Arte em Movimento

“Papai Noel Sumiu” faz arte fingindo ser brincadeira

 

 

Espetáculo encerrou a temporada de 2014 da série “Aprendiz de Maestro”. Em 2015, tem mais.

Bell Bacampos, da Redação

“Papai Noel Sumiu!” é um espetáculo que mistura conto-da-carochinha, nascimento do menino Jesus, músicas de compositores como Bach e Haydn, balé clássico, Pastoral de Natal, canções populares como “Jingle Bells”, modo de falar do paulistano “ô meu” e paródia de manifestações políticas com falas inflamadas como “Libertem o Noel”, que está na Casa da Bruxa, e “Vamos para a Paulista!” O resultado é engraçado, poético e sensorial.

O diretor e autor do texto, Paulo Rogério, faz arte fingindo ser brincadeira e conquista o público infantil e, de tabela, o adulto, na Sala São Paulo, em 13/12, às 11 horas. Sob o som da Sinfonietta Tucca Fortíssima, regida pelo maestro João Maurício Galindo, com a participação especial do Coral Juvenil da Osesp, são executadas músicas como “The Heavens are telling” (Haydn), “Oh! São José” (do folclore brasileiro) e “We wish you a Merry Christmas” (canção popular americana). Em 2015, estão programados os seguintes espetáculos infantis: “Lendas Amazônicas (21/3); “O Forrobodó da Chiquinha” (9/5); “Viagem no Tempo – Expedição Vivaldi” (30/5); “O Elixir do Amor” (29/8); “O Mundo do Ludovico” (26/9); “O Pequeno Mozart” (17/10); “A orquestra do Sargento Pimenta” (7/11) e “O Soldadinho de Chumbo) (19/12).     

 

Coral Juvenil da Osesp / Foto Asa Campos

  

Pastoral de Natal

Quem começa a contar a história do “Papai Noel sumiu!” é o maestro João Maurício Galindo. Ele explica para as crianças que  “o menino Jesus não nasceu na cidade. Ele nasceu no campo. Os pastores, que cuidavam das ovelhas no campo, quiseram homenageá-lo e, por isso, tocaram uma música muito bonita que ficou conhecida como pastoral.”

 

Maestro João Maurício Galindo, a orquestra e o coral / Foto Asa Campos

 

De lá para cá, os compositores, acrescenta, se dedicaram a compor as Pastorais de Natal. Entre elas, se destaca a do compositor italiano Arcangelo Corelli, executada pela Sinfonietta TUCCA Fortíssima, regida pelo maestro e acompanhada pelos passos do casal de bailarinos clássicos.

 

Bailarinos e a Pastoral de Natal, de Corelli / Foto Asa Campos

 

Era uma vez…

Do nascimento do menino Jesus, o maestro pula para a história do Papai Noel. E tudo começa com o era uma vez … uma floresta que tinha muita neve e o chão estava congelado. Lá viviam dois passarinhos: o João e a Maria. Os pais deles estavam preocupados e se reuniram para ‘piar’ sobre o assunto. É que eles não tinham como alimentar seus filhotes porque seus bicos não eram de inox e não conseguiam furar o gelo duro em busca de alimento. E não adiantava colocá-los na árvore mais alta e mais seca do local porque as feras estavam à espreita. Para protegê-los, decidem esconder os filhotes no meio da floresta, em um canto  muito escuro.

 

Os passarinhos João e Maria na Sala São Paulo / Foto Asa Campos

 

“Não contavam com minha astúcia”

A primeira vez que os pais vão para a floresta para deixar lá os filhotes, os passarinhos acham o caminho de volta porque João teve a ideia de marcar o caminho com pedaços de casca de ovos. E João diz para a plateia: “Eles não contavam com a minha astúcia”, em referência ao bordão de Chaves, personagem do seriado infantil mexicano exibido no SBT, durante 30 anos, e interpretado por Roberto Gomes Bolaños (1929-2014). Risos na plateia.

 

João e Maria e o boneco de Neve / Foto Asa Campos

 

E os dois passarinhos, interpretados pelos atores Daniel Warren e Luciana Ramanzini, são levados mais uma vez para a floresta sem que João tivesse tido tempo de bolar mais um plano astuto. Lá, são deixados e ficam tristes. Mas resolvem deixar a tristeza de lado e montar um boneco de neve e dependurar um pé de meia para o Papai Noel encher de presentes. A passarinha Maria diz que o Papai Noel não vai ter problemas para  localizá-los no meio da floresta escura em função do cheiro do chulé de João. E eles esperam, esperam, e nada do bom velhinho chegar. 

 

A soprano Sheila Minatti canta “Boas Festas” / Foto Asa Campos

 

“Felicidade é brinquedo que não tem”

Durante a espera do bom velhinho a soprano Sheila Minatti canta “Boas Festas”, e seu canto emociona no compasso da música de letra de Assis Valente. “Eu pensei que todo mundo/Fosse filho de Papai Noel/E assim felicidade/Eu pensei que fosse uma brincadeira de papel/Já faz tempo que eu pedi/Mas o meu Papai Noel não vem/Com certeza já morreu/Ou então felicidade/É brinquedo que não tem.”

Como o Papai Noel não chega com os brinquedos, especialmente, o chamado felicidade, os dois passarinhos ficam revoltados, achando que foram esquecidos por ele. Depois de um tempo descobrem que o Papai Noel sumiu.

João e Maria resolvem procurá-lo como dois detetives, seguindo pistas deixadas por Noel como a árvore de Natal, a rena do trenó, a estrela guia e os anjinhos.

 

A Estrela Guia e os anjinhos, uma das pistas deixadas por Papai Noel / Foto Asa Campos

 

Árvore de Natal, outra pista... / Foto Asa Campos

 

 

Rena do trenó, mais uma pista / Foto Asa Campos

 

E as pistas acabam levando João e Maria à Casa da Bruxa. E Maria decide que é hora de invadir o local. E fala em alto e bom som como se estivessem em uma passeata: “Libertem o Noel! Libertem o Noel! Vamos para a Paulista!”

 

Maria abre os braços e exige: "Libertem o Noel! Vamos para a Paulista!” / Foto Asa Campos

 

A plateia cai na gargalhada com a referência inesperada às recentes manifestações que movimentam a Paulista, famosa avenida de São Paulo, após as eleições presidenciais – uma delas contra a corrupção na Petrobras.

“Bruxa malvada a casa está cercada”

Por seu lado, João acredita que o melhor mesmo para combater a Bruxa é ser ameaçador. E afirma: “Bruxa malvada a casa está cercada”. E pede que Maria repita tudo, “igualmente”, o que ele diz. E Maria repete apenas o “igualmente”. E João fica zangado.

Maria diz que “não está entendendo bem a proposta”, e se João explicar direito, ela executa “ô meu”. Mais risos na plateia. E começa um jogo de palavras que é simples e divertido para alegria e interação da criançada.

 

 

De repente, a bruxa, interpretada por Suzana Rebelov, entra em cena com sua vassoura de palha. Parece a bruxa que vai pegar os passarinhos, dar bastante minhoca para eles engordarem e jogá-los dentro de uma panela para fazer um bom guizado de aves, parecido com a história original de João e Maria.  Mas não é nada disso, explica o maestro João Maurício. A bruxa é boa e amiga do Papai Noel.

 

A Bruxa e o Maestro / Foto Asa Campos

 

E no final aparece quem havia sumido e todos esperavam: ele, o Papai Noel, e todos cantam a música “Bate o Sino Pequenino/Sino de Belém/Já nasceu Deus Menino/Para o nosso bem”.

 

Papai Noel apareceu! / Foto Asa Campos

 

“Aprendiz de Maestro” é um projeto do TUCCA

A renda dos espetáculos musicais que fazem parte do “Aprendiz de Maestro” é revertida para a TUCCA – uma associação que cuida das crianças carentes com câncer. Os médicos Sidney Epelman e Claudia Epelman são os coordenadores do projeto que conta com a excelente estrutura do hospital Santa Marcelina.

 

Papai Noel com a camiseta do Sou + TUCCA / Foto Asa Campos

 

Os médicos Sidney Epelman e Claudia Epelman / Foto Asa Campos

 

Ficha técnica: “Papai Noel Sumiu!”

Texto e direção artística: Paulo Rogério Lopes

Direção Musical e Regência: João Maurício Galindo com Daniel Warrem, Luciana Ramanzini e Sinfonietta TUCCA Fortíssima

Participações especiais: Coro Juvenil da Osesp (regência Paulo Moura), Sheila Minatti, Suzana Rebelov e Gisele Bellot e Julio César

 

Postagem Alyne Albuquerque

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One Response to "“Papai Noel Sumiu” faz arte fingindo ser brincadeira"

  1. Paulo Rogério disse:

    Delícia, como sempre, receber essa atenção de vocês, principalmente do carinho da Bell e das fotos lindíssimas do Asa! bjs
    Paulo Rogério

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