Pé na Estrada

Festival do Circo Brasil lota teatros

 

Público lota o Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, para assistir o Circo Zanni / Foto Festival

 

Produtora Danielle Hoover avalia: “saldo é muito positivo”

Bell Bacampos, da Redação 

A 12.ª edição do Festival de Circo do Brasil, realizada no Recife, foi um sucesso. O público lotou as salas dos Teatros Santa Isabel, Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu) e Apolo para ver 20 apresentações de diversos grupos. Nos eventos itinerantes, gratuitos, realizados em praças, parques e comunidades da cidade, como Parque da Jaqueira, Boa Viagem, Poço da Panela, Sítio Histórico de Olinda e Praça do Arsenal, os recifenses também compareceram em peso.

“O saldo do festival é muito positivo”, avalia a produtora cultural Danielle Hoover, da Luni Produções, que está à frente da iniciativa desde 2004. O mote da edição atual, realizada de 4 a 13 novembro, na capital de Pernambuco, foi o caráter ‘portátil’ da arte circense. 

 

Danielle Hoover, coordenadora do festival, fala ao Panis & Circus / Foto Arquivo Festival

 

Confira a entrevista ao Panis & Circus de Danielle Hoover, a Dani, sobre o evento.

Panis & Circus: Por que circo portátil?

Dani Hoover:  Todos os anos nós temos um conceito para amarrar a curadoria da edição. A essência do circo é ser uma expressão portátil, capaz de ser levada a qualquer lugar, independente das condições que serão encontradas. O conceito ‘portátil’ para esta edição, remete à capacidade do circo de chegar para todos os públicos. Mantivemos e evidenciamos as apresentações em lugares abertos, praças, parques, comunidades, com o caminhão palco portátil, numa estrutura simples e bem profissional, que chega em qualquer lugar.

Panis & Circus – O conceito portátil, estrutura mais simples na montagem do festival, está ligado ao momento econômico que o País atravessa?

Dani Hoover: O ‘portátil” foi em parte pela dificuldade de captação (atual momento do País), em parte pela pesquisa natural dos grupos. Decidimos fazer uma mudança no formato do festival, eliminamos as grandes estruturas, lona, arquibancadas e privilegiamos os espetáculos bem elaborados, com uma pesquisa de linguagem inovadora, grupos menores, mas com um trabalho importante para a construção do circo contemporâneo no Brasil.  

Panis & Circus: O que significou a mudança no formato do festival? 

Dani Hoover: Embora os grupos fossem menores, menos numerosos, todas as montagens foram delicadas e primorosas, de alta qualidade técnica e artística. Ganhamos em qualidade, quando trocamos investimentos em estruturas por investimentos em espetáculos.  Foi o caso do teatro de Santa Isabel que recebeu 11 montagens diferentes em dez dias, todas com excelentes qualidades técnica e artística. Tivemos lotação esgotada em vários espetáculos, um público satisfeito, com conforto e segurança. 

Panis & Circus: O Zanni foi a exceção do festival já que se trata de uma estrutura de porte?

Dani Hoover: O Zanni estava no conceito ‘portátil’ por ser uma trupe circense que vive na itinerância. Uma trupe que faz uma releitura do circo tradicional, com frescor e qualidade artística. Foi um ‘grand finale’ para o festival.

Panis & Circus: Como foram feitas as seleções dos números nacionais e internacionais?

Dani Hoover: Este ano não deu tempo de abrir as inscrições pelo site, como sempre fazemos. Por isso, trabalhamos intensamente na pesquisa de grupos e artistas brasileiros que estavam com novas produções. Fizemos contato diretamente. Privilegiamos artistas brasileiros, espetáculos com uma pesquisa contemporânea, alta qualidade técnica e artística e fácil deslocamento.

Panis & Circus: Qual o balanço do festival?

Dani Hoover: Achei uma edição muito bem construída. Trabalhamos com pouco tempo, com um orçamento bem menor, mas isso não transpareceu.  O público lotou as 20 apresentações que realizamos em três teatros da cidade e também compareceu nas apresentações nas praças, parques e comunidades. Acho que o saldo foi muito positivo!  Fiquei bem feliz com o novo formato. 

 

Caminhão-portátil que levou os espetáculos a praças, ruas e comunidades / Foto Festival

 

Teatro Santa Isabel, construído em 1850, é palco da abertura do festival 

 

Parte interna do Teatro Santa Isabel antes do espetáculo "Circo Varieté" / Foto Asa Campos

 

A abertura do festival ocorreu no dia 4 de novembro, às 20 horas, no Teatro Santa Isabel, um dos mais importantes do Brasil, construído em 1850, que teve como principal engenheiro o francês Louis Leger Vauthier. A escolha do local – de beleza ímpar – foi mais uma decisão da produção a ser saudada com entusiasmo. 

Daniela Miranda, que se define como amante da arte, e assistiu a espetáculos do festival, não poupou elogios à coordenação do evento, conforme afirma ao Panis & Circus. “Dani Hoover é uma mulher dinâmica, batalhadora e é quem está à frente do festival. Ela consegue garimpar o que há de melhor e trazer para o Recife para a gente ver. A cidade está crescendo muito culturalmente. A prova disso é o festival de circo que tem dança, música, ilusionismo, teatro de sombras, numa sensível mistura de artes.”

 

Panis & Circus conferiu espetáculos apresentados de quarta 9/11 a domingo 13/11   

9/11 – Circo Varieté: humor e técnica

Palhaçaria, magia, encantamento e malabarismo se uniram nessa montagem única e exclusiva que reuniu artistas como os italianos Guillari de Diavolo e Fausto Barile, a brasileira Rose Zambezzi, e companhias como Cia. Suno, de São Paulo, Caravana Tapioca e Cia. Animé, de Pernambuco, Nobok Coletivo, do Rio de Janeiro. Leia mais sobre o Circo Varieté na seção Pé na Estrada do site.   

Cartaz do Circo Varieté no Festival de Circo do Brasil, em Recife

 

 

10 e 11/11 – “Vizinhos” flerta com surrealismo e surpreende 

O espetáculo mostra o cotidiano de um homem (Daniel Pedro) e de uma mulher (Maíra Campos) em que os objetos assumem novos usos e se transformam em parte integrante da narrativa em situações insólitas.  Flertam com o surrealismo. Um sofá engole um homem e um varal vira o arame em que se equilibra uma mulher. Leia mais sobre “Vizinhos” na seção Comentários desse site.    

Cartaz de "Vizinhos" na 12ª edição do Festival de Circo do Brasil, em Recife

 

 

12 e 13/11- “Dois” brinca com cumplicidade e rivalidade de irmãos

“Dois”, dos irmãos Luís e Pedro Sartori do Vale, é uma coprodução Finlândia-Brasil, em que a dança, o teatro e o circo estão presentes. 

“Dois” brinca com a cumplicidade e rivalidade entre irmãos, e explora a simbologia de um interesse em comum: o arco e flecha. Leia mais sobre “Dois” na seção Arte em Movimento do site.

Cartaz do espetáculo "Dois" do Festival de Circo do Brasil, em Recife

 

 

12 e 13/11 – Circo Zanni faz a festa

Uma das trupes mais aclamadas do País, o Zanni ocupou o Teatro Luís Mendonça, no Parque Dona Lindu, em três sessões: sábado, dia 12, às 16h30 e 18h30, e domingo, dia 13, às 16h30.

Com um dia e meio de montagem e adaptação do espetáculo ao teatro, o Zanni levou no roteiro, as liras da Belle Époque, poltrona acrobática, malabares, equilíbrio de pratos, arame, quick change, entradas de palhaço e trapézio em balanço. E é claro sua marca registrada: a banda ao vivo. Leia mais sobre o Zanni no festival na coluna E com vocês desse site. 

Cartaz do Circo Zanni na 12ª edição do Festival de Circo do Brasil ,em Recife

 

 

“Chocolote” e “Circo é…Circo” nas telas do cinema do festival

O Festival de Circo do Brasil exibiu o documentário “Circo é…Circo”, direção de Daniela Cucchiarelli, realizado pelo Sesc São Paulo, com depoimentos de artistas participantes do Festival Internacional Sesc de Circo, em São Paulo, em maio de 2015, e o longa metragem francês “Chocolate”, direção de Roschdy Zem, que narra a história verídica de um escravo negro que se torna um artista circense popular na Paris do século 19. 

Clique aqui para ler matéria do Panis & Circus sobre o documentário “Circo é… Circo”  

Clique aqui para ler a reportagem do Panis & Circus sobre o filme “Chocolate”

Cartazes do documentário "Circo é...Circo" e do filme "Chocolate" no festival

 

 

Danielle Hoover avisa ao respeitável público: o ano que vem tem mais. 

Cartaz do encerramento do Festival de Circo do Brasil em Recife - 2016

 

 

Postagem – Alyne Albuquerque

One Response to "Festival do Circo Brasil lota teatros"

  1. frank mamu disse:

    Este modelo de realização abre espaço para novas trupes que por conta
    do momento de crise econômica se reenventam e
    Criam espetáculos menores em estrutura e grandiosos
    Em criatividades

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