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Novo Polo Europeu do Circo

 

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Espetáculos do festival na Itália trazem múltiplas faces da arte 

Ivy Fernandes, de  Fossano

 

 

 

 

 

 

 

A sétima  edição  do Festival Europeu de Mirabilia, na Itália,  apresentou o que há de melhor e mais novo no circo contemporâneo, a arte de rua, da magia e a palhaçaria, durante cinco dias, de 19/6 a 23/6 com mais de 120 mil espectadores.  O festival foi escolhido para ser o Polo Europeu do Circo de 2013 a 2017.     

Durante seis anos, o Festival de Mirabilia esteve localizado na pequena cidade histórica de Fossano, a 70 quilômetros de Turim, quase fronteira com a França. Neste ano, expandiu-se e ocupou duas outras cidades da região: Cherasco e Savigliano.

 

Espetáculo da companhia holandesa "Daad", de artistas de rua / Foto Divulgação

 

Em Fossano, centro do evento, as apresentações de arte de rua dominaram a cidadeCherasco dedicou sua programação à magiatradicional e ao ilusionismo e Savigliano foi palco de artes cênicas, que misturaram performances de dança e circo. A ligação entre as três cidades era feita por ônibus pequenos. Eles partiam de 15 em 15 minutos e ofereciam serviços gratuitos que se estendiam até 1h30 da madrugada.   

O festival mostrou as múltiplas  faces  da  arte e se tornou  um acontecimento único na  Itália. Teve a participação  de   250  artistas de 16 países, integrantes de 28 companhias. Dezenove delas já haviam se apresentado em outros festivais e nove da região de Piemonte, onde estão localizadas Fossano, Cherasco e Savigliano.

 

Fabrizio Gavosto, do Festival de Mirabilia / Foto Asa Campos

 

Em entrevista  ao site Panis & CircusFabrizio Gavosto, diretor artístico do Festival desde sua primeira edição, explicou que em 2013 recebeu a assistência, em razão da variedade dos espetáculos em três cidades, da artista circense Sarka Marsikova (da República Tcheca) e da diretora  de festivais Antonia Kuzmanic (da Croácia).  

“Em cinco dias, o festival  teve mais de 120 mil  espectadores que puderam ver números de circo contemporâneo, teatro de rua, “street dance”, mágicas  e a arte da palhaçaria. Muitos desses espetáculos eram gratuitos e outros tinham preços acessíveis, quase todos ao preço popular de 4 a  6 euros”, afirmou.    

Danielle Hoover, coordenadora executiva do Festival de Circo do Brasil, afirmou em entrevista ao site Panis & Circus que participa de festivais como o de Mirabilia e Pennabilli (ler abaixo sobre esse último) em busca de números e espetáculos para trazer ao Brasil.   

Em Fossano, os  espetáculos de arte de rua tiveram como cenários alguns palácios antigos, datados de 1500, retoma Gavosto.

 

Teatro urbano europeu em Rua de Fossano / Foto Divulgação

 

Um dos espetáculos da cidade de Fossano teve como tema a manipulação das informações. Foi apresentado pela trupe espanhola do “Teatro Hortzmuga”, inspirada nas criações  da cia. La Fura dels Baus. Trata-se de importante companhia teatral de Barcelona, fundada em 1979 por Marcelli Antúnez Roca e que se apresentou em quase todo o mundo, inclusive no Brasil, nos anos 90.

Durante esse espetáculo, o público é transportado para um local onde a informação e a realidade são distorcidas e manipuladas pelas mídias em tempo real. Sem dúvida, um tema atual nos dias de hoje.

 

Cenas do Festival de Mirabilia 2013 / Foto Divulgação

 

A manipulação das pessoas também é objeto do show “Duos Habet”, dos artistas ítalo-franceses que formam a companhia “Envol Distratto”, criada em 2001.  Em síntese, mostra três  homens, fisicamente diferentes e excêntricos, que trabalham no Ministério  da  Manipulação. Eles fazem o público embarcar em uma trajetória com quebra de regras e ninguém sabe quem o manipulador e quem é o manipulado.

Outro espetáculo que também trata da questão social é o “Mastoc Production”, que fala da discriminação  das mulheres. 

A companhia francesa “Tele d´Enfant” tratou da solidão, do difícil encontro entre as pessoas e consigo mesmo. 

 

Clowns como malabaristas / Foto Divulgação

 

A companhia  espanhola “Industrial Teatrera” apresentou o show  “De Paso”, espetáculo filosófico e focado na parábola da vida, que se mistura com a  “clownerie” [palhaçaria], romantismo e teatro. Diz um trecho da apresentação: 

A roda  da vida começa  a girar… Nascemos e devemos descobrir  o mundo, um mundo  a percorrer  e rodar…  O tempo passa e  rapidamente não temos mais  momentos para brincar. O vento forte  é aquele que controla a casualidade, que   comanda e  empurra,  que  guia e nos acompanha e que, com um pouco de  sorte, faz-nos dançar  levemente ou  sentirmo-nos com  uma borboleta no estômago…  Mesmo se, às vezes, tentamos  parar  esse vento,  o  mundo continua  a rodar, como  as estações, como  o palco , como o  público sentado  ao redor .” 

Em resumo: devemos rodar e girar sem poder interromper o vento que determina o nosso destino.

 

Exibição de trapezista / Foto Divulgação

 

Destaque também no Festival de Mirabilia  foi  a companhia “Sisters”, da Dinamarca, com o espetáculo  “Clockwork”, que  trata da perfeita  sincronia  entre os  integrantes, como as peças de um relógio.

Eles dependem uns dos outros, quer fisicamente quer psicologicamente, da mesma forma que um relógio necessita de todas  as peças encaixadas entre si para funcionar. Cada artista do “Sisters” contribui com sua especialidade e forma do corpo para fazer funcionar  a máquina Clockwork. Um espetáculo original e de efeito cênico.

 

Espetáculo da edição de 2011 do Festival de Mirabilia / Foto Divulgação

 

Outro ponto alto do Festival deste ano, conta o diretor Fabricio, foi uma programação dedicada às crianças.

 

Era uma vez

Os espetáculos da companhia italiana  “Ondadurto Teatro” interferem com a tradicional narrativa das histórias infantis clássicas a ponto de a fronteira entre o bem e o mal se  tornar quase imperceptível.

“Ondadurto Teatro” levanta  dúvidas sobre os contos encantados da infância: e se a Chapeuzinho Vermelho fosse menos ingênua do que pensamos? E se a Gata Borralheira e a Branca de Neve não fossem tão boazinhas como parecem?

 

Karcocha, clown chileno, mostra o outro lado das histórias infantis/ Foto Divulgação

 

Histórias infantis do “Era uma Vez” são revistas e apresentadas com um tom “noir”, um viés obscuro adotado em uma atmosfera de impacto visual, proporcionado também pelo uso da tecnologia.

O Príncipe Azul, por exemplo, entra em cena  a bordo de uma motocicleta potente. 

Em Fossano, a companhia “Nuua”, da Finlândia, causou impacto com o espetáculo “Lento” – com artistas que dialogam com um ambiente onde a população é composta de balões .

 

Luís Sartori , brasileiro, Olli Vuorinen, finlandês, da cia. “Nuua”, e seus balões / Foto Divulgação

 

O artista de rua e comediante Matteo Galbusera participou  de edições anteriores do  Festival de Mirabilia e apresentou em 2013  “The Looser”. Trata-se da narrativa  surreal de um empregado que está para ser aposentado e recebe como presente dos colegas uma vara de pescar e, por meio dela, encontra o caminho que dá sentido a sua nova vida. O espetáculo oscila entre cenas surreais e cômicas.

 

Cartaz da apresentação "The Looser" / Foto Divulgação

 

Planos para 2014

O Festival de Mirabilia promete  ainda mais no ano que vem. Além de abraçar as expressões do mundo artístico do circo, do teatro de vanguarda, da dança urbana, quer também alcançar aqueles que gostariam de mostrar sua arte em um caleidoscópio de  espetáculos. 

É um festival para quem quer fazer e criar cultura e ao mesmo tempo oferecer novas emoções.

 

Palco para o ritmo frenético dos países balcânicos / Foto Divulgação

 

 

Clique aqui para ler a reportagem sobre a 17ª edição do Festival dos Artistas de Rua de Pennabilli.

 

Postagem: Alyne Albuquerque

 

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