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Música de Nino Rota embala “Aprendiz de Maestro”
Luciana Gandelini, especial para Panis & Circus
Com chapéu de confeiteiro, o maestro João Maurício Galindo e os músicos da Sinfonieta Tucca Fortíssima receberam o público infantil e seus acompanhantes, na Sala São Paulo, no sábado, 20/9. Era o início do espetáculo “O Chapéu do Giovannino”, sob os acordes das músicas do genial italiano Nino Rota, e que levou a plateia para uma excursão sonora que percorreu locais famosos de Roma: do Pantheon ao Coliseu, da Fontana de Trevi ao Vaticano, celebrados em filmes com trilha sonora feita pelo compositor, principalmente, no cinema de Federico Fellini.
O maestro Galindo iniciou a excursão sonora convidando os presentes a degustar as “delícias musicais”: em um telão foram projetadas imagens de pratos apetitosos acompanhados de músicas encantadoras.
Com a confeitaria aberta, surgem dois personagens: o freguês preferencial (interpretado pelo ator e circense Fernando Paz), chamado Giovannino (referência ao compositor Giovanni “Nino” Rot
Imediatamente, a Confeiteira (papel da atriz Mariana Elisabetsky) com “O Chapéu de Giovannino” em mãos, passa a procurar o compositor por todos os cantos de Roma. Quer devolver a ele o chapéu. Inicia-se para as crianças a “caça ao tesouro” com a Confeiteira percorrendo locais marcadamente significativos para as composições de Nino Rota e se deparando com personagens inspirados nos filmes do diretor Fellini.
Quem explica cada passagem é o maestro confeiteiro Galindo. Ele conta que o Giovannino, com dois anos de idade, regeu uma orquestra de verdade com uma música que inventou na cabeça e que fazia notas musicais com azeitonas e espaguetes, e consegue a atenção do exigente público infantil.
Conta também que o compositor Nino Rota foi quem fez a trilha sonora de “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola, outro cultuado diretor de cinema. E por isso, o maestro e o ator (Fernando Paz) se vestem como mafiosos que lembram os intérpretes do famoso filme. Só que eles são ‘bonzinhos’.

O maestro no papel de mafioso; Nino Rota fez a trilha sonora de "O Poderoso Chefão" / Foto Asa Campos
O maestro mafioso, que já foi confeiteiro, aconselha a Confeiteira a seguir o seu caminho em busca do chapéu do Giovannino, enquanto a orquestra toca músicas do compositor Nino Rota.
Ela segue pela estrada musical e se depara com um fotógrafo de celebridades que conta com um sorvete gigante para chamar a atenção das pessoas na hora do flash da câmera. O fotógrafo registra várias poses da Confeiteira em sua câmera com sorvete, e recomenda que ela siga para as Ruínas Empoeiradas. Lá, talvez encontre o Giovannino.
Em busca das Ruínas Empoeiradas, a Confeiteira se depara com uma matilha de lobos (integrantes da orquestra que vestem as máscaras do animal), que obedecem a uma avó, com roupa e sapato de dormir, e com chicote na mão (papel de Fernando Paz). A avó domadora conta que Giovannino sempre passa por ali e traz consigo doces de panna cotta (sobremesa típica da região italiana) para os bichinhos. Juntas, inventam uma canção sobre o doce, convidam a plateia a ficar de pé para cantar e dançar e os músicos também as acompanham.
Ainda sem encontrar Giovannino, a atriz Mariana Elizabetsky (no papel de Confeiteira) segue rumo ao Coliseu e se depara com guia, um gladiador fajuto (o ator Fernando Paz). A interação entre os dois atores e o maestro, mesclando música e encenações, encanta e diverte. Donos de bonitas vozes, os atores Fernando e Mariana, demonstram também seu talento na interpretação dos papéis.
A Confeiteira segue para o Vaticano, acompanhada de uma sequência belíssima de projeções no telão, que remete o público à Capela Sistina e à obra de Michelangelo. De forma lúdica, o maestro vai explicando cada passagem, cada significado, cada curiosidade da música de Nino Rota.
Em dado momento, ele se transforma em um apresentador de circo.
Fernando Paz é o palhaço – aliás, papel que desempenha com maestria no Circo Zanni, Piccolo e no La Mínima – e surpreende ao fazer de um serrote, uma espécie de violino, em que tira acordes para acompanhar o canto de Mariana Elisabetsky. E, finalmente, ela consegue entregar “O chapéu de Giovannino” para o compositor.
“Maestro é brincalhão”, diz estudante
Claudio Braga, consultor, 47 anos, conta que ficou sabendo que ia ter o espetáculo “O Chapéu de Giovannino” ao escutar uma chamada na Cultura FM, com o maestro João Maurício Galindo. “Nós já temos convivência com a música clássica. A minha filha tinha encomendado um passeio cultural, e achei que aqui seria um bom lugar para passear. Foi muito bom, um programa muito bacana”. A esposa de Claudio, Elisabete Oliveira Braga, 44 anos, consultora de sistemas, complementa: “Acho bacana o projeto, porque acaba criando consciência nas crianças e nos adultos, une cultura, música e ajuda as crianças e adolescentes com câncer. Já viemos antes ver o “Aprendiz de Maestro” e pretendemos voltar em outubro”.
As filhas do casal também gostaram do programa. Natalia Oliveira Braga, 12 anos, estudante, diz: “Eu conheço musica clássica porque o meu pai ouve bastante e o adorei o maestro! Ele é muito bom e brincalhão!”.
Carolina Oliveira Braga, 16 anos, estudante, diz: “Já tinha vindo antes na sala São Paulo, no dia do maestro. Acho muito bonito o espaço e gosto de vir aqui! Temos que valorizar mais a cultura”.
Ildene Scola, 46 anos, contadora, acompanha com o seu filho o “Aprendiz de Maestro”. “Nós já frequentamos esse projeto há três anos. Eu e meu filho adoramos! Ele toca flauta, violino e piano, por isso ele adora vir assistir. Desde muito pequeno ele parava para ouvir qualquer tipo de música e quando o trouxemos aqui, ele se encantou. Então começamos a incentivar!”. O filho Gustavo Scola, 7 anos, complementa: “Eu gosto muito de música clássica. Gostei do espetáculo e do maestro, ele é muito legal!”.
As meninas Maia e Luana Betti, 7 e 9 anos, se divertiram com o palhaço tocando serrote. “Gostei muito de ver a avó, a moça de vestido de bolinhas e todo mundo dançando e cantando”, diz Maia.
“Fernando toca trompete de verdade; Mariana tem bela voz”
O dramaturgo Paulo Rogério Lopes, conta um pouco sobre o processo de criação de “O Chapéu de Giovannino”: “Sempre priorizamos a música erudita, mas este espetáculo é construído com músicas populares feitas para o cinema. Como não temos uma biografia do Nino Rota para criança, pensamos em falar das músicas que ele fez nos filmes, os personagens, os lugares que ele adorava em Roma. Fizemos essa ‘caça ao tesouro’ para devolver o chapéu para ele. Na verdade, não é só apresentar a música para criança, temos que conquistar a atenção delas. Nós sempre criamos uma história, mas a biografia dele não é muito interessante para criança porque ele era acadêmico. Acho que acertamos nessa aposta, pois o público viajou junto nessa turnê musical. Quisemos aproveitar os filmes do Fellini, que têm características bem circenses no exagero dos personagens e traz o adulto para o lúdico”.
E acrescenta: “O Fernando toca o trompete de verdade. Muitas pessoas imaginam que ele esteja dublando, encenando, mas ele toca e canta de verdade. Já Mariana, é dona de uma voz incrível e faz parte dos musicais que estão por aí – ela traduziu alguns deles, “Wicked”, por exemplo, é versão dela. Ambos são artistas talentosos que quisemos trazer para o projeto e que se comunicam muito bem”.
Fernando Paz, renomado artista circense, músico e um dos atores convidados, especialmente para o espetáculo, afirma: “O Paulo Rogério trouxe as cenas e fomos trazendo as nossas habilidades e propondo ações. Há quatro anos, me apresentei aqui, como palhaço, junto com uma orquestra. Mas não fazia parte da programação “Aprendiz de Maestro”. Neste caso, fiquei feliz com o convite porque é um projeto que admiro muito. A Sala São Paulo é um espaço incrível, um templo da música, com uma acústica incrível. É uma alegria se apresentar aqui nesse projeto”.
Postagem – Alyne Albuquerque
Oba! sempre fico no aguardo das matérias do Panis & Circus e as lindas fotos do Asa Campos! Valeu, Bel!!!