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Divirta-se com a Sinfonia das Bruxas
Fernanda Araujo, especial para Panis & Circus
Sinfonia das Bruxas tem como mote um grande baile, promovido pela bruxa famosa Carabosi, que aparece em composições de Tchaikovsky, e está cheio de gente gente esquisita: Conde Drácula, Frankstein e O Fantasma da Ópera. Panis & Circus conta como foi esse episódio da série Aprendiz de Maestro, apresentado no dia 6 de outubro, em clima de Halloween, na Sala São Paulo, que estava repleta de crianças.
Logo na primeira cena, uma bruxa majestosa (Sheila Negro) surge no palco cantando e evocando fantasmas (cinco dançarinos e uma dançarina, membros da equipe da coreografa Gisele Bellot).
“Era uma vez, um tipo de conto de fadas… Na verdade, de bruxas. Bem, um reino onde viviam magos, feiticeiros e bruxas”, introduz o maestro João Maurício Galindo, no palco decorado por fantasminhas pelo chão, ao lado de um trono suntuoso e cheio de teias de aranha. “Um reino tranquilo”, continua, se referindo à perfeita harmonia do local, sem sustos, e sem calabouços, que se tornaram estacionamentos de vassouras.
Tudo ia bem, até que Carabosi (Luciana Carneli), uma bruxa famosa – homenageada até nas composições de Tchaikovsky –, aparece convidando todos para um baile. Em um vestido de renda preto, no estilo da cantora Cher, Carabosi fala na língua das bruxas, um tipo de pantomima, convocando ogros, monstros e fantasmas para o grande evento, no qual ela comunicará uma novidade.
No palco, dançarinos-fantasmas bailam com morcegos espetados no alto da vara até que o primeiro convidado toca a campainha. Chega Conde Drácula (Juan Alba), que levanta hipóteses sobre a razão da festa: “Um concurso de beleza?”, supõe o poderoso.
Carobosi dá algumas pistas sobre a surpresa. “Então, os sacis nascem dos bambus; os maestros, dos bambus de suas batutas; e as bruxinhas… de dentro de uma abóbora”, conta a bruxa enquanto os dançarinos empurram um grande legume chocador (uma mesa com rodinhas, na verdade).
“Eu desejo que a princesa, bruxa ou berinjela, seja a mais bela”, declara Drácula. E, em uma espécie de ritual de bruxaria, corroborando o feitiço, os dançarinos surgem de zumbis amalucados, com navalhas gigantes, tubos de pasta de dente e escovas de dente imensas. Como resultado do encanto, uma cabecinha de abóbora emerge do grande legume.
Em busca de um corpo para a bruxinha, os zumbis amalucados seguem a cantoria, agora com ‘Thriller’, clássico de Michael Jackson. Até que um corpinho verde e esguio surge sob a cabeça da abóbora (com figurino bem resolvido, a menina usa um collant verde que lhe cobre braços e pernas).
Frankenstein adentra o salão com um figurino lúdico, um tipo de panela azul clara com botões laranja na cabeça (uma versão ‘monstruosa’ do Menino Maluquinho, quem sabe?). De dentro do tal chapéu sai o novo presente para a bruxinha: um cérebro.
Ao som da trilha do musical de ‘O Fantasma da Ópera’ (na voz de Sheila Negro), cada um levou uma oferenda à pequena: Mago Merlin deixou o filho Arthuzinho na creche e doou uma alma; os fantasmas contribuíram com lenções importados; chapéu pontiagudo, bola de cristal, caldeirão de mingau, vassourinhas… cada um contribuiu com o que pode.
Quase no fim da festa chega o rei dos elfos, Oberon (Juan Alba, com figurino de deus grego). Com o mal humor de quem não recebeu o convite da festa e ainda teve que abandonar a temporada no paradisíaco Sonho de uma Noite de Verão, Oberon trouxe uma caixinha cor-de-rosa. Dentro da caixa, uma agulha. “Se, ao completar 500 anos, ela espetar o dedo nessa agulha ficará acorda para sempre”, decretou o malvado.
Desesperada com a possibilidade de a filha ficar desprovida do sono de beleza, a bruxa pensa em várias hipóteses, como cortar os dedinhos da menina ou despachá-la para a casa do maestro.
O maestro, porém, esclarece que não há quatros disponíveis em sua residência, pois os cômodos foram locados por usuários do Air Be and Be e, rapidamente, sugere que a menina se exile na floresta por 500 anos, até que haja uma solução. Juntos com os músicos, o regente faz uma vaquinha para financiar a viagem da garota ao distante reino de Hades.
Já na floresta, a uma bruxa majestosa, com avental de tule rosa (Sheila Negro, de novo), mexe uma poção com o cabo de vassoura em um caldeirão gigante. Um cão de três cabeça guarda o local para que ninguém se aproxime da menina.
Após 500 anos, o maestro evoca Orfeu para resgatar a mocinha (lá vem Juan Alba, de novo). Com a direção descrita no GPS, o fortão pede apenas uma lira para executar o serviço. Apesar de experiente, Orfeu encara alguns percalços na jornada, como Perséfone, faxineira e protetora do reino de Hades, pede que o herói deixe o instrumento musical em troca da menina. O herói diz que a lira é importante para que ele estude para o concurso de ingresso da Sinfonieta Tucca Fortíssima, mas a informação não comove.
A libertação da menina fica tão marcante que o herói resolve chamar a data de Dia das Bruxas. A ocasião é celebrada ao som de uma valsa de Tchaikovsky.
Sinfônica das Bruxas
Ficha técnica
Texto e direção: Paulo Rogério Lopes
Direção musical e regência: maestro João Maurício Galindo
Coreografia/bailarinos: Gisele Bellot
Direção geral e de produção: Ângela Dória
Participação especial de Juan Alba, Luciana Carnielli e Sheila Negro
Com a Sinfonieta Tucca Fortíssima
*Colaboração da Redação