Arte em Movimento

Sesc vai reeditar Festival de Circo, diz Abram Szajman, presidente da Fecomércio

 

 

Em análise a sua periodicidade: anual ou bienal

 

Bruna Galvão

O empresário Abram Szajman, considerado um dos maiores empreendedores do país por seus feitos na área dos negócios, comanda a Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP) desde meados dos anos 1980. É responsável também pelo Serviço Social do Comércio paulista (Sesc-SP), instituição que organizou Circus – 1º Festival Internacional de Circo do Sesc, em maio deste ano. 

 

Abram Szajman comanda a Fecomercio-SP e o Sesc-SP / Foto Fecomercio

 

“O Sesc foi reconhecido como um local de fomento e desenvolvimento das artes circenses”, comemorou Szjman em entrevista ao Panis & Circus. “O Festival foi exitoso em apresentar ao público como o Sesc-SP trabalha as artes circenses, abarcando diversas vertentes do pensar e do fazer em circo”, complementou. Ele acrescentou que está contemplada a sua reedição e em análise a periodicidade do evento: anual ou bienal. Clique aqui para ler a reportagem do Panis & Circus sobre a mostra circense do Sesc. 

 

“Uma trilha para sua História” está no Sesc Santo Amaro / Foto Divulgação

 

Desde 1946, o Sesc-SP usa suas instalações para levar cultura aos paulistas em suas diversas unidades. As atividades variam entre muitas áreas, como dança, música, teatro e circo. O objetivo é propor novos modelos de ação cultural e fomentar a educação como transformadora social.  “A concretização desse propósito se deu por uma intensa atuação no campo da cultura e suas diferentes manifestações, destinadas a todos os públicos”, informa nota no site da instituição (www.sescsp.org.br). Em São Paulo, o Sesc possui mais de 30 unidades – dez delas estão localizadas na grande São Paulo. “Não há nenhuma intenção do Sesc em substituir os órgãos públicos”, sublinha Szajman.

 

“Vaiqueeuvoo”, no Sesc Pinheiros, durante Festival / Foto Asa Campos

 

A seguir, a íntegra da entrevista.

 

Panis & Circus- O Sesc, por sua diversidade de atrações e por ter unidades espalhadas em diversos pontos da cidade, o que atrai um público significativo, seria o principal pólo de cultura de São Paulo?

Abram Szajman- A rede de unidades do Sesc é reconhecida como um dos principais pólos que, ao lado dos demais equipamentos públicos e privados, tornam o cenário cultural da cidade importante e atraente.

 

“A Arca”, do Canadá, no Sesc Santana, no festival / Foto Alyne Albuquerque 

 

Panis & Circus- O Festival Internacional de Circo do Sesc, que ocorreu em maio, foi exemplo de sucesso em termos de qualidade e de comparecimento do público. Qual o impacto do evento para o Sesc? Já está sendo preparada a segunda edição do Circus – Festival Internacional de Circo do Sesc?  

Abram Szajman- Podemos afirmar que a primeira edição do Festival não apenas consolidou o trabalho do Sesc com o circo, como também posicionou a instituição frente aos profissionais da área. O Sesc foi reconhecido como um local de fomento e desenvolvimento das artes circenses.  O Festival foi exitoso também em apresentar ao público como o Sesc São Paulo trabalha as artes circenses, abarcando diversas vertentes do pensar e do fazer em circo.

Está em análise a periodicidade do Festival, se anual ou bienal, tendo por base o calendário de festivais, mostras e demais projetos realizados pelo Sesc, e sua continuidade está contemplada no planejamento das ações culturais da instituição.

 

 

Panis & Circus- Em apresentações circenses – como o circo nas férias de julho do Sesc, que levou o Circo Zanni para Santo André — os ingressos esgotaram-se rapidamente. A que atribui o sucesso do circo contemporâneo nas dependências do Sesc? 

Abram Szajman- As atividades do Sesc são destinadas a todos os públicos e o circo especialmente é uma linguagem de grande alcance popular, no sentido de atrair diferentes faixas etárias e estratos sociais, independentemente do local onde o espetáculo seja realizado: na tradicional lona, em praças ou salas de teatros. Isso, somado ao trabalho realizado pela equipe do Sesc, não apenas de curadoria, mas também de pesquisa, sobre as diversas questões acerca do universo das artes circenses, resulta em uma programação consistente de espetáculos e atividades educativas que atraem um público bastante numeroso.

 

 

Panis & Circus- Como o circo contemporâneo entrou na pauta do Sesc?

Abram Szajman- O circo sempre esteve presente na programação do Sesc, ao entendermos que esta é uma linguagem artística com características particulares tal como as demais artes cênicas, o teatro e a dança. Na perspectiva do trabalho de educação permanente desenvolvido pelo Sesc por meio das artes, considerou-se pertinente a inserção do circo nas atividades oferecidas aos diferentes públicos que frequentam as nossas unidades.

 

“La Lettera” (Itália) no Sesc Belenzinho, na mostra circense do Sesc / Foto Divulgação

 

Panis & Circus- A falta de incentivos, principalmente por parte do governo, na área cultural, é uma das principais queixas também dos circenses. O Sesc está substituindo o governo na política cultural? Por que os eventos do Sesc  lotam e muitos dos espetáculos teatrais estão às moscas?

Abram Szajman- Não há nenhuma intenção do Sesc em substituir os órgãos públicos competentes e estabelecidos. Há um fomento possível de ser realizado, e isso o Sesc não pode se furtar a promover, sempre visando ao desenvolvimento de seu público. A programação com workshops, debates e oficinas, sem mencionar os espetáculos e os festivais, são as nossas formas de contribuir para o desenvolvimento – com foco no cidadão – do exercício da cidadania e da sociedade, por meio das artes, da livre expressão e da reflexão.

 

“A Música no Circo Nerino”, no Sesc Belenzinho / Foto Asa Campos

 

Panis & Circus- Um dos espetáculos que perpassam pelo circo e que saiu de cartaz do Sesc  Pompeia e está no Sesc Santo Amaro é “Uma trilha para sua história”, cujo diretor, Gustavo Kurlat, é nome de destaque no cenário cultural. Em entrevista ao Panis & Circus, Kurlat comentou sobre a sua felicidade ao receber incentivos para suas peças, como a que recebe do Sesc. Na prática, como são feitas essas parcerias?

Abram Szajman- É preciso esclarecer que não se trata de uma parceria feita com grupos, artistas ou diretores, e sim, um compromisso assumido junto ao público e para o seu desenvolvimento cultural. A programação artística do Sesc é elaborada com um ponto norteador, a educação permanente, que se dá por meio das diferentes expressões artísticas. Para conciliar o acesso, a formação de público e o fomento ao desenvolvimento das artes, buscamos apresentar espetáculos com a marca da  qualidade, da inovação e com possibilidades de reflexão e debate.

 

 

 

 

Postagem: Alyne Albuquerque

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