Arte em Movimento
“Le Cirque Invisible”
Os dois artistas querem se apresentar em São Paulo e no Rio
Ivy Fernandes, de Roma.
“Le Cirque Invisible” é um inesquecível espetáculo, feito por somente dois artistas: Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée. Depois de se exibirem na China, Rússia, nos Estados Unidos, no México e em todas as capitais da Europa Ocidental, “Le Cirque Invisible” planeja a realização de uma turnê pelo Brasil, por São Paulo e pelo Rio de Janeiro, durante os eventos esportivos de 2013 – Copa das Confederações –, de 2014 – Copa do Mundo – e 2016 – Olimpíadas.
“Le Cirque Invisible” é um circo diferente, difícil de ser descrito por sua atmosfera mágica, surreal, em que os dois personagens criam 90 cenas que duram de 30 segundos a 10 minutos, por duas horas de espetáculo. Uma maratona circense de impacto visual, resultado de 40 anos da união artística e familiar de Victoria Chaplin e o marido, Jean-Baptiste.
Victoria Chaplin é a sexta filha de Charlie Chaplin e Oona O’Neill, cujo pai é o conhecido escritor Eugene O’Neill. Quando casou com Chaplin, em 1943, Oona tinha 18 anos, e ele, 54 anos.
Chaplin era amigo do escritor e, em uma visita a O’Neill, conheceu Oona. Do casamento nasceram oito filhos: Michael Chaplin, Geraldine Chaplin, Josephine Chaplin, Christopher Chaplin, Eugene Chaplin, Victoria Chaplin, Jane Chaplin e Annette-Emilie Chaplin. Oona e Chaplin ficaram juntos a vida inteira.
Com o marido Jean-Baptiste, Victoria Chaplin criou, no início dos anos 70, “Le Cirque Bonjour”, que depois foi denominado “Le Cirque Imaginaire”. Nos anos seguintes, passou a ser chamado de “Le Cirque Invisible”. É um circo moderno, repleto de surpresas e inovações. Alguns o consideram fonte de inspiração para o Cirque du Soleil.
O casal tem dois filhos também artistas. James Thierrée participou, quando ainda era adolescente, dos espetáculos dos pais. Aurélia Thierrée, atriz de teatro, atualmente está em turnê com a peça “O Oratório de Aurélia”.
O espetáculo “Le Cirque Invisible” é simples e sofisticado ao mesmo tempo, a começar pela maquiagem dos protagonistas, que não existe.
Cenas de um circo diferente
Jean-Baptiste, o clown, transforma-se continuamente. Carrega uma mala e retira dela objetos incríveis, como se fosse um vaso de pandora. Uma longa cabeleira branca é a característica do personagem dele, o único da dupla que diz algumas palavras em cena, canta baladas francesas e sorri sem parar enquanto corre no palco atrás de coelhos, pombos e gansos.
Os animais de fazenda fazem parte do espetáculo e invadem a cena provocando alvoroço na plateia. As crianças em geral se aproximam do palco para ver os coelhinhos.
Em outra cena, o casal se apresenta com sinos de carrilhão e gotas de água tilintando, com as vestimentas feitas de utensílios de cozinha: pratos, copos, panelas e talheres, que eles usam para criar sons metálicos e atmosfera surrealista.
Victoria Chaplin e Jean-Baptiste destilam a essência do circo. São protagonistas em cena de disfarces, além de representarem criaturas oníricas e acrobáticas. Utilizam o ilusionismo como brinquedo de antigamente e vestem roupas fantásticas, que resultam numa miríade de pequenas e perfeitas invenções.
O circo é praticamente montado e desmontado diante da plateia. Os artistas se vestem e se despem no palco, transformam-se e transportam os objetos e cenários em cena aberta.
Entre as palavras que Thierrée pronuncia estão as que explicam que o sonho dele era “realizar um único show e melhorar o espetáculo durante toda a vida”.
O ator acrescenta: “A maior parte do nosso espetáculo vem da minha colaboração com Félix Guattari (1930-1992), na Clinique de La Borde, [onde trabalhou o filósofo e psicanalista francês]. Victoria e eu nos casamos nessa clínica. Em 1968, no final de um Congresso sobre Magia, em Reims, conheci o Grand Cirque de France, de Alexis Grüss Senior (um nome dos mais ilustrativos do circo francês). Com ele, eu sonhei em criar um circo inovador e diferente sob todos os pontos de vista… Mais artístico, renovado em sua música, nos vestuários e no espírito. Desse projeto, em 1971, no Festival d’Avignon, nasceu o ‘Cirque Bonjour’, ancestral do novo circo, graças, entre outros, ao ator e diretor, Jean Vilar (1912-1971).
O impacto foi extraordinário. Ainda assim, em 1974, resolvemos abandonar o ‘Cirque Bonjour’, com seus números, cavalos, orquestra e 30 artistas, para criar o ‘Cirque Imaginaire’ com os nossos filhos, James e Aurélia. Depois disto, o ‘Cirque Imaginaire’ tornou-se ‘Le Cirque Invisible’”.
Victoria é uma contínua surpresa. Não fala em cena, não sorri e some e reaparece cada vez com uma novidade. Ela fica pequena e desaparece como uma boneca em uma caixinha de madeira. Aparece como uma senhora do século 18 e depois vira um robô de metal, brincando com dezenas de copos e outros utensílios de cozinha.
No espetáculo, a atriz se oculta entre lençóis de seda, constrói paisagens oníricas e brinca entre guarda-chuvas vermelhos chineses. Depois, anda no arame a três metros [de altura, do solo], vestida de branco com um grande leque, e, sem dificuldade, executa acrobacias no fio de metal, demonstrando grande habilidade circense.
E mais: Victoria Chaplin é uma senhora de 62 anos (nasceu em 1951), com alma de menina de nove anos e agilidade de 17 anos. Ela é muita magra, tem estatura média e cabelos castanhos longuíssimos, que chegam abaixo de sua cintura. Aluna da alta escola circense francesa, transmite ao público paixão pela arte cênica em todas as suas facetas.
Quando Victoria nasceu, seu pai, que já tinha 62 anos, montava o filme mais importante da vida dele, “Luzes da Ribalta”, baseado em um livro escrito por ele, “Footlights”, que Charles Chaplin nunca publicou.
Memórias de Victoria: Chaplin vestido de palhaço
Chaplin divertia-se em montar em casa verdadeiras pantomimas para distrair os filhos pequenos, com teatrinhos improvisados e marionetes. Ele se vestia de palhaço para brincar com as crianças.
Ainda muito jovem, Victoria não tinha 20 anos, ela conheceu Jean-Baptiste Thierrée, quatorze anos mais velho do que ela, um ator de teatro com paixão pelas artes circenses. Logo, nasceu o projeto de trabalharem juntos e formarem uma companhia com um circo renovado, poético, surreal e surpreendente.
Victoria e Jean-Baptiste: precursores do teatro-circo
Eles foram os precursores do teatro-circo sob a grande lona (conhecida como “Chapiteau”), os fundadores da grande escola francesa. Um circo onde tudo acontece, aparentemente, sem esforço, de forma natural e espontânea, mas que, na era dos efeitos especiais, salienta a arte feita de coisas simples, com habilidade e precisão.
Em cena, Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée se multiplicam: viram acrobatas, ilusionistas, mágicos, palhaços e músicos. Ela ainda anda na corda bamba.
Quando adolescente, Victoria participa do filme “Os Palhaços”, de Fellini
Vista de perto, é inevitável, procurar em seu rosto e gestos as criações Charlot (cenas em que Chaplin interpretava o personagem Charlot, nos filmes mudos, usando o chapéu preto).
Como pai, Charles Chaplin deu sempre liberdade aos filhos e incentivou as tendências artísticas que alguns deles demonstraram desde pequenos.
Quando Victoria era ainda criança, participou do último filme sob a direção de Chaplin, “A Condessa de Hong Kong” (1967), com Marlon Brando e Sophia Loren. A seguir, já adolescente, Victoria Chaplin interpretou um papel no filme “Os Palhaços”, de Federico Fellini, em 1971.
Em seguida, conheceu Jean-Baptiste e passaram a trabalhar juntos. Da união nasceu o “Le Cirque Bonjour” a primeira companhia do casal.
Quem é Thierrée
Thierrée é a outra metade do show: é o clown histriônico e aparece em cenas com roupas criadas por ele. Seu personagem pode se transformar em um quadro de Van Gogh ou em um pôr do sol dourado. Ou aparecer vestido de zebra, sempre com o rosto de pierrô.
O circo novo (cirque nouveau) nasceu sem efeitos especiais, sem projetos tridimensionais, sem luzes especiais, sem telas de computador ou tecnologia LED. É arte simples, pura, direta, feita de talento, dedicação e amor. Um circo poético, formado de sonhos fantásticos e coloridos. Visionário, funâmbulo, que nasceu da prodigiosa habilidade de dois artistas extraordinários e únicos: Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée.
Ficha técnica
Espetáculo “Le Cirque Invisible”. Idealização e direção: Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée. Com: Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée.
Tags: Jean-Baptiste Thierrée, Le Cirque Invisible, Victoria Chaplin
Adorei!!!!!
fazer circo e estar no circo é iluminar a vida …parabénssss.
vcs sabem como alegrar as pessoas ….