Pé na Estrada

Sobre o além mares do Circo Zanni em Portugal

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Dani Rocha-Rosa e Marcelo Lujan no número de arcos

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Dani Rocha-Rosa, especial para Panis & Circus * 

A cidade de Almada, uma das maiores de Portugal, localizada na Região Metropolitana de Lisboa, se despediu do ano passado com a Festa Almada 2021 que teve como atração o Circo Zanni. 

De 15 a 19 de dezembro, durante as manifestações de celebração do Natal, o Zanni fez seis apresentações com uma média de público de 4 mil pessoas. O evento teve a produção de Daniela Hoover, uma recifense que também empresta seu talento para a organização do Festival Internacional de Circo do Brasil, do português Hugo Nóbrega e do Circo Zanni, que cruzou o Atlântico com 9 artistas, 3 responsáveis técnicos e sua produtora, Márcia Nunes. 

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Nié Pedro e Maíra Campos no número da mesa 

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Foi a primeira viagem internacional da trupe em período de pandemia. Desde 2019, Daniela já projetava a visita do Zanni a Portugal. A concretização do projeto demandou mais de dois meses de negociação e organização logística.

Dizer que foi fácil na hora que termina é como um trabalho de parto, é tão bom o que vem depois que a gente esquece os detalhes das contrações. “Nossa curta temporada em Almada foi deliciosa: potente, divertida, surpreendente e passou muito depressa, como tudo o que é bom costuma passar. Mas não foi simples”. 

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Número da centopeia com trupe feminina do Zanni 

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Homenagem a Montagner

“A expectativa dos testes negativos para Covid e dos positivos para a agenda, as passagens e o embarque dos aparelhos equivaleram a um triplo carpado com dupla pirueta sem rede de proteção. Por força das circunstâncias excepcionais da pandemia, a viagem era tão incerta que, um dia antes do embarque, quando me perguntaram se eu ia a Portugal, respondi: vou para o aeroporto. E só acreditei quando o avião decolou”, conta Fernando Paz, artista cômico da trupe.

Todo o período de negociação e ajustes foi trabalhado com muito cuidado e respeito, afinal trata-se de um grupo que acima de tudo preza pela união. “Viajei com o Circo! O Circo Zanni, de quem sou fã desde 2008, quando o vi pela primeira vez e faz alguns anos que tenho o prazer de fazer parte desse grupo. Zanni é um lugar de muito afeto, muita generosidade, talento e de muito trabalho. Vivemos dias felizes!”, acrescenta Filipe Bregantin, artista da trupe que fez questão de propor, para o início do espetáculo, fazer a abertura criada por Domingos Montagner.(1962 -2016 – um dos sócios criadores do Zanni).

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Fernando Paz e Filipe Bregantin em Monga, a Mulher Gorila

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A estrutura do espetáculo foi mantida, mesmo com o elenco reduzido. Artistas se desdobraram para conquistar a qualidade e a objetividade da entrega de sua excelência artística, num palco montado, especialmente, para os espetáculos do Circo Zanni, no Complexo Municipal dos Desportos da cidade.

“Confesso que fiquei entre o ‘frisson’ de uma míni turnê internacional e a realidade de que tudo tinha de dar certo e, naquele momento, éramos ‘insubstituíveis’. Contando com apenas 9 artistas não tínhamos como ‘falhar’. Tudo tinha de funcionar e dar certo! No meu caso, os passeios sonhados e planejados muitas vezes não eram compatíveis com a realidade. Tive de escolher muitas vezes a opção de dormir a sair para conhecer o lugar, para evitar o desgaste físico.   

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Nathalia Presser no número da camisa

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Conexão desafiadora

Marcelo Lujan, diretor e artista da trupe, acrescenta: “Atravessamos o oceano levando nossa arte nas próprias mãos, pois viajamos com muito pouco material e o essencial para fazer nosso show. Iniciamos e levamos aquele encontro com um público diferente. Já tínhamos marcado nossos objetivos iniciais de nos aproximar deles. Fizemos ajustes até chegar num formato mais ágil e direto. Foram realizados ajustes de textos, piadas e tempos cômicos. Além disso, estávamos com novos números, substituições e tínhamos de ‘preencher’ um espaço muito maior do que estávamos acostumados. Assim fomos realizando. Quando acertamos o ritmo, o show andou sozinho.” E andou bem. 

“Uma vez em Portugal, o espetáculo. Só ali, em cena, percebi que ‘Bem-vindos ao Circo Zanni!’, nossa frase inicial, tinha um sentido muito diferente em São Paulo de Almada. Aqui, é a antecipação de uma festa. Lá, passa a ideia de espera e você vê olhares atentos como se dissessem: “Estamos aqui para isto”, afirma Fernando Paz.

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Maíra Campos no número do arame 

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A quadra de esportes onde o Zanni se apresentou sofreu alterações para receber um palco em grande estilo, com coxias adaptadas, sistema de som e luz do nível Rock in Rio (a empresa contratada pela produção, a Audio Matrix, é a mesma que monta o evento brasileiro). A trupe teve de triplicar a energia e os passos para poder cruzar e ocupar o palco de dimensões duplicadas (o picadeiro do Zanni tem 7 metros de diâmetro e era preciso se adaptar a uma caixa preta de 15m x 10m). O roteiro teve de ser reduzido porque, segundo a organização do festival, o público “esperava” assistir um show de uma hora.

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Luara Bolandini no número dos pratos

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Tempo de compartilhar

Para a entrada no espaço da apresentação, era exigido do público a apresentação do teste negativo de Covid. A organização do evento disponibilizou gratuitamente os testes.

Realmente, após tanto tempo de clausura e incertezas para os artistas, falar sobre o que passou e sentir ainda a ‘pele vibrar’ encheu os olhos de imagens e o coração de amor. “Em meio ao caos em que vivemos nos últimos tempos, foi um presente para nós e para o público poder compartilhar com alegria a nossa arte, o nosso ofício da forma que merece ser compartilhado, presencialmente”, diz Natalia Presser, artista da trupe.

Os artistas foram recebidos calorosamente pelo público português. “A plateia crescia a cada dia de apresentação. Era como se na cidade corresse a notícia de que o Circo Zanni, lá do Brasil, era um espetáculo, e que era preciso assistir”, diz Paz.

E o público veio e aplaudiu: “Esse é o Circo Zanni”. 

* Dani Rocha-Rosa é artista do Zanni e integrante do LaClass Excêntricos  

Fotos – Pedro Escobaz 

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Marcelo Lujan em Número Musical 

Equipe Circo Zanni:

Artistas que participaram do espetáculo:

Daniel Pedro

Daniela Rocha-Rosa

Fernando Paz

Filipe Bregantin

Luara Bolandini

Maira Campos

Marcelo Lujan

Natalia Presser

Tomás Sampaio

Direção Artistica:

Marcelo Lujan

Direção Técnica:

Daniel Pedro

Técnicos:

Iluminação: Paulo Souza

Som: Guilherme Diniz

Contra-Regragem e montagem: Dodo Giovanetti

Produção Circo Zanni:

Márcia Nunes

Produção Geral:

Danielle Hoover – Luni Produções

Hugo Nóbrega – H2N Culture Connectors

Inês Nunes Sandra Lucas

Legenda foto de capa – Trupe do Circo Zanni se apresenta em Almada, Portugal/Foto Pedro Escobag

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