Arte em Movimento
La Class Excêntricos ganha o público
Mônica Rodrigues da Costa*
O sincretismo e a arte híbrida se sobrepõem no espetáculo “La Class Excêntricos”, que esteve em cartaz no Teatro Viradalata nos sábados 16/3 e 23/3/2019, às 21h30.
Nas duas apresentações com o Viradalata de lotação completa, o espetáculo “La Class Excêntricos” teve início sem o público se dar conta, com as luzes da plateia acesas e o palhaço, equilibrista e musicista Marcelo Lujan misturado às pessoas. Lujan andou por cima das cadeiras e pediu licença para se sentar nos lugares delas. Tropeçava com frequência. Em dado momento, subiu uma escada lateral ao palco e deu-se um jogo engraçado de cair da escada.
Na sequência da introdução cômica, a atriz Dani Rocha-Rosa assoviava no microfone para testar o equipamento.
Com as pessoas já sorridentes, a atriz e diretora Rhena de Faria atraiu a atenção do público para anunciar seu papel ao lado da dupla de atores do “La Class…”, de apresentadora e comentadora das atrações.
Rhena falou da própria peruca, pediu ajuda a um espectador para subir o zíper do vestido brilhante e glamoroso, no estilo de cabaré e teatro de variedades e revista. Gargalhadas.
A atriz lia o roteiro e trazia informações como a velocidade do guepardo e do falcão peregrino.
Rhena fazia isso sempre entre um número e outro.
A dupla de atores apresentou o número de bambolê com aros gigantescos e de muitos outros tamanhos, associado à mágica Quick Change, que mostra a coleção de figurinos típicos dos vaudevilles, gênero do final do século 19 e início do 20, e dos cabarés (século 20).
Ao final do jogo de bambolê o palhaço oferece uma aliança à dançarina, o que é a deixa para Rhena de Faria recitar um texto non sense sobre a Casa das Alianças e empresas corporativas a ela associadas livremente e de forma criativa.
De imediato Marcelo e Dani engatam a cena do palhaço bêbado ao interpretar a famosa “Cry Me a River” (1953), canção de jazz clássica, de Arthur Hamilton.
Outro quadro que segue a narrativa de canção é a encenação de “Chorona”, uma letra que Dani cai em prantos ao cantar.
As cenas se sucedem no ritmo da felicidade do riso estampado no rosto das pessoas, o que Marcelo Lujan tomou como deixa na despedida para agradecer a presença dos espectadores e enfatizar a necessidade de todo mundo assistir a comédias para suavizar os tempos sombrios atuais do Brasil (e do mundo) como alardeia o noticiário.
Não sem antes apresentar o Coelho Ventríloquo dentro de uma cartola, que a Dani manipula. O bicho de pelúcia acaba por entrar em atrito com o palhaço Lujan, que se sai bem e está muito confortável em todos os papéis em que atuou na noite.
Rhena de Faria agradeceu aos patrocinadores e fez uma maravilhosa lista da história da propaganda e da publicidade. Teceu louvores à Mesbla, ao Mappin, ao supermercado Paes Mendonça, ao banco Bamerindus, ou seja, a empresas que não existem mais, arrancando risos da plateia.
Dani Rocha-Rosa também dominou com harmonia e segurança as histórias curtíssimas em forma de números de circo, ao lado das palhaçadas excêntricas, ou melhor, inventivas e exóticas, como é o caso do arame tenso em que anda de salto alto.
A cena dos velhos fecha o espetáculo e se trata de um jogo de imitação da gestualidade da terceira idade e com ironia física que contrasta ritmos.
Ficha técnica
Concepção e direção: Cia. LaClass Excêntricos. Direção musical: Marcelo Lujan. Elenco: Dani Rocha-Rosa e Marcelo Lujan. Narradora: Rhena de Faria. Iluminação: Maria Druck. Direção musical: Marcelo Lujan. Figurinos: Dani Rocha-Rosa e Marcelo Lujan. Produção: Black River e LaClass Excêntricos.
Quem é a Cia. Laclass Excêntricos
Marcelo Lujan é artista plástico, maestro, músico, palhaço, malabarista, equilibrista e diretor. É um dos nove sócios fundadores e atual diretor do Circo Zanni e integrante do Circo Amarillo e da cia. LaClass Excêntricos.
A atriz Daniela Rocha-Rosa é atriz e diretora. Explora técnicas circenses como recurso criativo para inserir na representação de obras teatrais há mais de 20 anos. Também integra o Circo Zanni, a Cia. dos Relativos e o Circo Amarillo, dentre outros.
Ao lado de Marcelo, Dani pesquisa a construção de personagem e dramaturgias excêntricas.
Conheça mais do espetáculo e trabalho de Dani e Marcelo nestes links:
*Jornalista frila, crítica de teatro no Guia da Folha (Folha de S.Paulo) e comentarista de circo.