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Domingos Montagner e a linha do tempo

 

Domingos Montagner recebe aplausos por sua performance (Foto: TV Globo/ Nathalia Fernandes)

 

Ator viverá o turco Zyah na novela “Salve Jorge”

Mônica Rodrigues da Costa, editora do Panis & Circus

Como ator popular da Globo, Domingos Montagner agora grava cenas da próxima novela “Salve Jorge”, da autora Glória Perez, na Túrquia. Ele viverá o turco Zyah, que mora numa caverna na Capadócia e trabalha como guia turístico em Istambul. Domingos foi o cangaceiro de “Cordel Encantado” (2011) e o presidente da República no seriado “Brado Retumbante” (2012).

O ator e palhaço traça sua linha do tempo: avalia a própria trajetória em grupos de teatro e nos espetáculos de repertório na sua companhia, La Mínima, com Fernando Sampaio, no Circo Zanni, do qual é um dos sócios-fundadores, e na cia. Pia Fraus.

Domingos Montagner revela que as autoras da novela “Cordel Encantado” (Duca Rachi e Thelma Guedes)  já o conheciam do Circo Zanni. “Elas souberam que eu tinha sido escolhido, depois que fiz o teste é que nos apresentaram, e elas tiveram a grata surpresa. Fiquei muito feliz.  Quando a gente se encontrou pela primeira vez, uma delas disse: “Poxa, que bom que é você quem vai fazer o papel, adoramos o Circo Zanni!”. 

É possível ver a arte de Domingos nos palcos paulistanos nos espetáculos “A Noite dos Palhaços Mudos” (2008), “O Médico e os Monstros” (2008) e “Mistero Buffo” (2012).

Neste ano, o grupo de Domingos e Fernando faz 15 anos. O primeiro espetáculo, “LaMínima Cia. de Ballet” (1997), traz caricaturas e acrobacias.

Montagner é sócio e diretor artístico do Circo Zanni desde 2003. Esse picadeiro apresenta um espetáculo anual na lona montada no Memorial da América Latina. São nove artistas fixos e convidados, que exibem números tradicionais circenses, recriados com procedimentos da arte contemporânea.

Em 2012 o Circo Zanni estreia, em outubro, seu novo espetáculo, com patrocínio da Petrobras.

Formado em educação física em 1983 e também artista plástico, Montagner cria cenografias e figurinos para os próprios espetáculos, sozinho ou em conjunto com diretores, cenógrafos e figurinistas.

O palhaço e ator dedica a vida às artes do palco. Durante 11 anos, integrou o grupo Pia Fraus, criou bonecos e lhes deu vida em lendas e mitos, ao lado de Beto Lima (1957-2005) e Beto Andreetta, diretor da companhia e sócio do Circo Roda com os Parlapatões.

Em qualquer área de atuação, o trabalho de Domingos é reconhecido pelo público e crítica especializada. A La Mínima ganhou prêmio Shell, por exemplo, por “A Noite dos Palhaços Mudos”.  A cia. Pia Fraus conquistou em 1997 prêmio em Edimburgo, na Escócia, com a peça “Flor de Obsessão”, adaptada da obra de Nelson Rodrigues (1912-1980).

Confira a entrevista a seguir, em filme, fotos e textos, realizada no camarim do Teatro do Sesi, durante a temporada de “Mistero Buffo”, em abril deste ano.

 

Domingos Montagner no Sesi (SP)/Fotos de Saulo Tomé

 

Panis & Circus – Na mídia televisiva, o artista muda de escala. Seu público provavelmente quer saber sobre como é atuar nesse suporte midiático.

Domingos Montagner – A TV é uma surpresa e me ensina muita coisa, estou agregando conhecimentos no meu ofício. Sou ator, palhaço e acho que o trabalho de ator de TV traz conhecimentos pro palhaço.

O vídeo é outro veiculo de comunicação. Acho que nosso ofício tem que estar disponível para trilhar por outros caminhos. Como é que me comunico com o palhaço no vídeo, no cinema, na TV? Dá pra fazer um bom trabalho em qualquer lugar, nunca tive dúvida disso.

É lógico que a TV tem uma visibilidade extremamente desproporcional em relação ao teatro e ao circo. Você atinge na TV milhões de pessoas ao mesmo tempo.

Peguei bons personagens e não tenho dúvida nenhuma de que minha trajetória se deve a tantos anos de estrada que a gente tem. Já fui pra muitos lugares e encontrei pessoas inimagináveis.

Circus – Seu trabalho na TV favorece a atividade no Circo Zanni? Favoreceu o espetáculo “Mistero Buffo”?

Montagner – No Zanni ainda não senti o reflexo porque as temporadas não são tão constantes, como as da companhia La Mínima. A gente não pode fazer espetáculos toda hora, não tem espaço para montar a lona sempre.

A visibilidade que alcancei por fazer televisão gera interesse de pessoas que não tinham conhecimento de meu trabalho na La Mínima ou no Zanni. Esse impacto é positivo, porque continuarei fazendo o mesmo discurso para pessoas que talvez não o ouviriam de outra forma.

Circus – Caminho inverso: o que a TV absorve de seu trabalho no teatro e no circo?

Montagner – Diretamente, da minha produção de palhaço, ainda não houve efeito. Os profissionais com quem trabalhei e que me convidam, meus diretores e os autores que vieram falar comigo após os trabalhos — as autoras, por exemplo, da novela “Cordel Encantado” —  me conheciam do Circo Zanni.

Para elas é um fato interessante, mas não foi por isso que recebi convite. Elas souberam que eu tinha sido escolhido; depois que fiz o teste é que nos apresentaram, e elas tiveram a grata surpresa. Fiquei feliz com isso.

Quando a gente se encontrou pela primeira vez, elas disseram: “Poxa, estou feliz que é você quem vai fazer o papel, adoramos o Circo Zanni!”. Ou então: “Eu já vi a La Mínima, não imaginei que você estivesse livre para uma coisa dessas, tenho certeza que vai dar certo!”. 

As autoras [Duca Rachi e Thelma Guedes] tiveram essa sensação antes de começar a novela. Isso é legal porque a força que tem nosso trabalho enquanto teatro popular, comunicativo, aberto, olho no olho, gera confiança também diante dos diretores e dos autores na TV.

Você faz o trabalho e vê que o resultado deu positivo, eles ficam mais confiantes e acabam juntando as duas coisas. Como ator com certa experiência, trajetória, e isso, como ocorre com qualquer profissional, gera expectativa positiva.

 

Arte de ser palhaço na cia. La Mínima

 

Panis & Circus – Você é palhaço ou ator? O que tem de palhaço em seu ator de TV? O Raul Barretto disse: “Ser palhaço é superior a ser ator, porque é uma arte maior”.

Domingos Montagner – Concordo um pouco com Raul, é preciso entender o que tem de ator no palhaço.

Não sei se o trabalho de palhaço é um gênero maior porque nós, como palhaços – espero que não soe protecionista –, trabalhamos como atores. Acho o trabalho de palhaço mais complexo porque o palhaço tem que apresentar diversidade cênica maior do que a do ator.

O ator é focado no personagem. O palhaço não tem foco muito definido, ele tem uma gama grande de comunicação quando está em cena.

Para você ser um palhaço eficiente, precisa ter domínio de muitas vias de comunicação. Nós, por exemplo, do La Mínima, somos dessa linha de palhaços de circo, que tradicionalmente já têm vocabulário – a construção dele é em cima do vocabulário, da música, da acrobacia, do malabarismo…

Circus – A cia. La Mínima andava com uma mala no início.

Montagner – A gente tinha mala, é elemento clássico de palhaço, como chapéu, bengala, luvas. São elementos iconográficos do palhaço clássico, que aos poucos você constrói. O palhaço tem um processo de construção contínuo, não é como o de um espetáculo, ou filme, em que o ator representa um personagem para determinado fim.

Como palhaço, você faz um espetáculo e, no próximo espetáculo, acrescenta outra coisa para compor seu palhaço e no próximo ainda vai acrescentar outra característica. Mas segue sendo o mesmo palhaço, é o processo contínuo de [acréscimos de] informação.

Você tem a mala e vê o que precisa. No geral o palhaço vai tirando coisas, ele cada vez mais se aproxima da essência. Grandes palhaços, já mais velhos, têm uma simplicidade sofisticada e essencial: são pequenos gestos, olhares, atitudes. Ele está tão absorvido que basta pouca coisa para se comunicar.

A arte do palhaço é fascinante nesse sentido e oferece… a gente bate nessa tecla…, oferece uma possibilidade grande de  adaptação dramatúrgica. Em cada espetáculo, você cria outras possibilidades, pode ver o texto como vê o palhaço, como foi o caso de “O Médico e os Monstros”.

Circus – Há continuidade entre “O Médico e os Monstros” e “Mistero Buffo”? Você e Fernando abandonam praticamente a maquiagem de palhaço.

Montagner – Sim, bem nesse caminho. A gente nunca usou muita maquiagem, usou nariz por um ano nessa vida, talvez dois anos. Eu e Fernando começamos a trabalhar como palhaços juntos, usávamos nariz e logo o abandonamos por questões práticas, porque a gente sempre fez acrobacia cômica e o nariz atrapalhava.

Em “Mistero Buffo”, a gente fez uma cena em homenagem ao depoimento do palhaço. A gente começa como palhaço, tira a roupa de palhaço e continua sendo palhaço sem roupa de palhaço. Isso é quase uma alegoria.

A gente queria mostrar à plateia que o palhaço está na alma, não está nos sapatos, na roupa, que são maravilhosos na história iconográfica do palhaço, mas o personagem entra com mais alguma coisa para a gente comunicar, tem uma história mais sólida do que a que soa lá fora.

 

Nariz e chapéu em “A Noite dos Palhaços Mudos”

Circus – O nariz é quase um personagem em “A Noite dos Palhaços Mudos”.

Montagner – É, mas “A Noite dos Palhaços Mudos” é a representação de uma história em que já existiam aqueles personagens, então, a gente quis manter a fidelidade ao desenho do Laerte.

O desenho é tão perfeito, sintético, resume os dois arquétipos clássicos do palhaço, o Branco e o Augusto, para diversas situações da história. A gente não queria criar uma nova história, seria até falta de respeito, vamos dizer assim, com aquela obra, que sempre foi tão perfeita pra gente. Por isso, a gente não quis mudar e desenhou palhaços como estão na história, de nariz, chapéu.

É quase cartum. O espetáculo é praticamente uma história em quadrinhos, é encenado dessa forma, os recortes de luz, as cenas que se passam como se fossem tirinhas. A gente armou a movimentação sempre assim, fez referências diretas aos quadrinhos, mantendo a atmosfera, a energia, a característica dos palhaços personagens.

Circus – “Palhaços Mudos” tem trama complexa e fragmentária.

Montagner – Acho que é devido a ser uma HQ. A gente procurou manter o grafismo dessa forma, porque Laerte é um mestre do traço, do grafismo, inclusive é estudado por designers.

Depois a gente soube que a história dos palhaços mudos é muito conhecida pelos designers e escolas de design, é exemplar, um emblema, tem uma perfeição estética gráfica e, por isso, a gente procurou não abandonar suas características no desenho cênico.

 

“Mistero Buffo” redimensiona simbologia do palhaço

Cena de "Mistero Buffo"/Foto: Divulgação

 

Circus – Em “Mistero Buffo” vocês dão distância entre atores e personagens.

Montagner – É de propósito. Há muitos anos, logo quando conheci comecei a ler as peças de Dario Fo, a estudar as técnicas, apareceu a oportunidade de vê-lo fazendo “Mistero Buffo”. Quando li a obra dele, os tratados, os estudos, os próprios textos, eu via uma coisa tão resumida que eu, por instinto, achava que era do palhaço.

 

Dario Fo tem grande respeito pelo palhaço, considera o palhaço extremamente complexo, o que é derivado de muitos anos de trabalho, dedicação. Um intelectual e dramaturgo desse porte e que tem respeito pelo palhaço dá uma felicidade para a gente que é palhaço.

Cada vez mais eu me apaixonava pelo trabalho dele. A cada ano que passava eu assistia a mais peças, lia outras peças dele. O desejo de montar uma peça de Dario Fo é antigo. A gente esperava que chegasse a certa maturidade para montar uma peça do Dario Fo.

Circus – Por que assunto de palhaço interessa hoje?

Montagner – O assunto é atual porque, do jeito que é feito, honrando a arte do palhaço, sempre vai ser atual. Não é apenas o que está na memória de um tempo que não existe mais. A arte está cheia de palhaços excelentes, que descobrem a comicidade.

O palhaço não é stand-up, não é só a brincadeira do improviso, isso faz parte da arte do palhaço, o personagem é maior do que tudo isso. A gente tem algumas correntes de comédia que parecem normais de acordo com a sociedade e as pessoas acham que acabou o que havia antes.

Fazendo a peça “Mistero Buffo” como palhaços, a gente vê o quão atual eles são. Os textos complexos do Dario Fo falam sobre religiosidade, distorções da fé, distorções de quem se aproveita da fé.

Você percebe que o personagem do palhaço consegue ter mais eficácia se você fala de maneira literária, textual, e com comicidade, porque o palhaço tem uma simplicidade de alcance popular, ele se aproxima do público, que é seu igual, e joga essa reflexão.

O público se sente capaz de entender da mesma maneira, pois esses personagens são como eles, o discurso tem grande receptividade. A gente vê isso no final do espetáculo.

“Mistero Buffo” é tragicômico. Quando o espetáculo faz uma curva, os espectadores absorvem aquela tragédia, entre a reflexão e a emoção.

Depois de 15 anos de repertório, a cia. La Mínima achou que era o momento de montar “Mistero Buffo”, sei lá, é como se fosse nosso papel, nossa obrigação com a arte do palhaço.

 

Circo Zanni é paixão

Panis & Circus – E o Circo Zanni?

Domingos Montagner – o Circo Zanni é uma paixão, né? É a concretização de tudo isso dentro de um grande espetáculo, é como se fosse uma revelação desse numerozinho, não que seja reflexo do La Mínima, não, porque é reflexo de todos aqueles artistas que estão ali, mas também de todos os artistas que trabalham conceitos em seus pequenos núcleos.

 

 

O Zanni é uma junção de forças para desenhar essa imagem que a gente tem do circo, é o mesmo pensamento sobre o palhaço que a gente estende para o circo, que tem linguagem, força e uma essência forte.

O circo é matéria-prima de muita coisa que está aí hoje. É menosprezado como arte, colocado para compor eventos, principalmente o circo brasileiro. Falo isso sem mágoa, só como constatação, porque a gente tem um prestígio razoável. Quando [um produtor cultural] quer tratar de circo, busca fora do país.

O Zanni é consolidação de nossa afirmação, de que a gente tem um circo muito legal. Quem já foi ao Zanni pode falar melhor do que a gente. O público fala melhor, sim, todo mundo que sai do Zanni diz que é uma experiência.

As pessoas ficam felizes. O circo é essa irradiação de alegria, constituída de várias emoções, não é só felicidade. O Zanni passa a lírica, a música, a força, o grotesco do palhaço. Tudo isso faz parte do circo. Minha estética preferida do circo é essa.

Circus – Qual é o espetáculo do Zanni deste ano?

Montagner – Se tudo der certo, será um espetáculo com novos números. Estou com a ideia de inventar uma configuração cênica para o espetáculo de outubro. Não tem nome. Não costumo dar nomes. Circo nunca teve nome, é o Circo Zanni 2012.

Circus – Há convidados?

Montagner – É provável. Gosto de ter convidados no espetáculo. O Circo Zanni tem essa relação também com pessoas que estão pensando juntas. Já tenho números visualizados que talvez façam parte do espetáculo. A gente sempre convida músicos para fazer parte da banda, é cada vez mais divertido.

 

Circo Zanni e o picadeiro tradicional

Circus – Qual a relação do Zanni com a tradição?

Montagner – O circo tradicional abraça a gente, talvez pela filiação. A gente também nunca negou o picadeiro clássico, isso talvez favoreça a aceitação, tanto que o Zanni se aproxima muito do circo tradicional.

O Zanni tem assinatura própria, é um circo de números que têm energia de comunicação pelo fato de ele ser pequeno. Tem ainda a energia da rua porque vários artistas vieram da rua, eu, Fernando Sampaio, Marcelo Lujan, Pablo Nordio. Isso esquenta o espetáculo.

 

Aprendizado circense e comicidade física

 

Circus – Conte sobre se tornar palhaço.

Montagner – Os artistas do circo tradicional aprendiam vendo, em geral, as entradas clássicas, sabiam todos os tempos das reprises e, quando as pessoas tinham talento ou eram filhas de palhaços, acabavam virando palhaços porque a família queria, mas antes disso os artistas aprendiam todos os números.

Por isso é que palhaço de circo tem vocabulário, tem outro número. Para trabalhar em circo, você não pode ter só um número, a chance é pequena. Ou o palhaço foi acrobata ou trapezista, malabarista.

Circus – Você foi trapezista.   

Montagner – Fiz o espetáculo “Navegadores” (Pia Fraus, 1999) também no trapézio, eu e o Fernando [Sampaio].

Circus – A dupla.

Montagner – Quando entrei para fazer circo, eu já era mais velho, perto de 27 anos, mas, como eu tinha um trabalho corporal bastante ativo, eu fazia dança, fui atleta, não tive dificuldade física, foi mais aprender a técnica, e logo fiquei louco pelo trapézio.

Além do palhaço, meu número foi no trapézio e depois comecei a fazer acrobacia cômica, que é o que a gente faz até hoje, comicidade física e acrobacia cômica.

Quando a gente dá oficina, sempre lembra isso, acrobacia cômica. A pessoa aprende acrobacia técnica para depois desconstruir qualquer técnica, misturando dança, mímica.

 

Volta à lona

Circus – Fale da experiência de ter lona.

Montagner – A gente foi o primeiro grupo contemporâneo a voltar para a lona, fez parte da geração que realizou o caminho contrário ao do circo que saiu da lona e trouxe o espetáculo pro teatro e pra rua.

A gente levou de volta, faz parte do grupo que voltou para a lona porque, até então, não tinha ninguém da nossa geração que tivesse feito essa abertura. Fomos os primeiros e foi divertido. A gente aprendeu a trabalhar com circo e carreta, a montar a lona, conhece tanto circo que acabou reconhecido pelo próprio circo tradicional, que é resistente e é fã do Zanni.

 

Início no Circo Escola Picadeiro

Dupla da cia. La Mínima/foto João Caldas

 

Panis & Circus – Conte um pouco da história dos 15 anos da La Mínima, sua companhia com Fernando Sampaio. Como se conheceram?

Montagner – No Circo Escola Picadeiro. Eu era da Pia Fraus na época. A La Mínima surgiu do desejo que eu tinha de me aproximar mais do circo, de formar uma dupla. Até hoje não tive intenção de trabalhar como solista.

Sempre gostei das duplas de palhaços, ou dos trios, dos Três Patetas, dos Trapalhões, de o Gordo e o Magro, do Tom e Jerry. Não era porque estudava, gostava porque me divertia. Acho sensacional o humor do desenho animado também.

Quando entrei no circo surgiu o desejo de ter uma dupla, Fernando também estava afim, e a gente começou a praticar, treinava depois das aulas. A gente gostava muito da parte acrobática cômica, do trabalho de corpo, que é tradicional do palhaço no picadeiro.

Normalmente os palhaços de picadeiro, durante muito tempo, e ainda nos circos tradicionais – agora perdeu um pouco –, tinham outras técnicas. Quando são só palhaços estão meio parados, retirados, não têm mais fôlego, fazem só os números de palhaço.

Eles começam como palhaços naturalmente, ou por família, aprendem o cômico desde cedo, fazem “suarês”, coisas menores. Faziam as entradas enquanto mudavam as jaulas até aprender as entradas grandes, mas normalmente tinham outros números.

Seu Roger Avanzi, o Picolino II, por exemplo, que foi nosso mestre, foi cavaleiro e trapezista. Ele achava que nunca seria palhaço, porque era galã, fazia o circo teatro.

O pai dele, Picolino I, quando ensaiou sair do picadeiro, queria que ele fizesse, e ele aprendeu  e virou palhaço.  A gente começou com ele a fazer essas entradas clássicas. Isso foi em 1990, por aí.

Quando eu estava na cia. Pia Fraus nem imaginava ser palhaço, eu não tinha posto ainda o circo no grupo. A Pia Fraus até então trabalhava só com bonecos. Fui para os bonecos, em 1988, 1989 [com a Pia Fraus].

crédito/foto Saulo Tomé

 

Domingos Montagner na Pia Fraus e a ida à Suécia com “Olho da Rua”

Panis & Circus – Como foi o começo na Pia Fraus?

Domingos Montagner – Eu já estava no teatro e fiz o curso na Oficina Três Rios e ficamos amigos. Beto Andreetta e Beto Lima me chamaram para fazer técnica de espetáculos.

Sempre mexi com música, adoro, eu montava as trilhas para eles, regravava, a gente começou a ficar juntos e, depois de um ano mais ou menos, quando resolveram montar uma peça nova, aí me convidaram para continuar na companhia com eles dois. A peça “Olho da Rua” foi o primeiro espetáculo em que atuei na companhia.

Era bem uma época – 1990, 1991 – em que o teatro de imagens estava aparecendo de modo forte. “Olho da Rua” eram imagens que formavam cenas, que a gente visualizou em viagens, representadas numa forma não linear, tinha máscaras.

Havia bonecos grandes, era meio “Bread and Puppet”, grupo famoso norte-americano que fez teatro de rua, coisas muito bonitas. Eles trabalham com papel, meio simples, meio hippie, fizeram sucesso.

Depois começou a articulação dos bonecos na Pia Fraus. Já viu a cena do boneco sem cabeça, que ficou famosa? O boneco sem cabeça nasceu na peça “Olho da Rua”. Foi uma das cenas que a gente mais fez na vida, em eventos. A boneca grande veio daí também.

Fomos para a Suécia com “Olho da Rua”. A gente vendia o almoço pra pagar a janta, era legal. Nunca foi afeita a grandes temporadas e nessa história viajou demais, com a cara e a coragem. Não tinha grana nem para a passagem. Sempre foi de querer sair para fazer.

O nome “Pia Fraus” fui eu que dei. A gente começou a pesquisar, eu tinha um dicionário de latim e outro de expressões em latim e, como a gente tinha a ideia de viajar muito, queria um nome que fosse falado facilmente.

Pensei em achar um nome de fácil entendimento, que se falasse no mundo inteiro e, nesse livro, acho que era de Paulo Rónai, tinha a expressão “mentira contada com boas intenções”, achei perfeito para quem faz teatro de bonecos. Acho que foi em 1991.

 

“Flor de Obsessão” com a Pia Fraus

Circus – “Flor de Obsessão” foi de impacto.

Domingos Montagner – A gente montou “Flor de Obsessão” com coisas que achou na rua, cenário e bonecos. Ficou seis meses preparando a peça. Pegamos a empreitada com pessoas que acreditavam no projeto.

Primeiro, a Márcia Abujamra, depois a bailarina Anna Mondini, importante do cenário paulistano, uma das primeiras a fazer teatro-dança, e a gente ficou encantado. Éramos influenciados pela linguagem de Pina Bausch e achávamos que tinha mais a ver do que o teatro falado, porque trabalhávamos com imagens e bonecos e, por isso, chamamos essa dançarina.

Chamamos Francisco Medeiros para fazer a direção final. Fizemos muitos festivais com ele. Ganhamos prêmio em Edimburgo. Foi talvez o espetáculo mais elaborado dos que participei com a Pia Fraus.

 

Perna de pau e piscina, como o Cirque du Soleil, em “Navegadores”

Circus – Você entrava com perna de pau em “Navegadores”…

Montagner – Nesse momento comecei a introduzir elementos de circo no grupo, que aparecem em “Navegadores”.

Os “Navegadores” foi o primeiro circo e um espetáculo não convencional, com espaço inóspito, uma piscina. A gente não sabia que na mesma época o Soleil estava montando a piscina, foi coincidência. Em 1998, 1999, não tinha Youtube, as informações não chegavam rápido como agora.

Depois vimos um espetáculo do Soleil e percebemos que muitas coisas coincidem. O começo deles é igual ao nosso, cara, com a cortina fechada e que se abria de forma surpreendente.

Eles têm escala hollywoodiana. Começam com a cortina fechada, que se abre, e tem algo na piscina que desaparece, e a gente fazia a mesma coisa, só que de modo tupiniquim, feito a mão, genial.

 

“Farsa Quixotesca”

Circus – E a “Farsa Quixotesca”?

Montagner – “Farsa Quixotesca” foi demais, a gente já estava bem próximo do circo, foi a primeira aproximação com Hugo Possolo. Fiz a sugestão de o diretor ser o Hugo. Primeiro ele faria a adaptação. Falei pro Betão que não ia dar para a gente fazer e dirigir, aí Hugo se aproximou de vez da Pia Fraus, foi uma junção de coisas, e dirigiu. O elenco era ótimo, éramos seis, sete com a Bárbara, a Dulcinéia.

Sugeri a “Farsa” porque sempre quis fazer Dom Quixote. Eu e Beto Anddretta nos envolvemos com a elaboração e a estrutura. Junto com Beto Lima eu fazia a parte plástica, era uma trinca que se dava certinho. Depois de anos a gente quase pensava juntos.

O circo é quixotesco, tem tudo a ver. Beto sugeriu três Quixotes e três Sanchos. Eram três duplas de palhaços. O sucesso foi arrebatador, a peça ganhou prêmio de melhor espetáculo.

 

“Frankenstein”, saideira

Circus – Você saiu da Pia Fraus em 2000.

Montagner – O último espetáculo que a gente fez foi “Frankenstein”. Houve uma temporada no teatro Augusta e fomos ao festival da Cultura Inglesa. O livro de Mary Shelley (1797-1851) era bárbaro. Foi difícil.

Eu fazia uma criatura com uma roupa inteira de borracha, toda deformada, que o Beto Lima criou com o figurinista. Usava uma máscara, tinha o corpo meio escamado, como se estivesse nu, e uma casaca esfarrapada. 

Gostei muito de fazer o Frankenstein, apesar da experiência extrema. Fomos para Portugal com ele, houve críticas bacanas de amigos.

Chegou ao final a história com a Pia Fraus [depois de 11 anos]. Meu caminho ficou voltado pro circo, eu queria investir na arte do palhaço e nessa pesquisa, eu queria ficar na Pia Fraus mais na criação, mas não foi conveniente pro grupo e saí. 

Eu e o Fernando começamos a pôr fogo na La Mínima e em 2001 foi a estreia do espetáculo “À La Carte”.

 

“LaMínima Cia. De Ballet”: primeiro espetáculo da dupla Domingos e Fernando

Panis & Circus – A cia. La Mínima foi criada em 1997.

Domingos Montagner – O primeiro espetáculo do grupo La Mínima se chamou “LaMínima Cia. de Ballet” (1997), por isso, a gente fala que tem 15 anos de companhia. Já trabalhava havia mais tempo juntos, mas não tinha espetáculos, fazia números e arte nas ruas.

A gente a estava construindo e tentava entender o que seria nossa dupla de palhaços. Depois de alguns anos, montou esse primeiro espetáculo, que foi de rua justamente pela trajetória que a gente vivia. O nome veio e o grupo ficou só La Mínima.

O La Mínima foi uma coincidência de expectativas. O Fernando também tinha passado pelo teatro, eu vinha do teatro, entrei no circo por oportunidade, nos anos de 1980, quando começou o Circo Escola Picadeiro, pela possibilidade de aprender circo.

Naquela época uma escola assim era coisa do outro mundo. Hoje todo mundo sabe da Escola Picadeiro, mas aquilo ali era novidade. Estudar lá era como fazer parte de uma escola de astronauta… Em breve haverá uma escola para astronautas.

Época do teatro imagético, do teatro físico. A gente que estava nela, aquela geração, tinha vontade de aprender outras formas de fazer teatro. Então eclodiu o movimento de teatro de grupos, nos anos 90. Foi essa época que pôs o circo no teatro.

 

Anos 80 – Influência de “Ubu”, do francês Alfred Jarry (1873-1907)

Domingos Montagner – O sucesso do espetáculo “Ubu” (de Cacá Rosset) e o Circo Escola Picadeiro fizeram a cabeça de nossa geração. A gente pensava: “Nossa, era isso que eu queria fazer da vida”. “Ubu” tinha circo, era engraçado, tinha música. As pessoas ficaram fascinadas.

Um texto espetacular, levado ao palco exatamente do jeito que eu imaginava. Era o que a gente estava falando do “Mistero Buffo”. O palhaço dá disponibilidade de assumir um discurso, coisa incrível.

Nos anos 80, entramos na escola para aprender a arte do circo e do teatro. Quando eu e Fernando entramos no circo, pensamos a mesma coisa, que não queríamos entrar no circo para fazer teatro.

Queríamos trabalhar com circo porque ficou totalmente absorvido por nós naquele universo e todos os professores do Circo Escola Picadeiro eram artistas já retirados, o Roger, o Romero, o José Wilson. Sabe aquelas conjunções de eventos?

Outros artistas viviam ali, e eles eram apaixonados, era uma lona, a gente cuidava da lona, lavava. Quando chovia, rebatia as estacas, abaixava a lona. Vivia nesse universo, que foi tomando a gente de uma maneira que a gente acabou abraçando o circo.

A gente, que vinha do teatro, queria fazer circo, então, começou a trabalhar, era uma forma de deixar o pé ainda no teatro e ir para o circo. O palhaço era a ponte de ligação do circo com o teatro.

 

“O Médico e os Monstros”

Cena de "O Médico e os Monstros"/Foto: Divulgação

 

A história clássica “O Médico e os Monstros”, do escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894), ganhou versão de circo teatro, de Mário Viana e La Mínima, com direção de Fernando Neves, em agosto de 2008.

O espetáculo mostra o duelo de ideias e ideais entre o médico Henry Jeckyll e a criatura grotesca que ele criou, Edward Hyde, da perspectiva da comédia de palhaços. Mistura técnicas de circo, desenho animado, cinema mudo.

Circus – A peça “O Médico e os Monstros” parece o teatro dentro do circo.

Domingos Montagner – Exato, a gente chamou o Fernando Neves, que vem de uma família do circo tradicional e com experiência em circo teatro, o teatro que era feito dentro do circo, que é um tipo de linguagem, de encenação, que tinha características específicas do picadeiro.

É uma comunicação pela ação, pelo corpo, pelo tipo do personagem. São características dos espetáculos populares dessa época [até os anos 60], que têm um tônus diferente do trabalho do ator no teatro.

Circus – O cenário é giratório.

Montagner – A cenografia de “O Médico e os Monstros” é minha. Tem a caixa da macaca, a caixa do mágico. O texto tem cada cena em um ambiente. Quebrei a cabeça para descobrir como a gente ia resolver isso de maneira de não ficasse uma coisa mínima no palco, um objeto só, porque é um espetáculo de circo, então, tinha de ter uma comunicação popular para não ficar só telão subindo e descendo.

Sugeri pro Fernando e ele achou a ideia ótima: fazer em dois planos. Considero o laboratório o espaço principal dessa peça, sempre presente, e de todo lado aonde você vira sempre vê o laboratório.

Circus – Por quê?

Montagner – Em todos os filmes que vi, o espaço mais elaborado é o laboratório. No romance, o protagonista passa muito tempo no laboratório, quando ele some, por exemplo. É que a gente passa meio rápido, mas na história o personagem desaparece, fica muito tempo longe.

Propus que o laboratório ficasse todo o tempo presente e dei a sugestão de que ficasse em segundo plano e que o personagem sempre terminasse todas as ações lá.

O texto pedia vários ambientes, então, resolvi essa caixa multiuso para não ficar telão subindo e descendo. Os dois planos servem para representar o laboratório como sempre presente, como no romance.

 

Prêmio Shell para “A Noite dos Palhaços Mudos”

"A Noite dos Palhaços Mudos"/Foto: Divulgação

 

“A Noite dos Palhaços Mudos” recebeu em 2008 o maior número de indicações entre as estreias do primeiro semestre daquele ano para a 21ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo.

Com adaptação da cia. La Mínima e de Álvaro Assad para a HQ de Laerte, obteve os prêmios de melhor ator para Domingos e Fernando e foi indicada nas categorias Música (trilha sonora original de Marcelo Pellegrini) e Direção (Assad).

Circus – La Mínima estreou dois espetáculos em 2008, “O Médico e os Monstros” e “A Noite dos Palhaços Mudos”.

Montagner – Apesar de terem sido exaustivos os dois processos consecutivos, são linhas que a gente tenta aliar dentro do La Mínima, o palhaço um pouco, digamos, mais lírico, porque lida com o imaginário, a inventividade, o absurdo das reações, inseridas nas gags clássicas, sem ser faladas.

“O Médico e os Monstros” complementa o humor que a gente acha difícil, mas também bastante legal, que é o da palavra.

O humor com a palavra tem outro ritmo e encenação; a pergunta e a resposta têm os momentos certos de entrar. Há um humor matemático, seja falado ou não, e as duas formas são complementares.

É importante exercitar as duas coisas porque a gente se define como uma dupla de palhaços que procura integrar o máximo possível de informações.

Em “A Noite dos Palhaços Mudos”, há o humor lírico e o grotesco, que é uma característica fundamental do palhaço para o espetáculo. Considero a força do circo o contraponto entre o sublime (da performance humana, como as ações acrobáticas e os números das mulheres) e o grotesco.

O teatro não necessita tanto dessa contraposição como o circo. É daí que surge o registro inconfundível do circo. Quando dirijo um espetáculo de circo, procuro esse diálogo. Para mim é diferente do registro do teatro.

 

Adolescência como desenhista e início da carreira de ator

Circus – Quer falar dos sonhos de infância?

Montagner – Mudaram demais, hein, nunca pensei que eu fosse ser artista ou ator. Já quis ser bombeiro e fui desenhista, ilustrador. Eu tinha um vizinho que era desenhista e eu ficava fascinado com o que ele fazia.

Às vezes ele me dava uns trabalhos de presente. Eu queria ser desenhista, mas quis ser engenheiro. Eu procurava uma profissão que tivesse a ver com isso.

Quando chegou a época de fazer faculdade, na adolescência, com 16, 17 anos, eu tinha um primo que era professor de educação física e é até hoje. Eu adorava educação física, aí, decidi ser professor de educação física. Fiz a Faculdade Santo André e dei aulas durante 13 anos.

Tive professores estudiosos de pedagogia e didática, que trabalhavam com dança e educação física. Foi um contato com uma área de pensamento diferenciada. Assim, fiz dança e teatro para apoiar a área de ensino, para acrescentar novas formas de comunicação, de relação de grupos. Uma amiga, Muriel Matalon, me convidou para trabalhar com Myriam Muniz.

Fiquei louco por teatro, aquele grupo era muito legal, e a Myriam é um capítulo à parte, ela realmente mudou minha vida, uma pensadora e formadora de pensamento sobre teatro.

Ela sempre falava que teatro é relação. Fiz espetáculo com ela e cenários. Nessas, conheci Beto Lima e Beto Andreetta. Eu já estava no teatro e me juntei com eles e formamos a Pia Fraus.

 

Sonhos de pais e filhos

Circus – Sonhos se realizam?

Domingos Montagner – Dos sonhos que se realizaram foi a alegria de fazer.  Meu pai era dono de bar e minha mãe era dona de casa. Eu morava no Tatuapé, que era periferia nos anos 60 e 70.

O pai quer que você se dê bem, tenha diploma e é o que você pensa em fazer da vida. Nunca imaginei ter carreira artística. Um ensinamento que peguei do meu pai: qualquer coisa que você faça na vida, faça bem e, se possível, seja o melhor, tente ser o melhor; se não for, não tem problema, mas tente.

Lógico que ele queria que eu tivesse diploma, mas, se não fosse isso, podia ser qualquer coisa, e foi o que aconteceu. Saí do zero e acho que sonho realizado é dar certo fazendo o que se gosta.

 

 

Circus – O que os filhos acham de você sair da arte de rua, virar ator e palhaço e depois estar na TV?

Montagner – São muito meninos, o mais velho, o Leo, tem 9 anos; o Antônio tem 5 e o Dante tem 1 ano e 5 meses. Para eles acho que sou um palhaço, não sei bem. Estou atuando na TV, mas eles não assistem muito à TV, não gosto que assistam a novelas, é um tipo de comunicação que acho meio confusa para eles, são programas adultos e geram um excesso de explicações sobre assuntos que ainda não estão no momento de explicar.

“Brado Retumbante”, exibida às 11 horas da noite, era assunto totalmente adulto. Às vezes encontro crianças na rua que falam que me viram na televisão! Como me viram? Desse tamanho!

O “Cordel”, eles viam, às vezes, porque saíam da escola nessa hora. A intimidade deles é com o teatro, o circo e a rua. Eles são fascinados pelo Circo Zanni, é como se fosse o prolongamento da casa, principalmente pro Leo, porque pegou a fase ativa do Zanni, dormia no circo, literalmente, na época em que a gente podia colocar os trailers.

Circus – Leo assistiu a “Mistero Buffo”?

Montagner – Adorou. Veio nos ensaios abertos. Criança pode ver, porque tem o conhecimento da religião. Quando as crianças vêm acompanhadas dos pais, eles explicam a história e a garotada gosta.

Leo adorou as coisas de palhaço, a música, entendeu. Na passagem do cego e do aleijado tem a discussão do que se pode falar, é legal porque as crianças fazem piadas do mesmo gênero, mas não deixam de ter respeito pelas pessoas.

Elas sabem que tem hora para falar palavrão, tem lugar, tem idade, elas têm essa noção. Todo mundo fala palavrão, então, o humor do palhaço grotesco fala de bunda, pum, arroto, e elas sabem que é do palhaço, é uma forma de dizer alguma coisa, uma forma de comportamento, isso é muito legal. 

Circus – Há muitos convites para filmes?

Montagner – Fiz uma participação no “Gonzaga”, do Breno Silveira, que vai estrear até o final do ano, por causa do centenário do Luiz Gonzaga. Tenho mais convites para fazer filmes, mas todos estão caindo nesse começo da novela, então, não confirmei nenhum ainda, porque preciso da liberação da Globo.

(Mônica Rodrigues da Costa)

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One Response to "Domingos Montagner e a linha do tempo"

  1. Peterson Jardim disse:

    O Domingos é um artista fantástico, muito legal saber da trajetória dele, uma bela entrevista.

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