Noel, o Super Herói do Natal.

São tantas emoções…O especial “O Natal do Nicolau” faz rir e refletir. E a plateia bate palmas, bate o pé, pede bis e está feliz. 

Escrito e dirigido por Paulo Rogério Lopes, foi o último da série “Aprendiz de Maestro”, de 2013.

“O ano que vem tem mais”, afirma o diretor ao Panis & Circus. Ainda bem.   

 

Fernando Sampaio, o maestro Galindo, Domingos Montagner e o Papai Noel / Foto Asa Campos

 

Panis & Circus pega carona no “Super Noel Móvel” e deseja a todos um Feliz Natal.     

 

 

Postagem: Alyne Albuquerque

 

 

 

 

 

 

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