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Marisa Orth no picadeiro do Zanni

 

Marisa Orth no picadeiro do Zanni / Foto Agatha Campos

 

Ela canta “Insanidade Temporária” no evento especial “Zanni, Música e Circo”

Bell Bacampos

De vestido vermelho comprido com fenda, cabelos soltos, Marisa Orth canta e interpreta “Insanidade Temporária”, como se fosse uma versão de “Gilda” do picadeiro. A letra da música fala de uma mulher que, em crise de “TPM” (tensão pré-menstrual), castra o marido e precisa explicar o que aconteceu a um delegado. Marisa capricha no verso “seu delegado a psicóloga explicou que quando eu usei aquela faca eu tava doida/só acordei quando o sangue espirrou/ do membro decepado que foi meu”.

Marisa Orth agradece os aplausos da plateia / Foto Agatha Campos

 

Atrás de Marisa, em ambientação de clube noturno mambembe, quatro dançarinas erram os passos, se atrapalham em uma imitação circense das “chacretes” comandadas pelo “Velho Guerreiro”. Pura ironia.    

Marisa canta, interpreta e faz rir, tudo ao mesmo tempo, no especial “Zanni, Música e Circo”, no picadeiro do Circo Zanni, na quinta-feira 28/11, no Memorial da América Latina.   

 

 

Domingos Montagner, em roupa de gala e sapato de palhaço, é o mestre de cerimônias que recebe os convidados do Zanni que “têm amor ao picadeiro, à música e nos honram com sua presença”.  Entre eles, está o vocalista do grupo “Sambô”, que tem a proposta de tocar rock em versão samba, San, que prefere, nessa noite, cantar o clássico “Carinhoso”, de Pixinguinha acompanhado apenas de um violão. Depois, embala no ritmo roqueiro brasileiro “Fullgás”, de Marina Lima, e faz “malabarismo” com o pandeiro.    

 

Domingos Montagner apresenta os convidados da noite / Foto Agatha Campos

 

 

No especial do circo Zanni estão presentes a plasticidade e a técnica dos artistas circenses convidados. A acrobacia é feita com precisão e leveza no “mano a mano” de Marina Bombachini e Carlos Cosmai. O trapézio fica a cargo do talento de Martin Sabatini. O  espanhol Jesus é show de bola no equilíbrio com passos de dançarino de flamenco. Aplausos e assobios.

 

Marina Bombachini e Carlos Cosnai / Foto Agatha Campos

 

Jesus e o número de equilíbrio com as bolas de futebol/ Foto Agatha Campos

 

Sabatino no trapézio/ Foto Agatha Campos

 

Em seu especial, o Zanni recebe também o violonista e vocalista Wandi Doratiotto, do grupo “Premeditando o Breque” (Premê) e apresentador do programa “Bem Brasil”, da TV Cultura. Ele canta “São Paulo, São Paulo” cidade em que “o clima engana, a vida é grana, a japonesa é loura e a nordestina é moura”. Um clima que lembra uma versão irônica de “New York, New York”, no ritmo do “Premê”. Antes de “São Paulo, São Paulo”, Wandi Doratiotto tomou violão acompanhado no pandeiro, por Wagner Lopes (o Wagnão, capataz do Zanni), e no tambor por Nereu Ramos, que integra a banda musical do circo. Eles ensairam juntos duas horas antes da apresentação, conta Wandi. Mas não desafinam no ritmo da improvisação.   

 

Wandi Doratiotto canta "São Paulo, São Paulo"/ Foto Agatha Campos

 

 

E em noite de música e circo, nada melhor que ver e se divertir de novo com o número clássico do repertório do Zanni, “Monga, a Mulher Gorila”, interpretado por Fernando Sampaio e Domingos Montagner.  

Domingos Montagner e Fernando Sampaio no clássico "Monga, a Mulher Gorila"/ Foto Agatha Campos

 

San canta e dá um show com o pandeiro/ Foto Agatha Campos

 

O especial traz música, palhaçadas, acrobacias e equilibrismo de qualidade. Mas falha ao tirar da trupe do Zanni o protagonismo do picadeiro. Lá, é o lugar deles. 

 

 

Letra de Insanidade Temporária interpretada por Marisa Orth

 

Seu delegado quem esta na sua frente
Não é uma monstra sanguinária sangue-suga
É uma vitima que chora sofre e sente a culpa
De um crime que não cometeu
Seu delegado só quem teve a sorte ou o azar
De vir descendente de mãe Eva
Pode entender ou acreditar se eu jurar
Que quem matou o meu marido não fui eu
Insanidade temporária
Insanidade temporária
Insanidade temporária causada pela TPM
Seu delegado a psicóloga explicou
Que quando eu usei aquela faca eu tava doida
Só acordei quando o sangue espirrou
Do membro decepado que foi meu
Seu delegado eu não mereço esse castigo
Eu vou gritar ate ficar doida e rouca
Que quem matou o meu marido não fui eu
Foi minha insanidade temporária
Insanidade temporária
Insanidade temporária causada pela TPM.

 

Letra de São Paulo, São Paulo – interpretada por Wandi Doratiotto

do Premeditando o Breque (Premê)

É sempre lindo andar na cidade de São Paulo,de São Paulo
O clima engana, a vida é grana em São Paulo
A japonesa loura, a nordestina moura de São Paulo
Gatinhas punks, um jeito yankee de São Paulo, de São Paulo

Ah!
Na grande cidade me realizar
Morando num BNH.
Na periferia a fábrica escurece o dia.

Não vá se incomodar com a fauna urbana de São Paulo, de São Paulo
Pardais, baratas, ratos na Rota de São Paulo
E pra você criança muita diversão em São Paulo
São Paulo lição
Tomar um banho no Tietê ou ver TV.

Ah!
Na grande cidade me realizar
Morando num BNH
Na periferia a fábrica escurece o dia.

Chora Menino, Freguesia do Ó, Carandiru, Mandaqui, ali
Vila Sônia, Vila Ema, Vila Alpina, Vila Carrão, Morumbi
Pari,
Butantã, Utinga, M’BOI MIRIM, Brás, Brás, Belém
Bom Retiro, Barra Funda, Ermelino Matarazzo
Mooca, Penha, Lapa, Sé, Jabaquara, Pirituba, Tucuruvi, Tatuapé

Pra quebrar a rotina num fim de semana em São Paulo
Lavar um carro comendo um churro é bom pra burro
Um ponto de partida pra subir na vida em São Paulo, em São Paulo
Terraço Itália, Jaraguá, Viaduto do Chá.

Ah!
Na grande cidade me realizar morando num BNH
Na periferia a fábrica escurece o dia
Na periferia a fábrica escurece o dia

 

Trupe do Circo Zanni e convidados/ Foto Agatha Campos

 

 

 

Postagem: Alyne Albuquerque

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